Surpreendeu muita gente um parecer da Moody’s que parece ter sido relativamente favorável ao OE português para 2016, já aprovado na assembleia da república na generalidade, e que se encontra agora na fase da discussão na especialidade. A famosa agência de notação financeira e as suas congéneres têm sido frequentemente citadas por defensores das políticas de austeridade no sentido de reforçar as medidas mais rigorosas que têm sido aplicadas, nomeadamente quanto a cortes de salários e benefícios sociais.
Parece desta vez haver realmente alguma inflexão em relação a atitudes passadas que a Moody’s tem regularmente tomado. Será contudo precipitado tirar conclusões no sentido de que está a mudar os princípios em que habitualmente tem baseado a sua análise. As agências de notação financeira preocupam-se sobretudo com a rentabilidade dos investimentos dos seus clientes e não com o bem-estar social das populações. O sistema político-financeiro que tem tido tão grande peso na vida mundial nas últimas décadas (e não só), e a oligarquia que o complementa, têm usado as suas análises abertamente para influenciar as posições dos vários governos, nomeadamente os dos países que parecem mais refractários a pôr em prática o neoliberalismo. Mesmo na hipótese pouco (nada) crível de que a Moody’s e as suas colegas tenham efectivamente chegado à conclusão que foram longe demais nas suas análises passadas, e queiram atender à necessidade de haver bom senso, será tarde para pensar em upgrades ou qualquer outro modo de recuperação do sistema capitalista. Olhem só para o que se passa com o sistema bancário que, de uma maneira ou outra, controla as nossas vidas, de manhã à noite.
http://www.esquerda.net/artigo/oe2016-moodys-censura-medida-imposta-por-bruxelas/41420
http://www.ft.com/fastft/2016/02/25/moodys-portugals-new-budget-is-credit-positive/

