Futebol : os Chineses em Sochaux – E Wing-Sang Li descobre a bola de futebol, por David Desgouilles

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Futebol : os Chineses em Sochaux

E Wing-Sang Li descobre a bola de futebol

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David Desgouilles, Revista Causeur

Publicado a dezembro de 2015 à 14:00 / Économie Sport

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Gostaríamos de estarmos errados, há seis meses, quando nos preocupávamos com a venda de FC Sochaux à empresa Ledus de Hong-Kong. Havia uma vontade do proprietário Peugeot de atirar fora uma das jóias históricas da empresa e da região, uma vontade cínica de cortar o cordão entre o construtor automóvel e o País Montbéliard. Seis meses mais tarde, não se encontra de resto mais nenhum vestígio do clube local no Museu Peugeot Montbéliard. Como se tivesse sido necessário fazer absolutamente tábua rasa do passado.

O destino FC Sochaux-Montbéliard assenta agora sobre os ombros de Wing-Sang Li. O proprietário de Ledus também assumiu a presidência do clube. Contratou no mês de agosto um Director Geral suíço, Ilja Kenzig, que teve funções em diferentes clubes profissionais suíços e alemães. Será mesmo muito pouco dizer que senhor Li pôde humilhar os adeptos locais, mas também os jogadores e o pessoal do clube da elite do futebol francês. De divertimento, passou-se em cerca de meses à consternação. O projecto desportivo do clube ainda não foi apresentado. Enviado por Ilja Kenzig à Wing-Sang Li há já dois meses, este último ainda não foi até agora validado. Pode-se mesmo interrogar se Li pura e simplesmente o chegou a ler.

Digamo-lo claramente: o senhor Li comprou uma dançarina. E como não conhece nada de futebol, e que a sua equipa dança sobretudo mal (18ºna classificação da Segunda Liga, o que eu nunca tinha visto deste que nasci), tenta fazer ele próprio o espectáculo. É assim que aquando de uma derrota contra Bourg-en-Bresse, foi ajoelhar-se na frente dos adeptos do Sochaux para lhes pedir perdão. Aquando da primeira vitória de Sochaux no campeonato foi necessário de esperar o dia 2 de Outubro contra Valenciennes -, estava tão contente que todos os clientes da pizzaria (dos quais sou um deles), onde comeu depois do jogo, tiveram direito à sua taça de champanhe. Em Nîmes, participou vestido a rigor, em fato completo, à limpeza do terreno depois do jogo. Após a qualificação contra Estrasburgo… em 128/e de finais da taça da França, fez a volta de honra com os jogadores com o mesmo entusiasmo que Bernard Tapie após ter ganho a Liga dos Campeões. Espera-se, sem impaciência, que venha a tirar o fato da mascote local – o famoso Sochalion- a fim de se assegurar o espectáculo da primeira parte dos jogos em Bonal. Em contrapartida, atrasou de um mês a demissão treinador Olivier Echouafni, perdedor dos pontos preciosos, antes desse resolver ouvir os conselhos de Kaenzig.

Desde a chegada do novo treinador Albert Cartier, os resultados são menos maus e a equipa assemelha-se mais a uma equipa, e isso parece ser suficiente ao senhor Li. Para o recrutamento em Janeiro, a fim de manter o clube na Segunda Liga, é onde estamos agora, teme-se a sua falta de reactividade. Para dizer a verdade, não é pressionado de pôr a mão na sua carteira. Outro motivo de apreensão, Wing-Sang Li parece fazer-se aconselhar por neófitos. É assim que se vê cada vez mais, nos bastidores e até na tribuna presidencial, famosos os intermediários de Mulhouse que lhe tinham permitido comprar o clube em Maio passado. Thomas Lichtenauer, representante da Ledus-França e antigo comerciante de móveis, e Mounir Jawhar, antigo agente de jogadores que já perdeu a sua licença, já não se escondem mais e levaram nas suas bagagens outras personalidades pouco recomendáveis, como Mickaël Gerber, destituído sem indemnização com perdas e muito barulho pelo presidente do clube Colmar que dele tivesse feito o seu conselheiro. E teme-se igualmente ver reaparecer Jean-Luc Witzel que fazia parte da equipa que levou o Racing de Estrasburgo à situação de declaração de falência. Não somente, senhor Li não conhece nada do futebol e deseja controlar tudo o que faz o seu Director Geral que no entanto foi ele que o empregou mas está sempre disposto a ouvir as pessoas que não têm, no melhor dos casos, nenhum conhecimento em matéria de futebol ou, no pior dos cenários, que estão envoltos numa reputação sulfurosa. É assim que Bernard Maraval, responsável do recrutamento e histórico do clube, acaba de ser despedido, sem dúvida, sob os conselhos do duo Jawhar-Lichtenauer. Do lado dos adeptos, é a hora da inquietação. Apostamos que a oficialização da entrada Mounir Jawhar no organigrama do clube poderia lançar atiçar nas tribunas de Bonal. Uma verdadeira crise com os adeptos, o Sr. Li não sabe ainda que é. Não é certo que as suas palhaçadas sobre o relvado do campo o permitem evitar.

David Desgouilles, Revista Causeur, Football: les Chinois à Sochaux -Et Wing-Sang Li découvrit le ballon rond. Texto disponivel em : http://www.causeur.fr/football-ledus-sochaux-35874.html

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