TRÊS RELATÓRIOS APONTAM PARA O MESMO: O FATAL DESTINO DE INSUCESSO DE QUEM TEM PAIS COM BAIXA ESCOLARIDADE por Clara Castilho

Primeiro foi a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que nos disse que Portugal era o 15.º país com maior diferença de desempenhos entre alunos de estratos carenciados e os de estratos desfavorecidos.

Depois, Conselho Nacional de Educação, depois de vários estudos, apontava Portugal como o país da Europa em que se verificava uma associação nítida entre chumbar e o baixo estatuto socioeconómico e cultural da família.

Agora, a Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC), do Ministério da Educação (ME), publicou o estudo Desigualdades socioeconómicas e resultados escolares — 3.º ciclo do ensino público geral.

http://www.dgeec.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=602&fileName=DesigualdadesResultadosEscolares.pdf

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Gráfico Jornal “Público”

“O objetivo da presente análise é medir estas disparidades de resultados de forma quantificada, precisa e o mais abrangente possível dentro da realidade nacional, procurando verificar até que ponto as desigualdades de condições socioeconómicas das famílias portuguesas se reproduzem, entre gerações, em desigualdades de desempenho escolar dos seus filhos.”

Nele se conclui que quando a mãe tem a 4.ª classe, só 19% das crianças têm um percurso limpo na escola.

No entanto, continuam “Contudo, as estatísticas apresentadas no estudo sugerem também que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável o desempenho escolar dos alunos. Prova disso é o facto dos alunos de certas regiões do país com indicadores socioeconómicos desfavoráveis, como Braga ou Viseu, terem, não obstante, indicadores de desempenho no 3.º ciclo francamente superiores à média nacional.”

Daqui decorrente, o Ministério fez questão de enumerar prioridades:

– aposta na qualificação das escolas para a identificação de estratégias locais de promoção do sucesso escolar”;

– investimento na ASE (Acção Social Escolar);

–  investimento na formação de adultos, “tendo em vista uma valorização do conhecimento pelas famílias dos alunos”.Neste relatório foram também evidenciadas boas práticas que levam a que em algumas comunidades educativas os resultados gerados contrariem o determinismo socioeconómico.

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