República da Irlanda: Eleições 2016.Mais do mesmo, decepcionante. Editorial da Revista Village

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Editorial – Eleições 2016.

Mais do mesmo, decepcionante

Revista Village. Link: http://www.villagemagazine.ie/index.php/2016/02/editorial-election-2016/

Em 2011, escrevemos neste espaço, “Cada um de nós poderia pensar a partir da nossa história recente sobre algumas das mais notoriamente piores situações de governança do planeta, a partir do que aprenderíamos que as nossas classes políticas precisam de ser substituídas. Na verdade, nesta época de eleições não vemos nenhuma nova ideia “.

Infelizmente a democracia na Irlanda precisa de uma reformulação de alto a baixo tanto agora como o fez em 2011. Em Village estamos decepcionados com a qualidade da política, em todo seu espectro partidário. É facilmente diagnosticado:

O Fine Gael está aberto às políticas regressivas e ao nepotismo. No entanto, pelo menos nos seus próprios termos merece crédito porque tem consistentemente estado agarrado à sua agenda de ortodoxia económica (sem nenhuma imaginação) e porque Enda Kenny mostrou ser relativamente competente, em face do cepticismo, inclusive a partir desta revista. Em 2011, declarou: “Talvez seja um mérito exclusivo de Fine Gael que, se for eleito com um mandato, desta vez ele pode realmente governar com o total respeito pelo que afirmou na campanha eleitoral. O eleitorado será capaz de avaliar se aquele em que em votou era o que queria “. Esta edição de Village explora longamente em que dimensão é que o governo de coligação está assente e respeita o seu Programa de Governo. É um teste justo e mostra que, para além da promover da estabilidade económica, o Governo tem sido uma decepção.

O Labour certamente não tem a atracção de Fine Gael em termos de consistência. Ele nunca faz o que seus manifestos prometem. Pior ainda, alguns dos seus políticos de mais nomeada permitiram-se apareceram presunçoso e ideologicamente velhos ou mesmo, no caso de Alan Kelly, perigosos. Devido à elasticidade da sua consciência o Labour desde há muito que tem atraído o tipo errado de representantes.

Fianna Fáil está contaminado pelo seu passado imprudente e pela incoerência de sua plataforma. Ele acredita que servir o povo, a paróquia e os negócios da mesma maneira é viável. Este partido aprendeu muito pouco para além da necessidade de regular os bancos.

O compromisso de Sinn Féin a uma agenda de esquerda não é nada claro tendo em conta a sua preferência pelo nacionalismo irredentista relativamente à ideologia, o seu pragmatismo centrista no Norte e sua vontade de se unir com o Fianna Fáil. O seu desempenho a nível da autoridade local não é impressionante ou particularmente de esquerda. É elitista e ambivalente sobre a democracia e a transparência, e os seus líderes mentem sem problemas sobre tudo isto e particularmente o seu líder Gerry Adams ‘, no passado.

Renua parece ser um chip de alguma forma atraente mas de toda a maneira fora do bloco cristão-democrata de Fine Gael, com uma propensão para a conciliação.

 

A Aliança Independente (apelidada Shane Féin) é totalmente incoerente do ponto de vista político e dos seus aderentes. Se o ex-corretor da bolsa Sr. Ross e o jardineiro Michael Fitzmaurice alguma vez respiraram o mesmo ar politico se politicamente têm alguma coisa em comum, Village não consegue imaginar em quê.

Village tem uma certa fraqueza para com os social-democratas, cuja plataforma nada agressiva é ​​essencialmente a mesma do Labour , embora estranhamente mais pró-negócios, mas cuja pequena participação é mais atraente. A sua antipatia por impostos sobre a água é oportuna mas lamentável.

A esquerda radical oferece a enorme atracção da integridade e da seriedade, mas a sua oposição aos impostos sobre a propriedade é indesculpável e o seu foco na oposição aos impostos sobre a água em vez de numa larga plataforma anti-desigualdades, incluindo a oposição às posições iníquas de Nama, à corrupção e à ressurreição da classe dos promotores tem modificado a sua ideologia revolucionária.

As políticas do Partido Verde são muitas vezes radicais, e a sua agenda tem amadurecido, mas não tem mostrado uma determinação consistente e alcançou tão pouco no último governo que é difícil ser entusiasta.

Na medida em que não proporcionámos espaço nesta edição de Village às políticas e aos protagonistas da maioria destes partidos, é porque eles simplesmente não nos dizem o suficiente para os justificar aqui.

Village acredita que a igualdade de possibilidades, a sustentabilidade e a responsabilidade são as políticas mais importantes; e é difícil os irlandeses serem optimistas sobre as suas perspectivas imediatas.

As maquinações feitas no âmbito da fiscalidade são efémeras, embora a maioria dos outros meios de comunicação as abordem pouco mais.

Reflectindo a necessidade de uma visão da sociedade, bem como da economia esta edição de Village concentra-se na publicação dos pontos de vista da coligação a partir dos vários departamentos que promovem a igualdade social, a sustentabilidade e responsabilidade, embora nós tenhamos artigos de Constantin Gurdgiev, Michelle Murphy e Sinead Pentony sobre o comportamento iníquo da nossa frágil economia.

Consideramos a Educação, a Saúde, a Assistência Social, o Meio Ambiente, incluindo as alterações climáticas, a política sobre as Pequenas Empresas e a Responsabilidade. Estes departamentos levam a que as pessoas tenham gosto em viver. Nós sistematicamente avaliamos se eles alcançaram as metas fixadas pelo Governo para cada um deles quando estes assumiram o cargo.

No final, a conclusão é que eles têm um desempenho inferior ao prometido. E assim, portanto, temos de facto um Governo sem imaginação, regressivo e pesado por trás deles.

Contra este pano de fundo, nós não iremos ainda presumir que se deva aconselhar os leitores sobre qual a direcção que devem dar ao seu voto. .

No entanto, podemos dizer que os partidos não-ideológicos e não-visionários do centro pragmático mantém-se pouco atractivos mesmo quando esta falta de atractividade é atenuada por comportamentos um pouco mais reflectidos.

Uma coligação dos partidos da esquerda, da esquerda radical e dos Verdes, como sempre, favoreceria melhor a agenda de Village, embora não tenhamos dúvidas que de forma imperfeita .

Revista Village, Editorial – Election 2016- More of the same, disappointingly. Texto disponível em:

http://www.villagemagazine.ie/index.php/2016/02/editorial-election-2016/

Leave a Reply