CONTOS & CRÓNICAS – O MARCELO É UM HOMEM IMTELIGENTE – por CARLOS REIS

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Ao contrário do seu antecessor – que é uma besta, que é um imbecil e um idiota chapado, minimizado e em estado terminal, um tantan fora do prazo e do recato, um reaccionário atempado, uma desregrada, vil e desonesta personagem (além de estúpido) um ultraje à inteligência, uma coisa inaceitável e inacessível a quem pensa, reflecte e age – o Marcelo sabe estar, o Marcelo sabe ler, sabe concluir, sabe interpretar.

É um homem  culto.

Ele sabe tudo isso. Ler e interpretar as hipocrisias – mesmo (e sobretudo) as do seu ramo, paulos e portas, pedros e passos e coelhos e luíses e  montenegros e demais bardamerdosos menores que o foram abraçar e lamber – mesmo as do seu inefável Partido e arredores, que aliás conhece bem e onde nunca deixou de militar.

Ele sabe. De tudo. E mais do que quaisquer de nós,  pobre e inconsequente Esquerda, tão mal informada e ridiculamente convicta do que este bom povo é singularmente capaz – mesmo apesar das evidências e dos votos­ – ele sabe mais, muito mais do que esta mole humana que está hoje em grande parte a ouvir josés cids e outras cacas em grande, ali pela Praça do Município.

Ele sabe tudo ou quase tudo. No seu discurso de hoje falou hipocritamente de uma “Mão Invisível” que nos levou a todos a este impasse, a esta indecorosa e reles situação de afundamento económico – reiterando todavia (como o seu antecessor, como todos os seus inúteis antecessores) a nobre intenção dela sair. Sem nunca se explicar nem exemplificar tal abnegado ensejo ou simples afirmação de intenções, tão vazia como a sua eleitoral campanha o foi, bem como a de todos os seus predecessores presidentes.

É também por isso que estou com os Partidos de Esquerda do Parlamento, no seu silêncio aplauditivo, na sua expectativa descrente e a chocar nobres e ditosas personagens da Direita, que tão bem se sentem com este sossegado continuar de políticas mal conseguidas, mal explicadas e sempre afundantes da e na nossa miséria ancestral, acelerada em grande nos últimos anos, com esta Europa filha da puta e fascista.

Sou minoritário, como uma boa parte de vós. Tenho o direito democrático de não estar de comum e popular acordo com este (mais que popular) presidente da república.

Como o direito de não gostar de fado. Ou da Édith Piaf. Ou da música rap. Ou da puta que os pariu a todos.

Carlos

PS.

Tenho sorte. Não sou jornalista. Não tenho responsabilidades, regras ou decoro. Posso escrever tudo o que me passa pela cabeça, género conversa de café ou restaurante, com amigos.

Não é uma sorte?

9 de Março de 2016

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