A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 5. A MOEDA CENTRAL (1/3) – OU PORQUE É QUE O BCE NÃO INJETOU 1000 MILHARES DE MILHÕES DE EUROS – por OLIVIER BERRUYER – II

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A moeda central (1/3) – ou porque é que o BCE não injetou 1000 milhares de milhões de euros

Olivier Berruyer, La Monnaie Banque Centrale (1/3) – ou pourquoi la BCE n’a pas injecté 1000 Md€

Les Crises.fr, 13 de Março de 2012

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Comentários ao texto acima:

1. Obrigado para esta atualização de matéria. O BCE desempenha aqui um papel de fornecedor de liquidez e trata-se portanto de empréstimos teoricamente reembolsáveis, a curto ou a longo prazo. É por conseguinte uma aposta sobre o futuro = a aposta de que amanhã, os bancos terão bastante liquidez para reembolsar estes empréstimos… fico a aguardar as explicações com impaciência!

2. Não, o crédito não é uma aposta sobre o futuro como se diz. De fato torna-se uma aposta sobre o presente e a prazo é uma hipoteca sobre o futuro.

3. Para transformar um crédito em hipoteca é necessário ter bases por trás de si, senão é suicidário (para o financiador)

4. O que é que isso quer dizer? Uma aposta sobre o presente, uma hipoteca sobre o futuro?

Se empresto a alguém 100 euros a serem-me reembolsados a uma data T (que é sempre no futuro, nunca no presente, nem no passado) é porque eu faço a aposta que me poderão reembolsar no futuro. No que é que isto se torna de facto uma aposta sobre o presente com uma hipoteca sobre o futuro?”

5. Se bem compreendi a questão do presente e do futuro inicialmente posta é que a hipoteca deve ser vista como sinónimo de problema para o futuro.

6. Obrigado por esta explicação. Porque é que o BCE financiou sobre 3 anos à taxa de 1% em detrimento das operações de mais curto termo que realizava anteriormente? Porque é que os empréstimos teriam podido continuar como anteriormente aumentando o volume face às necessidades atuais dos bancos mantendo ao mesmo tempo os empréstimos de curta duração.

Será para acalmar os mercados financeiros? Ou para que isso fique menos caro aos bancos (1% a 3 anos contra que taxa para uma duração curta anteriormente?)

A operação parece ter o ar de aliviar as políticas que tinham medo de um crédito crunch.

7. Obrigado por este texto. Trata-se de uma explicação bem clara.

Agora, mesmo assim 523 mil milhões, em período de quase recessão…

Ah, e já me esquecia: o que eu verifico, por conseguinte, é que o BCE está mesmo assim em vias de reestruturar a dívida dos bancos. Alongando a duração dos seus empréstimos.

Não estou certo que seja um sinal muito de boa saúde. Tanto quanto a crise deixa muitas incertezas quando às possibilidades de reembolso destes empréstimos sobre um período de três anos.

Uma solução à grega?

 

8. “O BCE empresta centenas de milhares de milhões de euros aos bancos da zona euro à taxa de 1% para empréstimos a 3 anos.

Em três anos, em Dezembro de 2014, os bancos da zona euro serão obrigados a reembolsar ao BCE estas centena de milhares de milhões de euros. Mas se não puderem reembolsar, o que fará o BCE? O BCE voltará a emprestar-lhes outras centenas de milhares de milhões de euros de modo que o sistema se possa ainda aguentar três anos, até Dezembro de 2017.

E seguida, em Dezembro de 2017, os bancos da zona euro serão obrigados reembolsar ao BCE estes milhares de mil milhões de euros. Mas se não puderem reembolsar, o que fará o BCE? O BCE emprestar-lhes-á novas centenas de milhares de milhões de euros de modo que o sistema possa ter ainda três anos, de vida até Dezembro de 2020.

E seguida, em Dezembro de 2020, os bancos da zona euro serão obrigados a reembolsar ao BCE estas dezenas de milhares de mil milhões de euros. Mas se não os puderem reembolsar, o que fará o BCE? O BCE emprestar-lhes -á novas dezenas de milhares de mil milhões de euros de modo que o sistema possa ter ainda mais três anos, até Dezembro de 2023. Etc.

