EDITORIAL- A VERDADE

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Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda do regime nazi, disse que uma mentira mil vezes repetida passa a ser uma verdade. É uma frase, dita por um homem sinistramente inteligente, mas para o qual a verdade era um conjunto de mentiras que só eram verdade para alguns. Porque se há conceito que seja difícil consensualizar é o de verdade. Santo Agostinho dedicou ao tema, no seu Comentário aos Salmos, diz que A voz da verdade jamais emudece e Lenine afirma que a verdade é sempre revolucionária.

Ora aqui o problema consiste em definir o que é a verdade para o Goebbels, Santo Agostinho e Lenine. Aí, nessa definição, radica a verdadeira questão. Aplicando el cuento, na situação política portuguesa é praticamente  impossível encontrar uma verdade que todos aceitem – o consenso situa-se apenas no reconhecimento de que as coisas não vão bem. No seio da esquerda, todos estão de acordo em que os ideais de Abril foram traídos; a direita, com pequenas nuances, é preciso acabar com essa esperança.

De Abril, a direita saúda a liberdade – que entende como tal – o direito a «liberdades» que o salazarismo cerceava; o advento da «democracia» que dá visibilidade a indivíduos que a ditadura não aceitaria… Resumindo, a ditadura corporativista, com a PIDE, a Censura, o colonialismo, e todo o cortejo de iniquidades que o caracterizava, era menos desonesto do que esta «democracia», onde por endogamia, falta de princípios, se estabeleceu uma oligarquia que, apoiada pelo voto, simula uma seriedade que, quando se toma conhecimento de alguns episódios, nos faz rir. Onde fica a verdade?

A mentira mil vezes repetida de que o PSD é um partido democrático, transformou-se numa «verdade» – o eleitorado assim o diz, ao manter na cadeira de Belém, por dois mandatos, um ser inqualificável em termos de cidadania e ao eleger um afilhado de Marcelo  Caetano para lhe suceder. A afirmação de Lenine, implica a definição do conceito de «Revolução», volúvel como uma prostituta – servindo o Estado soviético,  mas usado por Salazar e Perón; esperemos que Santo Agostinho tenha acertado e um dia a voz da verdade deixe de ser surda e muda.

 

 

 

 

 


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