O SUAVE MILAGRE, de EÇA DE QUEIRÓS

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Eça de Queirós Obrigado ao Projecto Gutenberg

Eça de Queirós (1845 – 1900)
Obrigado ao Projecto Gutenberg

O SUAVE MILAGRE!

Nesse tempo Jesus ainda se não afastara da Galilea e das doces, luminosas margens do Lago de Tiberíade:—mas a nova dos seus Milagres penetrara já até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país de Issachar.

Uma tarde um homem de olhos ardentes e deslumbrados passou no fresco vale, e anunciou que um novo Profeta, um Rabi formoso, percorria os campos e as aldeias da Galilea, predizendo a chegada do Reino de Deus, curando todos os males humanos. E emquanto descansava, sentado à beira da Fonte dos Vergeis, contou ainda que êsse Rabi, na estrada de Magdala, sarara da lepra o servo dum Decurião Romano só com estender sôbre êle{336} a sombra das suas mãos; e que noutra manhã, atravessando numa barca para a terra dos Gerassénios, onde começava a colheita do bâlsamo, ressuscitara a filha de Jaira, homem considerável e douto que comentava os Livros na Sinagoga. E como em redor, assombrados, seareiros, pastores, e as mulheres trigueiras com a bilha no ombro, lhe perguntassem se êsse era, em verdade, o Messias da Judea, e se diante dêle refulgia a espada de fogo, e se o ladeavam, caminhando como as sombras de duas tôrres, as sombras de Gog e de Magog—o homem, sem mesmo beber daquela água tam fria de que bebera Josué, apanhou o cajado, sacudiu os cabelos, e meteu pensativamente por sob o Aqueduto, logo sumido na espessura das amendoeiras em flor. Mas uma esperança, deliciosa como o orvalho nos meses em que canta a cigarra, refrescou as almas simples: logo, por toda a campina que verdeja até Ascalon, o arado pareceu mais brando de enterrar, mais leve de mover a pedra do lagar: as crianças, colhendo ramos de anémonas, espreitavam pelos caminhos se alêm da esquina do muro, ou de sob o sicómoro, não surgiria uma claridade: e nos bancos de pedra, às portas da cidade, os vélhos, correndo os dedos pelos fios das barbas, já não desenrolavam, com tam sapiente certeza, os ditames antigos.{337}

Ora então vivia em Enganim um vélho, por nome Obed, duma família pontifical de Samaria que sacrificara nas aras do Monte Ebal, senhor de fartos rebanhos e de fartas vinhas—e com o coração tam cheio de orgulho como o seu celeiro de trigo. Mas um vento árido e abrasado, êsse vento de desolação que ao mando do Senhor sopra das torvas terras de Assur, matara as reses mais gordas das suas manadas, e pelas encostas onde as suas vinhas se enroscavam ao olmo, e se estiravam na latada airosa, só deixara, em tôrno dos olmos e pilares despidos, sarmentos, cêpas mirradas, e a parra roída de crespa ferrugem. E Obed agachado à soleira da sua porta, com a ponta do manto sôbre a face, palpava a poeira, lamentava a velhice, ruminava queixumes contra Deus cruel.

Apenas ouvira falar dêsse novo Rabi da Galilea, que alimentava as multidões, amedrontava os demónios, emendava todas as desventuras—Obed, homem lido, que viajara na Fenícia, logo pensou que Jesus seria um dêsses feiticeiros, tam costumados na Palestina, como Apolónio, ou Rabi Ben-Dossa, ou Simão, o Subtil. Êsses, mesmo nas noites tenebrosas, conversam com as estrêlas, para êles sempre claras e fáceis nos seus segredos: com uma vara afugentam de sôbre as searas os moscardos gerados nos lôdos do{338} Egipto: e agarram entre os dedos as sombras das árvores, que conduzem, como toldos benéficos, para cima das eiras, à hora da sésta. Jesus da Galilea, mais novo, com magias mais viçosas de-certo, se êle largamente o pagasse, sustaria a mortandade dos seus gados, reverdeceria os seus vinhedos. Então Obed ordenou aos seus servos que partissem, procurassem por toda a Galilea o Rabi novo, e com promessa de dinheiros ou alfaias o trouxessem a Enganim, no país de Assachar.