E no fim, isto terminará bem.

9. Penso que o autor do texto de base … está enganado.

Ou antes: tem tecnicamente razão… e tecnicamente está errado.

Todos compreendemos. Os bancos do norte, via o BCE, deram o oxigénio aos bancos do Sul. Os depósitos dos primeiros sendo “reciclados” via o BCE nos segundos.

Balanço: empate por toda a parte, a bola ao centro. Tem razão. No entanto… pode-se raciocinar diferentemente

Se esta reciclagem não tivesse existido… os bancos do Sul teriam já falido o que teria provocado a destruição “de moeda”. Balanço: a LTRO… fez de passar da situação – à 0. Não é absolutamente neutro, penso eu!

Por conseguinte poder-se-ia dizer… que há aqui efetivamente uma forma de criação monetária (em todo caso há qui algo que impede – temporariamente a destruição monetária). Estão-me a seguir?

Mais largamente, o que me irrita nos economistas (e mesmo nos pequenos ignorantes) é que, para eles, todo este circo é “virtual”, são truques contabilísticos, são técnicas de registos contabilísticos, etc. Isto parece envolvo em fumaça estando desligado do real. Os economistas utilizam as suas estatísticas e números, e o cidadão médio desinteressa-se totalmente do problema.

Ora é necessário recordar aqui alguns factos de bom senso: sem LTRO, sem Draghi, os bancos do Sul teriam desmoronado, arrastando consigo toda a economia real, incluindo o Norte (dado que o passivo dos uns é o ativo dos outros)!

Os funcionários (ler mais concretamente “a despesa pública”) portugueses, espanhóis, italianos… que são clientes de sociedades privadas (comerciantes, industriais, etc.) … aqui está o ecossistema.

Retirem o dinheiro “público” (a dívida) como uma matéria-prima do sistema, destruam “a moeda” (falência de bancos) portanto é a economia real que se lhes segue. É o concreto.

E é o erro cometido por muitas pessoas penso. Indo mais longe, isso permite compreender a obstinação dos políticos e da maior parte dos atores que chutam os problemas para o lado: o risco é ontológico, existencial, nem mais nem menos.

Por conseguinte, haverá outras LTRO, e pouco importam mesmo os acrónimos. Mais claramente utilizarão a máquina de imprimir notas. Tentarão TUDO.

E finalmente, mandar-se-á vir a grossa Bertha, (as metralhadoras) a única coisa capaz de historicamente colocar os contadores a zero limpando os políticos: ou seja um conflito armado.

10. Pela minha parte considero este modo de funcionamento monetário como uma pura heresia. Sei que voltaremos a este tema mais tarde.

Mas considerar que por princípio que o facto de destruir as massas monetário criadas pelo crédito, salva-nos da criação monetária “dura”. Enquanto que ao mesmo tempo não se faz outra coisa senão estar a aumentar as dívidas, de maneira a tentar manter o nível de liquidez necessário para alimentar a economia real. A economia real que necessita sempre de mais e mais liquidez devido à sua evolução natural. Evolução da população mundial, crescimento substancial dos meios de produção, multiplicação das necessidades, problemas de captação e de redistribuição (armadilha da liquidez) etc.…

Resumidamente graças ao nosso sistema monetário os nossos instrumentos de produção passaram do modo de criação de riqueza à criação de dívida. O que faz com que, se integrarmos nesta análise o fator tempo, se chegue a uma equação sistematicamente impossível…

 

11. Comentário

“ Será que Guillaume Duval tem então razão, o BCE terá injetado 1.020 Md€? Não, de modo nenhum. Por uma razão bem simples: uma grande parte destes empréstimos vêm simplesmente substituir antigos empréstimos. “

Da mesma forma quero bem admitir que há nesta afirmação do texto de base uma relativa pertinência, tanto o termo “absolutamente” que foi utilizado torna a ideia do texto um tanto capciosa. Releiam os vossos clássicos: Schumpeter entusiasmava-se sobre o que viria a tornar-se o novo paradigma monetário (a moeda será merecida porque reembolsada com juros):

