Duas crianças portuguesas desapareceram na imensidão do mar, a mãe ficou viva.
Uma criança chinesa morreu no vazio entre a rua e o 21º andar. Os pais estavam no casino, agora estão de prisão preventiva.
Uma criança egípcia foi condenada a prisão perpétua. Ninguém olhou para ela. Tinha 2 anos quando estava com um grupo de pessoas que foram presas por actos criminosos. Todos tiveram a mesma pena sem serem vistos pelo tribunal, sem mostrarem identificação. Só agora olharam para o menino que tem 4 anos.
O que se passa nas nossas sociedades? Ou o que sempre se passou em todas as sociedades?
Como estão organizadas as famílias para que haja necessidade de desaparecer com as filhas, para que se deixe uma criança de 5 anos sozinha em casa, para que se prendam pessoas sem saber as suas identidades?
Para além das normas sociais os seres humanos têm normas próprias dentro das famílias e que podem ser o oposto da norma social.
Nem a sociedade, nem a família têm sido capazes de regular comportamentos disruptivos que vão do insulto ou da ameaça até à morte.
Todos os comportamentos têm as suas causas, mas nem todos os comportamentos são justificáveis.
Em nenhum destes casos houve respeito pela vida do outro, um dos valores essenciais da Humanidade.
Cada vez mais as famílias estão sozinhas e emaranhadas em diversos problemas, para os quais não arranjam solução. No entanto, muitas são as organizações vocacionadas para a defesa dos membros da família mais frágeis. Mas a fragilidade é tanta que não chegam a tempo…
Como conviver com estas situações? A sociedade divide-se entre a defesa e a culpabilização desta mãe. A sociedade apela a castigos sociais fortes. A sociedade esquece…até nova notícia na comunicação social.
As sociedades estão fragilizadas, não conseguem impor-se a directrizes que só visam os lucros económicos e não os lucros sociais.
Quando alguém fica perturbado de modo a não distinguir a relação causa efeito, quando alguém valoriza o jogo mais do que a segurança dos filhos, quando alguém condena de olhos fechados não pode haver regulação possível. Hoje estes, amanhã outros.
Enquanto escrevo este texto quantas mulheres foram assassinadas, quantas crianças foram maltratadas, quantas crianças andam de arma na mão para matar?