Amo o silêncio. Ele tem os sons harmônicos que morrem nos ruídos do mundo.
Para amenizar as hora atribuladas pelo cansaço da rotina que permeia os dias, que passam, a correr no recôndito âmago do silêncio, me apraz, energiza a minha matéria biológica e estabelece um vigor espiritual recolher-me, em mim mesmo, para retomar e prosseguir a minha malfadada caminhada da vida.
Quando a harmonia sonora da natureza permanece em equilíbrio, existe o silêncio, pois tanto o homem, quanto o habitat ecológico, necessitam dos momentos silenciosos para interagirem nesse diálogo de desenvolvimento mútuo. Somente o próprio processo fisiológico da natureza quebra essa harmonia, com a brisa buliçosa que farfalha as folhas tenras das árvores, ou o trovoar da abóbada celeste, anunciando o cair das chuvas benéficas, dádivas de benesses para acalentar, no seio da terra fértil, a semente que se transformará na árvore frondosa, cujos frutos alimentarão os que dela necessitarem.
A flor, no casulo do silêncio, eclode com a pujança de suas cores firmes e fortes, para se reduzir no escaldante sol que desponta no OrienteO som estridente rasga, negligente ou inconsequente, a paz envolvida pela mudez do silêncio. Mas o turbilhão de ruídos, emanados do núcleo social, estressa e danifica nossa alma, nosso espírito, nosso emocional. (Jamais gritei. Não sei gritar e não entendo porque os humanos o fazem. Tenho um sobrinho-GUSTAVO- que quase nada diz, e, quando raramente o faz, fala baixinho. Mas a sua ausência é um berro na minha solidão).
O progresso é inevitável, mas o processo que leva a esse desenvolvimento não pode ser traumatizante ou maléfico, causando transtornos em seu desenrolar.
Saibamos extrair, dos momentos silenciosos que nos cercam, as lições que transformarão as horas da nossa vida, porque -não lembro quem disse ou quem escreveu- “entre a paz e o silêncio, existe um fio imperceptível de harmonia.”
Parabéns à “A Viagem dos Argonautas” por enriquecer sua plêiade com o nome do meu ilustre amigo Carlos Reni.