“Uma manufatura de moeda! O crédito, criador de moeda! Manifestamente, aí está o que abre outras perspetivas que não sejam apenas as simbólicas. Verificou-se que os fundadores de bancos do século XVII, sobretudo com os fundadores ingleses de bancos agrícolas (land-bank) e com John Law, que nos seus inícios foi um deles, puderam mesmo prever com mais ou menos clareza a teoria acima esboçada. Do que eles estiveram plenamente conscientes em todo caso, é que, para os negócios, se tratava de uma descoberta altamente prometedora: saber, que se podia fabricar ou criar moeda — e por conseguinte capital, no sentido monetário do termo. O malogro dos seus projetos — os de Law em especial — prejudicou muito a sua reputação, da mesma maneira que no século XIX ideias fundamentalmente análogas sofreram por terem estado associadas com operações bancárias extravagantes e com o malogro de projetos que funcionaram mal, sem que com isso possam ser considerados fraudulentos ou absurdos, tal como o Crédito Mobiliário dos irmãos Pereire. E, como se está longe de um princípio económico de uma instituição bancária, o tribunal da teoria não considera estes malogros como sendo admissíveis em prova. Schumpeter Joseph Aloïs, Histoire de l’analyse économique : I – L’âge des fondateurs, Gallimard, Paris, 2004 (1954, 1983), XVIII+519 p., p. 446
Desde este sonho liberal aprovado pelo seu tribunal teórico fez-se de novo rejeitar pelo tribunal da realidade. E isto por uma razão bem simples: a incapacidade de dominar perfeitamente as maturidades tão matematicamente quanto os modelos teóricos. Por conseguinte, temos hoje a criação monetária que se faz oficialmente pelo crédito, e que desaparece com o reembolso deste mesmo crédito. Pode-se, faço-o eu mesmo, desacreditar esta criação monetária como imprópria, como uma sacralização perigosa da quasi-moeda que é o crédito que não pode oscilar senão com cada vez mais força apenas sempre entre a irresponsabilidade e as cadeias de Ponzi. Acontece que neste entretempo a moeda é criada por crédito e é recreada quando chega à sua maturidade.

As pessoas sentem que os bancos degeneraram em instituições irresponsáveis, digam o que disserem os stress testes, e exprimem-se desajeitadamente sem dúvida, quando dizem que em vez reembolsar os créditos para estabilizar a situação, estes são substituídos por novos créditos. Outra forma desajeitada (mas como o diz o autor do texto acima, aqui elas não são ajudadas), as pessoas qualificam esta criação monetária, que elas julgam com razão desligada da realidade económica, como sendo “o resultado da máquina de imprimir papel-moeda, mas discutamos nós 5 minutos que seja com qualquer pessoa exclamando-se a expressão “máquina de imprimir papel-moeda”; e todos devemos reconhecer que é necessário efetivamente que todo e qualquer papel-moeda tem de ser criado em algum momento do tempo e em qualquer lugar no circuito económico, ou seja, isto assume necessariamente a forma “máquina de imprimir papel-moeda” (que exista então uma só nota que não saia da referida máquina?), e passa-se muito rapidamente às verdadeiras questões : quanto, quando, para quem, e porquê? Esta incapacidade, estou de acordo, exprime a intuição muito correta de que a criação monetária é feita não importa como.

Chega-se pois ao ponto em que se é levado a afirmar que só o crédito inicial cria moeda, mas não a sua renovação. Não é necessário abusar. É o mesmo mecanismo nos dois casos, e o alongamento das durações de refinanciamento, todos nós o reconhecemos, sugere fortemente muito fortemente que a moeda dos precedentes créditos assim renovados não tenha sido merecida uma vez que têm necessidade de uma renovação particularmente arriscada e arbitrária. Os que não tenham as suas contas junto do banco central teriam feito falência, muito simplesmente. Mas impedir que um banco entre em falência alongando-lhe o período em que detém a sua moeda não seria criação monetária simplesmente porque ela faz marchar o que tinha sido considerado como criação monetária? Absurdo!

