HOMENAGEÁMOS O PROFESSOR GERMANO F. SACARRÃO

Foi uma homenagem singela esta, a que o nosso blogue em estreita colaboração com o site TriploV hoje dá por concluída. O Professor Germano da Fonseca Sacarrão era uma daquelas pessoas a quem o muito saber não impedia o trato simples e bem-humorado. Dois dos signatários deste texto, Maria Estela Guedes e Carlos Loures, tiveram o privilégio de o conhecer, de ouvir as suas palavras onde a bondade,  a sabedoria e a boa disposição estavam sempre presentes.

Num tempo em que a mediocridade e até mesmo a imbecilidade, desde que complacentes com o défice de honestidade que se generalizou e se transformou na forma natural de triunfar, num tempo em que no nosso Pais e, não nos flagelemos, no «mundo civilizado» em geral, a regra número um é conviver pacificamente com a corrupção, em que se chama democracia  as sistemas oligárquicos, em que nas artes, nas  letras,  nas ciências, reina a vulgaridade e se deixa que um avassalador pensamento único  substitua a criatividade e que um politicamente correcto ridicularize as ideologias e se afirme que a luta de classes já não faz sentido, num tempo em que a manipulação cultural e política se transformem numa forma de impor conceitos que valorizam o carácter racional do homo sapiens, mas sufocam a nossa condição de seres humanos, faz todo o sentido para nós homenagear seres humanos de excepção, que preferiram a sua verdade à «verdade» que permite subir degraus, ocupar elevadas magistraturas, receber prémios… não se preocupando que os degraus que sobem sejam os corpos, o trabalho honrado, o sentido ético de outros.

As nossas homenagens serão prestadas a gente que os poderes reinantes preferem esquecer, pessoas como Rodrigues Lapa ou José Pedro Machado (o pai do João) que nos legaram instrumentos que permitem que saibamos usar correctamente a nossa Língua, como Luís de Albuquerque, que recusou visões desonestas da nossa História (o que fizemos de facto, honra-nos – não necessitamos de lendas), de Herberto Hélder que, sendo pobre, recusou os cem mil euros do Prémio Pessoa, atribuído em obediência a critérios que pouco têm a ver com o mérito; de pessoas como Germano Sacarrão, porque. como disse, Maria Estela Guedes. a timoneira desta homenagem, «Não nos esquecemos dos mestres e ainda menos dos bons amigos. Quando a lembrança é boa, todas as ocasiões são boas para os homenagearmos».

Maria Estela Guedes,  Clara Castilho, Lídia Rocha, Dorindo Carvalho, Manuel Simões, João Machado, Carlos Loures

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