OS ADOLESCENTES E A COMUNICAÇÃO por Luísa Lobão Moniz

olhem para mim

Segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde os jovens adolescentes portugueses são dos que convivem menos com os amigos.

Os adolescentes estão mais dependentes da família, o que por si só não é salutar, pois como outros estudos já provaram esta dependência não significa, necessariamente, coesão familiar.

Em casa estes adolescentes empregam a maior parte do tempo nas redes sociais, na internet e não no convívio com os pais. Saem tarde da escola porque têm uma carga horária demasiado preenchida. A sociedade inventou que os pais deviam ter horários de trabalho impeditivos de poderem estar com os filhos sem stress, sem agressividades, sem qualidade de afectos. E para isso inventou, também, a Escola a Tempo Inteiro, substituindo-se assim à família. Se por um lado muitos adolescentes têm melhor qualidade de tempo pós lectivo, pois, pelo menos, têm quem se preocupe com eles, por outro lado, é-lhes roubado o tempo de partilha com os amigos, com a família, com o lazer. Esse tempo não volta mais, fica inscrito nas suas atitudes e comportamentos.

As famílias têm os filhos resguardados dos riscos do consumo de drogas e dos comportamentos desviantes, como se estes riscos existissem só quando os filhos estão com os amigos. Estes adolescentes não são autónomos, não sabem ir sozinhos para a escola. Em casa vivem a crise universal da adolescência em frente ao computador, ligados à net, pouco falam com os pais que estão cansados do trabalho e das correrias para cumprir horários e, por isso, agradecem a falta de comunicação até que um dia o perigo está iminente.

É importante para o desenvolvimento do adolescente a construção da sua própria identidade, da sua diferença em relação à família e essa diferença faz-se com os outros, com os amigos. Mas só é salutar essa construção se baseada em diálogos e partilhas de experiência entre os pares e não, como se vê, e muito, todos e cada um “agarrado” ao seu telemóvel a jogar, a mandar mensagens e mais uma vez sem comunicarem entre eles.

Vivemos uma crise de comunicação pessoal e social. Onde começa esta crise? Em casa, na escola, no trabalho? Começa em toda a parte: em casa não converso, na escola ando de auscultadores nos intervalos, no trabalho tenho que cumprir horários incompatíveis com a minha vida familiar, na ida e no regresso falo ao telemóvel.

Por algum lado o círculo da falta de comunicação tem que romper e quando romper vai doer e todos terão que arranjar alternativas familiares, laborais e sociais para que a vida não se torne num tempo sem amor.

Leave a Reply