É da culpa dos economistas liberais se a moeda e o crédito tenham andado confundidos, e a vossa explicação dada pelo texto base acima confunde pelo menos tanto quanto ela esclarece as pessoas que este liberais levaram a desligar-se do tema em análise.
Enfim, espero não ter sido descortês, e creia-me sinceramente, caro Olivier Berruyer, que tenho muita consideração pelo seu trabalho que julgo enriquecedor e que muitas retomo às vezes sobre o meu próprio blog

Cordialmente,
Jean-baptiste B

12º Comentário

Foi dito:

“Mas impedir um banco de entrar em falência alongando-lhe sempre a moeda por períodos sempre cada vez mais longos não seria da criação monetária simplesmente porque com isto se faz marchar o que era considerado como criação monetária? Absurdo!

Eu estou de acordo com Olivier, no seu texto que estamos todos a comentar, que prolongar a duração de um crédito não significa de modo nenhum que se esteja a criar nova moeda, isto significa ter de esperar mais tempo para destruir a moeda que se tinha criado.

O que diz Olivier parece-me ser evidente, sobre os 1020 mil milhões de créditos LTRO concedidos pelo BCE somente 523 mil milhões correspondem a uma nova criação monetária.

13.

O mecanismo de criação de moeda atual – que não é muito novo – faz com que estejamos numa economia de endividamento e se nós reembolsarmos todas as nossas dívidas a economia entraria em colapso

Os pontos que devem ser discutidos, mas de que se fala genericamente de raspão, seria perguntar:

– Quem decide sobre a emissão monetária

– Porquê

– Para quem

– Com que controlo

– Com que garantias

Mas nunca ninguém responde a estas perguntas, para além de nos dizerem a qualquer de nós:

a) É ao ” mercado” que cabe decidir

b) É o Estado

c) É aqueles que têm o poder de o fazer (Reserve Federal, BCE, Partido Comunista Chinês, outros)?

14. Obrigado por estes gráficos que nos ilustram a enorme mudança trazida por estes empréstimos: a duração dos créditos.

E as questões estúpidas do dia são:

– O que é que na sua opinião justifica esta extensão dos prazos de vencimento dos empréstimos.

– Além de pôr óleo sobre o funcionamento do sistema monetário, estes empréstimos não se destinam a incentivar os bancos a comprar dívida soberana a uma taxa mais razoável para os países (incluindo a Itália). Algumas taxas recentes parecem atestá-lo, e será isto verdade? E, então, em última análise será que se trata de monetização “indireta” da dívida?

 15. Obrigado, professeur Olivier. Agora é tudo bem claro!

Pergunta: os bancos comerciais colocaram e colocam, centenas de milhares de milhões, às claras nas sua s contas junto do BCE, bem mais do que os 530 milhares de milhões em questão. Isto significa então que não há nenhuma criação monetária feita pelo BCE? dado que este re-empresta a dinheiro que está nele colocado!

16. Precisão útil mas apresentação ligeiramente “enviesada”, na minha opinião.

É um pouco como explicar a diferença entre o produto bruto e o líquido

Houve 1000 de injeção bruta que se traduziu em 500 líquidos naquela data. Pode-se por conseguinte efetivamente dizer que houve inicialmente 1000 que foram injetados no sistema monetário e financeiro.

Não aprecio particularmente Duval mas penso que neste caso preciso se está a tomar uma posição errada,

17. “Pode-se por conseguinte dizer que efetivamente houve inicialmente 1000 injetadas.”

Não, e porquê?

Se um banco nos concede um empréstimo de 100.000 euros sobre um ano e no final desse ano vos concede outro empréstimo de um ano para reembolsar o primeiro não houve uma criação de 200.000 euros mas apenas 100.000 sobre uma duração de dois anos.

Alongar a duração de um empréstimo não tem nada a ver com a criação monetária.

PS: se nos puséssemos a falar “de dívida bruta” cada vez que o Estado renova a sua dívida não seriam 1600 mil milhões que deveria aos credores mas sete vezes mais. Tudo isto só viria acrescentar mais confusão e não teria nenhum sentido

18. Ou eu me engano ou está-se implicitamente a fabricar um FED, tendo como objetivo atingir os 14000 mil milhões de dívidas, com todos os países da zona euro incluídos, seguidamente dizer, bom,  anula-se a dívida de todos os países da Terra e parte novamente para uma outra ?

