FC Sochaux sob uma pequena bandeira chinesa – Depois do clube, Peugeot ameaça deixar a região ? – por David Desgouilles

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

FC Sochaux sob uma pequena bandeira chinesa
Depois do clube, Peugeot ameaça deixar a região?

David Desgouilles

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Diz-se que a primeira decisão de Ledus, o actual detentor de FC Sochaux-Montbéliard, sediado em Hong-Kong, será a de refazer toda a iluminação do Estádio Bonal. Do alto da minha tribuna, posso testemunhar aos leitores de Causeur que houve nestes últimos anos alguns pequenos problemas com a qualidade do relvado, mais ainda com a equipa que alinhava a jogar, mas de forma alguma com a iluminação. No campo via-se muito bem o jogo, embora o espectáculo nem sempre fosse tão bom quanto se poderia esperar. Esta anedota revela muito efectivamente quanto à apreensão dos adeptos do mais velho clube profissional francês. Como nós o lamentávamos há perto de um ano, PSA pôs em venda o clube de futebol que Jean-Pierre Peugeot tinha criado há mais de oitenta anos. A imensa maioria do povo de Bonal está inquieta e há realmente razões para isso. Porque a empresa Ledus, que comercializa as lâmpadas LED, que quais iluminarão as próximas noites em Bonal, não tem nada de um império. Os telejornais das 20:00 desta terça-feira à noite anunciavam “Sochaux sob bandeira chinesa ”, como se FC Sochaux fosse hoje o ferro de lança de um destes dragões da nova economia mundial e ganhadora, passando ao lado do essencial. Esta empresa de Hong-Kong, domiciliada nas ilhas Caimões, não tem nada de um gigante. O seu número de negócios é irrisório. Ledus conta com o FCSM para ganhar sectores de mercado e um emblema do leão sobre a cabeça de uma lâmpada talvez venha a ser colocado sobre o fato do clube.

O que não deixa de preocupar, são as condições desta retoma, e o facto que outras soluções foram desprezadas por PSA, certamente ao seu mais elevado nível. Um projecto efectuado por um parceiro local, o gabinete Kipo, associado a um investidor inglês, dava garantias mais em fase com a espectativa dos adeptos, por um lado porque os iniciadores eram verdadeiros namorados do clube e que conheciam o futebol, o que está longe de ser o caso do honroso Monsieur Li, que se viu entrevistado no Estádio 2 numa outra noite. . Quem pôs em contacto PSA com Ledus? Tudo se passou em Mulhouse onde estão localizados Thomas Lichtenauer, o representante da empresa de Hong-Kong e na Europa, Mounir Jawhar, um antigo agente de jogadores de reputação tão sulfurosa que perdeu a sua licença e encheu a crónica judicial alsaciana , bem como um antigo líder do Racing Clube de Estrasburgo que desempenhou um papel não negligenciável na descida aos infernos do clube de Estrasburgo. . De acordo com as nossas fontes, Jawhar se veria em breve como responsável do recrutamento de Sochaux, ao ponto que o actual titular do posto, a quem interessa o ÁS Saint-Etienne, veria com muitos maus olhos a chegada de uma tal personagem. Fala-se também de um advogado suíço cuja reputação não é apenas mais encorajadora que a dos dois primeiros. Resumidamente, se a empresa Ledus dever ser julgada sobre a escolha dos seus interlocutores, nada começa sob os melhores auspícios.

Mas se uma pequena empresa de Hong-Kong, neófita do mundo do futebol europeu, pode eventualmente ser a vítima de intermediários duvidosos, o que é que se pode dizer de uma empresa de dimensão internacional como PSA? PSA que conhece o terreno, e cujos líderes atuais do clube pensam certamente que o perfil dos intermediários deixava prever um grande risco sobre a sobrevivência FC Sochaux? Quando se conhece o destino do FC Grenoble, ou o que vive o RC Lens ou o Havre AC actualmente, não se escolhem os seus interlocutores senão graças a amizades de discotecas do Alto Reno . Sobretudo quando outro comprador dotado de uma superfície financeira pelo menos equivalente propõe uma alternativa mais em fase com a cultura e as cores locais. Porque desembaraçarem-se do FCSM em tais condições? Murmura-se que Peugeot e Citroën poderiam beneficiar de um preço interessante sobre as lâmpadas LED, o que negou Denis Worbe, o homem que Carlos Tavarès, presidente do directório de PSA, encarregou de vender o clube da Liga 1. Pela minha a parte, há outra intenção. E se Tavares, privilegiando uma empresa desconhecida no batalhão do futebol graças a intermediários duvidosos, tivesse decidido mostrar todo o seu desprezo aos habitantes do País Montbéliard, sede da maior das suas fábricas? E se, este proprietário mundializado habituado aos métodos expeditivos tivesse desejado, ao proceder desta maneira, , enviar uma mensagem à maneira de advertência: “Olhem bem como virei e entreguei o vosso clube ao primeiro que me apareceu. A vossa situação é igualmente precária”? O cinismo de Carlos Tavarès que esteve a um palmo de assinar a sentença de morte do FCSM há onze meses, e que não teve nenhuma piedade para a zona industrial de Aulnay, foi forjado aos lados do seu alter-ego de Renault Carlos Ghosn, o grande deslocalizador do seu Estado. Não nos surpreende que a venda feita a um pequeno industrial de lâmpadas LED de um dos clubes de referência histórica do futebol francês não tenha outra motivação que não seja a de intimidar uma região que já sofreu muito sofrido.

David Desgouilles, Revista Causeur, Le FC Sochaux sous (petit) pavillon chinois – Après le club, Peugeot menace-t-il de lâcher la région?. Texto disponível em :

http://www.causeur.fr/fc-sochaux-ledus-peugeot-32926.html

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