A pergunta é provocadora. Haverá, até, quem veja nela estúpida agressão a uma casta de pessoas, tidas por sagradas e acima de qualquer suspeita. Pessoas tabú que devem ser tratadas com pinças, porque da área do divino. Tocar-lhes, é uma profanação que pode custar a vida, o bom nome, a quem o faz. Os livros que usam em exclusivo são “sagrados”. Conferem-lhes poderes que os demais nascidos de mulher não temos. Falta-nos aquela aura de sagrado que só mesmo papas, bispos residenciais, párocos, pastores de igreja, imãs e outros líderes religiosos têm. São os representantes exclusivos de deus na terra. Sem eles, nem deus comunica com as populações, os povos, nem as populações, os povos comunicam com deus. É por tudo isto e muito mais que tem de se dizer que as religiões são o que há de mais absurdo à face da terra. Como absurdos são os seus funcionários, quanto mais do topo, pior. O problema é que paira sobre elas e seus chefes um pacto de silêncio que tolhe os próprios ateus. As religiões vêm já dos primórdios da humanidade, quando o Medo era o envenenado comer-respirar dos povos, e as deusas, os deuses, aterrorizadores fantasmas omnipresentes. Somos já terceiro milénio, mas tudo continua como então, sob novas roupagens-linguagens. Tudo lhes é permitido. Podem ser máfias e covis de ladrões, os seus templos-basílicas-santuários; pedófilos, os seus funcionários; mentirosas, as suas doutrinas-catequeses-teologias; hipócritas, as suas leis morais; crimes públicos, os seus cultos; anestesiantes, todas as suas falas. Podem! Ninguém lhes vai à mão. Nem sequer vemos que a Lei da liberdade religiosa é a porta larga do crime sagrado, concretamente, a continuada manipulação das mentes-consciências das populações; que o deus das religiões é o pai de todos os males; que os seus funcionários são todos agentes do Mal, travestidos de rezas e caridadezinha. Ou ignoramos que são os chefes religiosos que crucificam Jesus, o filho de Maria, o Ser Humano por antonomásia e, depois de tudo já consumado, ainda correm a converter este seu hediondo crime no maior sacrifício de redenção da humanidade? E nem assim vemos que as religiões são o absurdo dos absurdos?!
4 Março 2016

