Mais uma vez, e não a última, uma criança foi morta por um homem que era seu padrasto.
Segundo as informações disponíveis e, por vezes contraditórias, o pai já não podia viver mais com o filho, este foi viver com a mãe e com o padrasto que, como diz agora a mãe, o agredia.
O filho queria um telemóvel, e não sendo bem sucedido no seu pedido, terá roubado dinheiro ao padrasto, que por isso o terá assassinado.
A semana passada foram duas meninas, esta semana um rapaz de 15 anos. E isto foi o que veio a público e o que foi mais relatado nos meios de comunicação social.
O que se terá passado por este país?
Quantas mulheres terão sido agredidas, quantas crianças entraram no hospital vítimas de maus tratos, quantos homens terão entrado nos hospitais vítimas de violência de grupo?
E mais uma vez a pergunta fica no ar: como foi possível?
A violência venceu a agressividade e esta venceu a tolerância, a compreensão entre as pessoas de uma mesma família, ou antes, de um grupo de pessoas que vivia com o mesmo dinheiro e no mesmo sítio.
Já muitos estudos apontam que as crianças que vivem com a televisão e com os jogos da net, que por sinal são violentos, agressivos, sem interacção afectiva entre os seus interpretes, essas crianças terão mais facilidade em serem violentas ou agressivas.
E os adultos? Sim, já foram crianças, na maioria dos casos filhos da violência e da agressividade, cresceram, e mesmo que o ambiente familiar se tenha pacificado, a televisão, os jornais não deixam fazer esquecer a violência na família, em grupos de diferentes identidades, religiões, ideais. O que se processa no cérebro de alguém que é violento e ou agressivo quando a televisão mostra situações reais, em directo de guerras, de atentados, de crimes; quando a televisão explora estas situações com entrevistas, em voz distorcidas, do acontecimento…
Ainda há algum pudor em mostrar a cara, em fazer ouvir a sua própria voz em situações de violência, há muito medo quando se trata de violência no seio da família, contra a mulher ou contra os filhos.
Quantos Franciscos ou Franciscas, de 15 anos, haverá a deambular pelas ruas a imaginar como arranjar dinheiro para comprar um telemóvel? Quantos haverá a deambular pelos quartos da casa a pensar se os seus pais serão capazes de os matar?!
Porque estamos a deixar que os afectos fiquem para segundo plano quando são o principal alimento de um bebé?