EDITORIAL – A TERRA DA DESOLAÇÃO

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Madame Sosostris, famous clairvoyante,

Had a bad cold, nevertheless

Is known to be the wisest woman in Europe,

With a wicked pack of cards. Here, said she,

Is your card, the drowned Phoenician Sailor,

(Those are pearls that were his eyes. Look!)

Here is Belladona, The Lady of the Rocks,

The lady of situations.

(De The Waste Land, de T. S. Eliot)

 

O que se tem passado no Mediterrâneo e noutras partes do Mundo nos últimos tempos faz temer pelo futuro da Europa e não só. Aquilo que há tempos atrás parecia irreversível, como o avanço da democracia e do bem-estar, dos direitos humanos e da igualdade, afinal parece estar a ser ameaçado por todo o lado. Em vez de haver maior estabilidade, de crescer o sentimento de segurança das populações, estamos perante o contrário: cada vez há mais pessoas, por todo o mundo, que se sentem em perigo, e daí procurarem, com as suas famílias e próximos, um refúgio noutros países. E é tristemente verdade que muitas desilusões os aguardam. E que estão a ser o joguete de jogadas políticas a todos os níveis.

Uma dessas jogadas é sem dúvida a acusação de Obama a David Cameron, acusando-o de “distracção” sobre o que se passou na Líbia. Obviamente que pretende distrair a opinião pública das “distracções” da sua correligionária Hillary Clinton, secretária de estado norte-americana na altura do assalto àquele país por várias potências ocidentais, e das dele próprio. Estão a decorrer as eleições primárias para escolher os candidatos às eleições para presidente da república norte-americana, e Hillary Clinton parece ser a favorita dos responsáveis do partido democrata. A Líbia actualmente está a ser devastada por conflitos internos, muito agravados pela presença de radicais islâmicos. David Cameron teve obviamente grandes responsabilidades na infeliz intervenção no país orquestrada pelas potências ocidentais. Mas as da senhora Clinton, que se afirma como discípula de Henry Kissinger, não foram menores.

As previsões sobre uma crise a nível global não são na realidade novas. Mesmo personalidades com pouco relevo na vida política propriamente dita, em obras quase que apenas conhecidas no mundo literário, deixaram-nos imagens expressivas sobre o modo como viam o mundo evoluir, e a inquietação generalizada que previam e cada vez mais sentimos. Terá sido o caso do poeta T. S. Eliot (1888-1965), prémio Nobel da Literatura em 1948, em The Waste Land (1922), de que nos permitimos apresentar um pequeno excerto neste editorial.

Sugerimos as seguintes leituras:

 

http://www.theguardian.com/us-news/2016/mar/10/david-cameron-distracted-libya-conflict-barack-obama

http://www.theguardian.com/commentisfree/2016/mar/11/libya-barack-obama-imperialism-lite-david-cameron

http://www.poetryfoundation.org/poem/176735#

http://www.theguardian.com/commentisfree/belief/2014/apr/17/ts-eliot-waste-land-radical-text-wounded-culture

https://www.socialeurope.eu/2016/03/the-politics-of-anger/

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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