A COLUNA DE OCTOPUS – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA SOBRE OS HOMENS

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Violência doméstica - I

 

Este é um assunto tabu. É senso comum que são os homens que praticam violência doméstica sobre as mulheres, nunca o contrário.

Em Portugal, são as mulheres as principais vítimas de violência doméstica, representam cerca de 80% das queixas, enquanto que os homens representam apenas 20% das queixas, mas esse número está sob estimado

A situação em Portugal.

O Relatório Anual de Segurança Interna refere que em 2014, os casos registado de violência doméstica em que as vítimas foram homens era de 19,2%.

Isto representa, apesar de tudo, em Portugal, 14 queixas por dia.

Não existem mais queixas em Portugal por vergonha e por preconceito social.

A mentalidade machista quase que dá ao homem o direito de agredir a sua mulher, fruto de numerosos anos em que a mulher era “propriedade” do marido, sem qualquer direito próprio.

As coisas têm vindo a alterar-se nos últimos anos, mas fez com, perversamente, a violência doméstica é hoje em dia, em Portugal, sinónimo de violência do homem sobre a mulher.

Violência doméstica - II

Queixas inglórias.

Quando fazem queixa, os homens raramente são levados a sério: como é que um homem se deixa dominar pela sua mulher?

Quando um homem é vítima de violência doméstica e que o caso chega a tribunal, depara-se com um sistema jurídico demasiado “feminilizado” e tem dificuldade em fazer prevalecer a razão dos factos, sendo que a mulher raramente é condenada.

Aos olhos da sociedade e do sistema jurídico, a mulher é sempre a vítima.

Frequentemente, quando o homem faz queixa da mulher por violência doméstica, esta inverte os papeis e faz-se de vítima,  fica o homem desacreditado perante a opinião pública e perante as autoridades.

Automaticamente o sistema jurídico coloca em dúvida os factos descritos e preveligiam a versão feminina: a mulher apenas, eventualmente, agrediu o seu companheiro como atitude de defesa.

A guarda dos filhos é sempre para a mãe.

Em caso de separação, a guarda dos filhos é entregue à mãe em cerca de 95% dos casos em Portugal, em 85% dos casos em França. Nos países nórdicos em 85% dos casos a guarda dos filhos é alternada.

Quando se questiona porque é que um homem vítima de violência por parte da companheira não se separa, a resposta é que estes reagem da mesma maneira que as mulheres vítimas de violência: tentam proteger os seus filhos.

Só que no caso dos homens, perante o cepticísmo dos juízes, têm muito poucas possibilidades de obter a guarda dos filhos, dado que os sistema vigente protege sempre as mulheres.

Violência doméstica - III

Classe social e violência doméstica.

A perversão e a manipulação não é apanágio dos homens. Nos casos de violência doméstica, essas agressões são frequentemente físicas tanto nem caso como noutro. No caso das vítimas serem homens, têm de aguentar estoicamente as agressões, porque se algum tem como reacção ripostar, é a mulher que irá fazer queixa por violência doméstica, e nesses casos o homem fica como agressor.

Apesar de nos dizerem que a violência doméstica está presente em todas as classes sociais, esta é uma meia verdade. As mulheres vítimas pertencem geralmente a classes baixas ou média-baixas, enquanto os homens pertencem a classes média-altas e altas.

Violência doméstica - IV

 

A violência sobre os homens é mais subtil.

Enquanto a violência sobre as mulheres é mais física, no caso dos homens é muito mais psicológica. Frequentemente, os homens vítimas de violência domestica são alvo de críticas diárias, humilhações perante amigos ou família e críticas em relação ao seu desempenho sexual ou à sua virilidade.

Todas estas violências são difíceis de provar, enquanto as agressões físicas são muito mais fáceis. A violência emocional, degradação e humilhação continuada é o retrato do dia a dia de muitos homens sujeitos a esse tipo de violência.

A sociedade minimiza a violência sobre os homens.

Como é que as pessoas reagem numa cena de violência doméstica?

A organização não-governamental ManKind Iniciative realizou a seguinte experiência:

Na mesma rua, um mesmo casal: quando o homem agride a mulher, várias pessoas reagem e chamam o homem à atenção, certificam-se que a mulher está bem e chamam as autoridades.

Quando é a mulher que agride o homem, as pessoas que presenciam a cena, olham, sorriem e ninguém se certifica que o agredido está bem ou chamam as autoridades.

Na Bélgica ou na Suécia, o numero de vítimas do sexo masculino é superior ao das mulheres.

As relações de violência são sempre um fenómeno de poder. À medida que as sociedades e as pessoas se tornaram mais independentes e se emanciparam, cada vez aceitam menos este tipo de violência.

A evolução natural da sociedade fez com que, legitimamente, as mulheres se libertaram da dependência do homem, mas criou uma grande dicotomia quanto ao esperado papel do homem dividido entre protecção social e igualdade.

Uma relação sã, permite que duas pessoas possam enriquecerem-se com essa relação que mantêm com o seu parceiro sem perder a sua liberdade. Quando um dos dois encara o outro como um objecto disponível para se submeter ao seu belo prazer, a relação é uma relação perversa.

Mas uma coisa é certa, nem sempre o que aparece como vítima é realmente o culpado.

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