FRATERNIZAR – Rescaldo da viagem ao México – PARE DE ENGANAR E HUMILHAR OS POBRES, PAPA FRANCISCO! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

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Este grito, dirigido ao papa Francisco, deveria sair, imparável, das gargantas dos povos empobrecidos do México, de toda a América Latina e do resto do mundo e desaguar como um tsunami político-teológico em Roma-Estado do Vaticano, dias depois do seu regresso da viagem que fez àquele país, precedido de uma breve paragem em Habana, capital de Cuba, a de Fidel, aluno dos padres jesuítas, quando jovem. O pretexto oficial desta breve paragem foi um fugaz encontro com o papa de todas as Rússias cristãs ortodoxas, separadas de Roma há quase mil anos, já então, contra o desmedido centralismo papal romano, bem ao jeito dos Césares da Roma imperial, dos quais cada papa é sucessor. Mas está bem de ver que o que move um e outro papa é o facto de Fidel, o da revolução da Sierra Maestra, continuar a resistir, depois que abdicou a favor do irmão Raúl que, por sua vez, também já anuncia que está a preparar a sua saída.

Os dois papas não perderam a oportunidade de ver se ainda trazem aos respectivos rebanhos o carismático Fidel, assumidamente ateu, mas admirador dos cristãos “progressistas”, sejam eles católicos, ortodoxos ou protestantes. Com tantas visitas papais, a que se juntou, agora a do papa de todas as Rússias, ou Fidel mantém-se lúcido e mais sábio do que nunca, ou é bem capaz de, pelo menos, aceitar que um cardeal com obediência a um ou outro destes dois papas presida ao funeral de estado, quando a Morte entender que chegou a hora dele passar à condição de definitivamente vivente, por isso, definitivamente invisível. É só esperar para ver!

Pare de enganar e humilhar os pobres, papa Francisco! Este grito dos milhares de milhões de empobrecidos do mundo só não tem saído das suas gargantas, nem invadido Roma e derrubado os muros do Estado do Vaticano, porque todos eles são reiteradamente anestesiados por catequeses cristãs eclesiásticas e financeiras que lhes devoram as mentes-consciências, mais as do papa de Roma do que as do papa de todas as Rússias, que não se passeia tanto pelo mundo como aquele. Esta viagem do papa Francisco ao México ultrapassa todas as marcas, em engano e humilhação dos povos empobrecidos e privados de qualidade de vida, liberdade e dignidade.

É uma dor de alma ver, mesmo só pelas tvs, os povos empobrecidos sair para as ruas a saudar o papa, lá, por onde ele faz questão de passar empoleirado no seu papamóvel aberto e em velocidade moderada, bem ao modo dos Césares de Roma do passado, que faziam o mesmo perante os seus súbditos, mas então nos seus coches puxados a cavalos. São fugazes momentos que exigem das populações empobrecidas e arregimentadas para o efeito, horas e horas de espera totalmente à intempérie. Na sua pobreza estrutural e imposta, os povos empobrecidos são levados a ver no papa o salvador e o portador da paz. Rotundo engano deles. Porque o papa, com este tipo de viagens, o que pretende é reforçar o seu poder e o da Cúria romana, da qual é o chefe. Obviamente, nunca ele próprio o admitirá. Tão pouco os seus milhões de súbditos.

Depois da sua meteórica passagem pelas ruas e da sua presidência naquelas suas missas multitudinárias, puro espectáculo de ostentação do poder monárquico papal, com toda a hierarquia segregada da plebe, a seus pés, os milhares de empobrecidos que saíram, continuarão a sair ao seu encontro, voltam de novo aos tugúrios que lhes servem de casa, bem como aos seus muitos filhos crianças-adolescentes. Com uma diferença, para pior. Regressam muito mais às escuras, muito mais amargurados, muito mais desamparados, muito mais sós, muito mais empobrecidos do que já estavam. Tudo não passou de um engodo. São assim todos os messias, todos os cristos, todos os salvadores que vêm de fora.

Os empobrecidos do mundo, ou são verdadeiramente evangelizados e tomam consciência de que a salvação que buscam fora deles é dentro deles que se encontra e dispõem-se a activá-la de dentro para fora até ela se tornar movimento-tsunami político-teológico nacional-continental-mundial organizado e desarmado que derruba os poderosos dos seus tronos e despede os grandes ricos de mãos vazias, ou jamais sairão dos seus quotidianos de miséria, onde subvivem a gemer e a chorar num mundo vale de lágrimas, como sadicamente ensinam as catequeses cristãs e beatas cultivadas nos grandes santuários de Guadalupe, da Aparecida, de Fátima, e nas grandes basílicas, como a de s. pedro e de s. paulo, em Roma, naquela insultante fórmula de oração, chamada “Salvé, Rainha”.

É para que este abalo sísmico político-teológico de proporções planetárias, protagonizado pelos milhares de milhões de empobrecidos do mundo não venha nunca a acontecer, que o papa de Roma multiplica este tipo de viagens-passeios “pastorais” pelos países onde se concentra o maior número de empobrecidos. Sempre com a garantida cobertura de todos os grandes media, propriedade dos grandes ricos do mundo. Estes sabem que o sucesso destas viagens, preparadas ao milímetro, sem quaisquer riscos para o papa que as protogoniza, é também o sucesso deles e das suas economias que empobrecem cientificamente os povos das nações e os matam, como ratos.

O papa bem pode denunciar por palavras essas economias que empobrecem e matam os povos. Tais denúncias não passam de frases sonantes, absolutamente inócuas, estéreis. Porque proferidas pelo maior dos ricos, só que vestido de branco, a veste do papa poder monárquico absoluto. O que o papa nunca se atreve a denunciar – seria o seu fim – são as fés e as teologias que matam, as mesmas que justificam e canononizam as economias que empobrecem e matam os povos das nações. E tais são as fés e as teologias das religiões e dos cristianismos, também o católico romano, que o papa conhece, ensina, pratica e divulga em todas estas viagens.

Tudo no cristianismo é demasiado cruel e sádico. É esta crueldade, este sadismo que o papa de Roma, o papa de todas as Rússias, seus cardeais, bispos e párocos, e os pastores de todas as igrejas protestantes insistem em impor ao mundo, de mil e uma formas. Para que os povos das nações, nomeadamente, os mais empobrecidos e assassinados pelas economias que roubam e matam continuem a pensar que não há saída para a sua condição, a não ser através daquelas migalhas-caridadezinhas que, ocasionalmente, os grandes ricos, papas incluídos, dexam cair das suas fartas e lautas mesas. Sem nunca se chegarem a rebelar política e teologicamente contra semelhante pecado estrutural cientificamente organizado.

O que aconteceria, se os povos das nações já conhecessem-praticassem Jesus Nazaré, o  filho de Maria, a sua Fé e a sua Teologia que nos remetem para o Deus outro que nunca ninguém viu e que não mora nesses santuários de alienação e de catequeses de resignação, pois é mais íntimo a nós do que nós próprios. Sempre a querer potenciar-nos de denro para fora, para sermos sujeitos dos próprios destinos e protagonistas da história, finalmente, humana, sororal, vasos comunicantes, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades.

Enquanto esta revolução antropológica-teológica desarmada não for realidade histórica, o papa de Roma continuará, de forma cada vez mais eficaz, a enganar e a humilhar os povos empobrecidos e assassinados do mundo. Para honra e glória do seu Deus, o Dinheiro, do qual é, sem dúvida, o maior mensageiro e a maior referência. O antípoda de Jesus Século XXI.

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