Os Chineses não irão gostar muito.

19. Caro Olivier,

Sim, o mecanismo de criação de dinheiro é mal compreendido, é um dos aspetos tão opaco da finança que não ajuda, nem a ver com mais clareza, nem com confiança.

Eu tenho uma pergunta a fazer-lhe: como é que aprendeu? Uma vez que é tão difícil encontrar a informação adequada sobre o assunto.

No entanto eu tenho uma objeção, mesmo que não se trate de criação “pura” de dinheiro ainda é, mesmo assim, muito ambígua…

Porque, se essas operações se multiplicam ao longo do tempo, se os empréstimos e outras operações de liquidificação se multiplicam então isso significa voltarmos à criação pura de moeda e, por outro lado, criação ou não, que diferença na prática?

Não é toda a gente que ganha com essas facilidades e isso gera inflação (matérias-primas) para os outros que delas não beneficia, exatamente como com a criação pura de papel-moeda.

E isso pode ser de outra maneira, já que estamos num sistema de monopólio de facto que é o da criação monetária (fiduciária ou escritural).

Entre “eu criei 1000” ou “eu empresto-lhe 1000 à taxa 0 e eu re-empresto este valor “ad vitam eternam” (é para esta prática que tendem os bancos centrais), confessemos que a diferença é pequena.

20. Porque, em teoria, o BCE não faz funcionar a máquina de fazer notas, pois esta é uma troca de ativos que recebe contra a liquidez que cede aos bancos. Exceto se baixa a exigência sobre os ativos trocados e isso, sim, traduz-se numa criação escondida de dinheiro.

Pelo contrário, a verdadeira criação monetária provém dos bancos privados. Até porque é a banca privada que sob reserva de uma certa proporção transferida para o BCE realmente cria papel-moeda.

21. Há criação de dinheiro (aqui 523 mil milhões) desde que o montante da moeda central aumente. Isso não se traduz necessariamente em M3, mas a base monetária obviamente, aumentou (mesmo que só se fale de “liquidez”, provavelmente por modéstia).

A criação de moeda secundária, ou bancária, é em geral (6 vezes mais importante que a criação de moeda pelo Banco Central, mas até agora nunca verdadeiramente se conseguiu forçar os bancos secundários para criarem dinheiro quando eles não têm nenhuma vontade de o fazer e também nunca se conseguiu impedi-los de criar moeda quando eles pensam que isso lhes é rentável.

Praticamente não há aqui mais nada a não ser a ideia de ” 100% de moeda banco central ” à Fisher-Allais para nos posicionarmos contra estes fenómenos divergentes que impedem a criação monetária secundária de estar fortemente ligada à criação monetária central.

22. O que vejo aqui nesta LTRO é uma corrida desenfreada para a frente feita pelo BCE, que se fecha na sua própria armadilha de liquidez. O resultado: a Europa vai ter 20 anos de recessão.

 23. Eu não sei onde é que ouviu o FED sugerir esta ideia? Deve ter sido num sonho … E, sabe, a dívida pública dos países da zona euro não tem já grande coisa a invejar à dos Estados Unidos (…)

24. Com as desventuras do BCE, o assunto que me preocupa é o Irão, sente-se que o euro e o dólar começam a estar numa situação de sufoco e os governos sabem efetivamente que uma guerra relançará a economia, mas desta vez nem a China nem a Rússia se deixarão provavelmente manipular, o que permite pelo menos temporariamente manter o status quo mas por quanto TEMPO?

25. Pode dizer-me em que é que a guerra no Afeganistão relançou a nossa economia? E a guerra da Líbia? Duas economias destruídas, é certo. Mas a única economia florescente é a da papoila e a do tráfico de droga.

E, admitindo que isso fizesse funcionar as fábricas de armamento, isso não exigiria grandes volumes de liquidez e, por conseguinte, não iria exigir que se pusesse a funcionar as máquinas de fabricar papel-moeda. Por outras palavras, não iria financiar a guerra pela inflação.

De toda a maneira quer seja sobre o plano humanitário, económico e financeiro, a guerra seria a pior das soluções.

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