Segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde os jovens adolescentes portugueses são dos que convivem menos com os amigos.
Os adolescentes estão mais dependentes da família, o que por si só não é salutar, pois como outros estudos já provaram esta dependência não significa, necessariamente, coesão familiar.
Em casa estes adolescentes empregam a maior parte do tempo nas redes sociais, na internet e não no convívio com os pais. Saem tarde da escola porque têm uma carga horária demasiado preenchida. A sociedade inventou que os pais deviam ter horários de trabalho impeditivos de poderem estar com os filhos sem stress, sem agressividades, sem qualidade de afectos. E para isso inventou, também, a Escola a Tempo Inteiro, substituindo-se assim à família. Se por um lado muitos adolescentes têm melhor qualidade de tempo pós lectivo, pois, pelo menos, têm quem se preocupe com eles, por outro lado, é-lhes roubado o tempo de partilha com os amigos, com a família, com o lazer. Esse tempo não volta mais, fica inscrito nas suas atitudes e comportamentos.
As famílias têm os filhos resguardados dos riscos do consumo de drogas e dos comportamentos desviantes, como se estes riscos existissem só quando os filhos estão com os amigos. Estes adolescentes não são autónomos, não sabem ir sozinhos para a escola. Em casa vivem a crise universal da adolescência em frente ao computador, ligados à net, pouco falam com os pais que estão cansados do trabalho e das correrias para cumprir horários e, por isso, agradecem a falta de comunicação até que um dia o perigo está iminente.
É importante para o desenvolvimento do adolescente a construção da sua própria identidade, da sua diferença em relação à família e essa diferença faz-se com os outros, com os amigos. Mas só é salutar essa construção se baseada em diálogos e partilhas de experiência entre os pares e não, como se vê, e muito, todos e cada um “agarrado” ao seu telemóvel a jogar, a mandar mensagens e mais uma vez sem comunicarem entre eles.
Vivemos uma crise de comunicação pessoal e social. Onde começa esta crise? Em casa, na escola, no trabalho? Começa em toda a parte: em casa não converso, na escola ando de auscultadores nos intervalos, no trabalho tenho que cumprir horários incompatíveis com a minha vida familiar, na ida e no regresso falo ao telemóvel.
Por algum lado o círculo da falta de comunicação tem que romper e quando romper vai doer e todos terão que arranjar alternativas familiares, laborais e sociais para que a vida não se torne num tempo sem amor.