Os servos apertaram os cinturões de coiro—e largaram pela estrada das Caravanas, que, costeando o Lago, se estende até Damasco. Uma tarde, avistaram sôbre o poente, vermelho como uma romã muito madura, as neves finas do monte Hermon. Depois, na frescura duma manhã macia, o lago de Tiberíade resplandeceu diante dêles, transparente, coberto de silêncio, mais azul que o céu, todo orlado de prados floridos, de densos vergeis, de rochas de pórfiro, e de alvos terraços por entre os pomares, sob o vôo das rôlas. Um pescador que desamarrava preguiçosamente a sua barca duma ponta de relva, assombreada de aloendros, escutou, sorrindo, os servos. ¿O Rabi de Nazareth? Oh! desde o mês de Ijar, o Rabi descera, com os seus discípulos, para os lados para onde o Jordão leva as águas.

Os servos, correndo, seguiram pelas margens{339} do rio, até adiante do vau, onde êle se estira num largo remanso, e descansa, e um instante dorme, imóvel e verde, à sombra dos tamarindos. Um homem da tríbu dos Essénios, todo vestido de linho branco, apanhava lentamente ervas salutares, pela beira da água, com um cordeirinho branco ao colo. Os servos humildemente saudaram-no porque o povo ama aqueles homens de coração tam limpo, e claro, e cândido como as suas vestes cada manhã lavadas em tanques purificados. ¿E sabia êle da passagem do novo Rabi da Galilea, que como os Essénios ensinava a doçura, e curava as gentes e os gados? O Essénio murmurou que o Rabi atravessara o Oásis de Engaddi, depois se adiantara para alêm…—Mas onde, «alêm ?»—Movendo um ramo de flores roxas que colhera, o Essénio mostrou as terras de Alêm Jordão, a planície de Moab. Os servos vadearam o rio—e debalde procuraram Jesus, arquejando pelos rudes trilhos, até às fragas onde se ergue a cidadela sinistra de Makaur… No Pôço de Yakob repousava uma larga caravana, que conduzia para o Egipto mirra, especiarias e bâlsamos de Gilead: e os cameleiros, tirando a água com os baldes de coiro, contaram aos servos de Obed que em Gadara, pela lua nova um Rabi maravilhoso, maior que David ou Isaias, arrancara sete demónios do peito duma{340} tecedeira, e que, à sua voz, um homem degolado pelo salteador Barabas, se erguera da sua sepultura e recolhera ao seu horto. Os servos, esperançados, subiram logo açodadamente pelo caminho dos Peregrinos até Gadara, cidade de altas tôrres, e ainda mais longe até às Nascentes da Amalha… Mas Jesus, nessa madrugada, seguindo por um povo que cantava e sacudia ramos de mimosa, embarcara no Lago, num batel de pesca, e à vela navegara para Magdala. E os servos de Obed descorçoados, de novo passaram o Jordão na Ponte das Filhas de Jacob. Um dia, já com as sandálias rôtas dos longos caminhos, pisando já as terras da Judea Romana, cruzaram um Fariseu sombrio, que recolhia a Efraim, montado na sua mula. Com devota reverência detiveram o homem da Lei. ¿Encontrara êle por acaso êsse Profeta novo da Galilea que, como um Deus passeando na terra, semeava milagres? A adunca face do Fariseu escureceu enrugada—e a sua cólera, retumbou como um tambor orgulhoso:

—Oh escravos pagãos! Oh blasfemos! ¿Onde ouvistes que existissem profetas ou milagres fóra de Jerusalêm ? Só Jeová tem fôrça no seu Templo. De Galilea surdem os néscios e os impostores…

E como os servos recuavam ante o seu punho erguido, todo enrodilhado de dísticos sagrados—o{341} furioso Doutor saltou da mula, e, com as pedras da estrada, apedrejou os servos de Obed, uivando: Racca! Racca! e todos os Anátemas rituais. Os servos fugiram para Enganim. E grande foi a desconsolação de Obed, porque os seus gados morriam, as suas vinhas secavam,—e todavia radiantemente, como uma alvorada por detrás de serras, crescia, consoladora e cheia de promessas divinas, a fama de Jesus da Galilea.

