EDITORIAL: PREVER O FUTURO

Quando as armadas portuguesas e castelhanas avançavam por mares e oceanos desconhecidos, descobriam novos continentes, destruíam civilizações milenares e impunham o seu credo religioso; quando encontravam rumos mar+timos para destinos já conhecidos, na Ásia, por exemplo, tornando mais rápida a chegada de mercadorias à Europa; quando, como os Portugueses fizeram, procederam à plantação de vegetais  de uns continentes noutros, não tinham a noção de que estavam a mudar o Mundo, a pôr termo à sociedade feudal, a criar uma outra em que os mercadores assumiam um protagonismo que remetia o poder da nobreza para segundo plano.

1789 pôs em cena a burguesia

Os sans culottes imaginaram que tinham alguma coisa a ver com o assunto, mas a Revolução não lhes dizia respeito. O feudalismo acabara, mas a exploração intensiva do trabalho, a escravatura, tornaram-se uma flagelação mais desumana do que antes era imposta. A Guerra Civil americana «libertou» os escravos das plantações do Sul? Sim, deixaram de ter donos, mas passaram a ter patrões.

José Luis Sampedro, o grande humanista e sociólogo catalão, dizia que o sistema capitalista estava agonizante. Segundo a sua visão, o mundo ocidental atravessa uma metamorfose que o fará sair da ” etapa do dinheiro” que começou no século XV. Este avanço, graças, em parte, às actuais inovações tecnológicas e sociais e as suas consecuências, são algo que os capitalistas não podem entender, porque continuam empenhados em ganhar dinheiro e nada mais, porque continuam  aferrados aos seus bancos, às suas acções e aos seus títulos”.

Mas este sistema não será eterno. Os jovens que protestam, as crianças, vivem já noutro mundo. O «socialismo» chinês, mais cruel e desumanamente explorador do que o capitalismo, configuram uma sociedade diferente. Pior? Melhor? Como dizia Saramago, as utopias de hoje podem não se ajustar ao que as futuras gerações desejam. «Que fazer?» – lutar para termos o que temos de ter. Oferecemos as palavras do poeta Nicolás Guillén, uma herança do passado, dos anos 60 do século XX, para o tal tempo futuro em que, segundo Sampedro, já vivem as crianças do nosso presente.

 

 

 

 

1 Comment

  1. Numa altura em que a concentração plutocrática se torna exponencial, em que o dinheiro com que inundam os mercados e promovem bolhas financeiras precarizantes é “made out of nothing” e em que o perigo da imposição despótica de uma ‘Nova Ordem Mundial’ é cada vez mais patente e documentada, a persistência em discursos ‘marxistas’ próprios do século XIX (do tempo e condições da revolução industrial), focados nos destinos do ‘capitalismo’, e a consideração dos que conseguem emprego como ‘novos escravos’ parece-me aberrante e de uma enorme preguiça e conservadorismo intelectual,
    A utilização anhistórica do caso chinês esquece que o socialismo chinês não é escolástico nem académico e retirou 350 milhões de pessoas da estagnação rural paupérrima (com direito a uma taça de arroz/dia) criando um país industrializado capaz de se opor militarmente aos novos Imperialismos e de competir (e até afundar) a economia ‘branca’.
    Não há que prever um futuro na base de desejos descontextualizados para as ‘nossas crianças’ (que vivem no nosso futuro, como todas as crianças, sendo que o futuro que se desenha é tudo menos auspicioso. Há é que investigar as disfuncionalidades Imperiais do presente (e informação não falta) mas o DESPOTISMO que nos ameaça no século XXI é geo-estratégico (WASP, ‘Ocidental’, anglo-americano-sionista) e o problema do (des)emprego), agravado pelo avanço tecnológico, estará cada vez mais não nos conflitos com o patronato local mas na escassez e precariedade dele. O problema realmente grave actualmente reside muito menos na exploração local do trabalho pelo patronato local (que existe) mas no anonimato do capital ‘sem rosto’ das Multinacionais e pela Patronização Imperial do Mundo pela conjura WASP militarizada que rouba e mata no Médio Oriente, mundializando um confronto entre muçulmanos e ‘cruzados, que nos reconduz à Idade Média,

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