Por êsse tempo, um Centurião Romano, Publius Septimus, comandava o forte que domina o vale de Cesarea, até à cidade e ao mar. Publius, homem áspero, veterano da campanha de Tibério contra os Partas, enriquecera durante a revolta de Samaria com prêsas e saques, possuia minas na Ática, e gozava, como favor supremo dos Deuses, a amizade de Flaccus, Legado Imperial da Síria. Mas uma dor roía a sua prosperidade muito poderosa, como um verme rói um fruto muito suculento. Sua filha única, para êle mais amada que vida e bens, definhava com um mal subtil e lento, estranho mesmo ao saber dos esculápios e mágicos que êle mandara consultar a Sidon e a Tyro. Branca e triste como a lua num cemitério, sem um queixume, sorrindo pálidamente a seu pai, definhava, sentada na alta esplanada do forte, sob um velário, alongando saudosamente os negros olhos{342} tristes pelo azul do mar de Tyro, por onde ela navegara de Itália, numa opulenta galera. Ao seu lado, por vezes, um legionário, entre as ameias, apontava vagarosamente ao alto a flecha, e varava uma grande águia, voando de asa serena, no céu rutilante. A filha de Septimus, seguia um momento a ave, torneando até bater morta sôbre as rochas:—depois, com um suspiro, mais triste e mais pálida, recomeçava a olhar para o mar.

Então Septimus, ouvindo contar, a mercadores de Chorazin, dêste Rabi admirável, tam potente sôbre os Espíritos, que sarava os males tenebrosos da alma, destacou três decúrias de soldados para que o procurassem pela Galilea, e por todas as cidades da Decápola, até à costa e até Ascalon. Os soldados enfiaram os escudos nos sacos de lona, espetaram nos elmos ramos de oliveira—e as suas sandálias ferradas apressadamente se afastaram, ressoando sôbre as lages de basalto da estrada romana, que desde Cesarea até ao Lago corta toda a Tetraquia de Herodes. As suas armas, de noite, brilhavam no tôpo das colinas, por entre a chama ondeante dos archotes erguidos. De dia invadiam os casais, rebuscavam a espessura dos pomares, esfuracavam com a ponta das lanças a palha das medas: e as mulheres, assustadas, para os{343} amansar, logo acudiam com bolos de mel, figos novos, e malgas cheias de vinho, que êles bebiam dum trago, sentados à sombra dos sicómoros. Assim correram a Baixa Galilea—e, do Rabi, só encontraram o sulco luminoso nos corações. Enfastiados com as inúteis marchas, desconfiando que os Judeus sonegassem o seu feiticeiro para que Romanos não aproveitassem do superior feitiço, derramavam com tumulto a sua cólera, através da piedosa terra submissa. À entrada das pontes detinham os peregrinos, gritando o nome do Rabi, rasgando os véus às virgens: e, à hora em que os cântaros se enchem nas cisternas, invadiam as ruas estreitas dos burgos, penetravam nas Sinagogas, e batiam sacrílegamente com os punhos das espadas nas Thebahs, os Santos Armários de cedro que continham os Livros Sagrados. Nas cercanias de Hebron arrastaram os Solitários pelas barbas para fóra das grutas, para lhes arrancar o nome do deserto ou do palmar em que se ocultava o Rabi:—e dois mercadores Fenícios que vinham de Joppé com uma carga de malobatro, e a quem nunca chegara o nome de Jesus, pagaram por êsse delito cem drácmas a cada Decurião. Já a gente dos campos, mesmos os bravios pastores de Idumea, que levam as reses brancas para o Templo, fugiam espavoridos para as serranias, apenas{344} luziam, nalguma volta do caminho, as armas do bando violento. E da beira dos eirados, as vélhas sacudiam como taleigos a ponta dos cabelos desgrenhados, e arrojavam sôbre êles as Más-Sortes, invocando a vingança de Elias. Assim tumultuosamente erraram até Ascalon: não encontraram Jesus: e retrocederam ao longo da costa enterrando as sandálias nas areias ardentes.

Uma madrugada, perto de Cesarea, marchando num vale, avistaram sôbre um outeiro um verde-negro bosque de loureiros, onde alvejava, recolhidamente, o fino e claro pórtico dum templo. Um vélho, de compridas barbas brancas, coroado de fôlhas de louro, vestido com uma túnica côr de açafrão, segurando uma curta lira de três cordas, esperava gravemente, sôbre os degraus de mármore, a aparição do sol. Debaixo, agitando um ramo de oliveira, os soldados bradaram pelo Sacerdote. ¿Conhecia êle um novo Profeta que surgira na Galilea, e tam déstro em milagres que ressuscitava os mortos e mudava a água em vinho? Serenamente, alargando os braços, o sereno vélho exclamou por sôbre a rociada verdura do vale:

—Oh romanos! ¿pois acreditais que em Galilea ou Judea apareçam profetas consumando milagres? ¿Como pode um bárbaro alterar a Ordem instituida por Zeus?… Mágicos{345} e feiticeiros são vendilhões, que murmuram palavras ôcas, para arrebatar a espórtula dos simples… Sem a permissão dos Imortais nem um galho sêco pode tombar da árvore, nem sêca fôlha pode ser sacudida na árvore. Não há profetas, não há milagres… Só Apolo Délfico conhece o segredo das coisas!

Então, devagar, com a cabeça derrubada, como numa tarde de derrota, os soldados recolheram à fortaleza de Cesarea. E grande foi o desespero de Septimus, porque sua filha morria, sem um queixume, olhando o mar de Tyro—e todavia a fama de Jesus, curador dos lânguidos males, crescia, sempre mais consoladora e fresca, como a aragem da tarde que sopra do Hermon e, através dos hortos, reanima e levanta as açucenas pendidas.

Ora entre Enganim e Cesarea, num casebre desgarrado, sumido na prega dum cêrro, vivia a êsse tempo uma viuva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ela o criara para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Tambêm a ela a doença a engelhara dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada. E, sôbre ambos, espessamente a miséria cresceu como o bolôr sôbre cacos perdidos num ermo. Até na{346} lâmpada de barro vermelho, secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava grão ou côdea. No estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tam longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cosidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!

Um dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira, coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, êsse Rabi que aparecera na Galilea, e de um pão no mesmo cêsto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso Reino, de abundância maior que a Côrte de Salomão. A mulher escutava com olhos famintos. ¿E êsse dôce Rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava? O mendigo suspirou. Ah êsse dôce Rabi! quantos o desejavam, que se desesperançavam! A sua fama andava por sôbre toda a Judea como o sol que até por qualquer vélho muro se estende e se goza; mas para enxergar a claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia. Obed, tam rico, mandara os seus{347} servos por toda a Galilea para que procurassem Jesus, o chamassem com promessas a Enganim: Septimus, tam soberano, destacara os seus soldados até à costa do mar, para que buscassem Jesus, o conduzissem, por seu mando, a Cesarea. Errando, esmolando por tantas estradas, êle topara os servos de Obed, depois os legionários de Septimus. E todos voltavam, como derrotados, com as sandálias rôtas, sem ter descoberto em que mata ou cidade, em que toca ou palácio, se escondia Jesus.

A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, mais vergada, mais abandonada. E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar duma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse êsse Rabi, que amava as criancinhas ainda as mais pobres, sarava os males ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça esguedelhada:

—Oh filho! ¿e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos, à procura do Rabi da Galilea? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, desde Chorazin até ao país de Moab. Septimus é forte, e tem soldados, e debalde correram por Jesus, desde o Hebron até ao mar! ¿Como queres que te deixe? Jesus anda por muito longe e a nossa dor mora comnosco, dentro destas paredes, e dentro delas nos prende. ¿E mesmo que{348} o encontrasse, como convenceria eu o Rabi tam desejado, por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse através das cidades até êste ermo, para sarar um entrevadinho tam pobre, sôbre enxerga tam rôta?

A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:

—Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tam pequeno, e com um mal tam pesado, e que tanto queria sarar!

E a mãe, em soluços:

—¿Oh meu filho, como te posso deixar? Longas são as estradas da Galilea, e curta a piedade dos homens. Tam rôta, tam trôpega, tam triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguêm atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce Rabi. Oh filho! talvez Jesus morresse… Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O céu o trouxe, o céu o levou. E com êle para sempre morreu a esperança dos tristes.

De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãosinhas que tremiam, a criança murmurou:

—Mãe, eu queria ver Jesus…

E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:

—Aqui estou.

___________

The Project Gutenberg EBook of Contos, by José Maria Eça de Queirós

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this eBook or online at http://www.gutenberg.net

Title: Contos

Author: José Maria Eça de Queirós Release

Date: February 22, 2010 [EBook #31347]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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Produced by Pedro Saborano and the Online Distributed Proofreading Team at http://www.pgdp.net

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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