A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 5. A MOEDA CENTRAL (3/3) – OU PORQUE É QUE O BCE AINDA NÃO UTILIZOU “A MÁQUINA DE FABRICAR NOTAS” – por OLIVIER BERRUYER – V

Falareconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota. Revisão de Flávio Nunes.

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A Moeda Central (3/3)- Porque é que que o BCE ainda não utilizou “a máquina de imprimir notas?”

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Olivier Berruyer, 0340 La Monnaie Banque Centrale (3/3) – ou pourquoi la BCE n’a pas utilisé “la planche à billets”

Les-Crises.fr, 16 de Maio de 2012

(CONCLUSÃO)

Comentários a esta terceira parte:

(conclusão)

23. Bruno L

Embora esteja   globalmente de  acordo com a apresentação de Olivier,  não tenho porém a  certeza se entendi onde é que ele quer chegar .

Dizer que a moeda banco central (escritural ou “fiduciária”) serve  principalmente (mas não só) no circuito  banco central – bancos secundários é uma realidade, efetivamente ensinada logo  no primeiro ano.

Dizer que as famosas reservas teóricas são irrelevantes porque  não são elas que  limitam  a emissão de moeda secundária (isto é, moeda bancária, mas, shhh, Olivier não quer que se fale assim) também é verdade.

dizer que a emissão monetária não tem nenhuma ligação imediata ou obrigatória com o crédito à economia também é verdade, apercebemo-nos  que (na verdade a relação seria talvez inversa,  é a procura de empréstimos e a concessão de empréstimos pelos bancos que pode levar o Banco Central a emitir  dinheiro).

E então?

As verdadeiras questões são sobre uma  outra coisa, na minha opinião.

 

a) Porque é que o BCE fez uma injeção bruta de 1,02 milhão de milhões, uma injeção líquida de 523 mil milhões: é-nos dito que é para reduzir, ou ocultar, o risco de insolvência dos bancos secundários. Porque é que se faz isso, quem é quem o poder de o fazer,  e será isto  eficaz  e quando é que se verão resultados …

 

b) Como é possível emprestar a 3, 5 ou 10% a um país (indiretamente, em qualquer caso, uma vez que os bancos secundários, são fornecidos a 1%) quando o crescimento esperado será zero ou até mesmo negativo, para a maioria destes países?

 

c) Que valem as promessas de pagamento dos bancos em face destes empréstimos do BCE

 

d) Problemas de liquidez para os bancos será que desapareceram ?

 

e) A quem aproveita o crime

 

f) Estas dívidas, será necessário assumi-las como disse o nosso célebre  obcecado nacional. Quem vai pagar. Os credores (os menos maldosos,  aqueles que não serão descartadas no momento), as empresas, as famílias, os contribuintes, os  “estrangeiros”, os nacionais, outros “idiotas”, um pouco toda a gente. Em que é que as  manipulações do BCE vai mudar alguma coisa?

Eu, pessoalmente, tenho  algumas ideias  – não necessariamente “perspicazes” – sobre todas estas questões

24. Askarine

Há  mesmo assim  uma possibilidade para que os bancos se ponham  a emprestar aos  agentes privados. Isto  exigiria que os organismos financiem  a custo muito baixo (a  dívida pode sempre ser renovada ) que haja políticas de estímulo muito forte dos Estados, estes a retransmitirem este maná financeiro para os seus agentes privados. O resultado seria uma nova capacidade de endividamento dos agentes privados junto dos  bancos. Eis pois  como é podemos criar valor artificialmente e relançar a máquina. É claro, a contrapartida seria a prazo uma inflação, depois uma  hiperinflação porque vivemos em um mundo finito e algumas moedas irão manter muito  pouco valor real. De modo mais geral, o nosso sistema monetário precisa mesmo de ver a sua oferta de  moeda a crescer indefinidamente por causa dos juros se é que ele  não venha a conhecer  a deflação (o que não é bom nem para os bancos nem para os políticos.)  Durante  algumas décadas, para o Ocidente, o crescimento existiu, depois escolheu-se a via do endividamento durante muito tempo  para que este  se torne enorme  e que começamos a atingir certos limites  ( seria  também necessário um  enorme crescimento para eliminar  a atual  situação de endividamento). Será      que acreditam  que o sistema vai chegar  aí? Bem, eu posso estar errado, mas acho que é possível que os seus agentes (bancos e políticos) irão continuar mas numa nova fase: a criação de falso  crescimento, de falso valor,  (ETF’s, shadow banking,  dívida subprime, endividamento  contínuo,  … ). E, repare-se, esta frase já começou. Criar moeda, isso não é  criar verdadeiro valor  e verdadeiro  valor será cada vez menos! Em síntese,  eu acho que se nós deixarmos a lógica económica tranquila, podemos ver acontecer o desencadear de  um enorme tsunami deflacionista. Se os atores do sistema continuarem  na lógica que era a deles até à data (2012), corre-se o risco de sermos levados à inflação, à  hiperinflação. Desejo   boa sorte e boa noite!

25. Georges Clémenceau

A LTRO é quando tu és um   banco que tem  dificuldades de liquidez porque os teus clientes  levantaram o dinheiro e levaram-no para a Suiça e ainda por cima o nosso  Estado requer que o banco  compre os seus títulos do tesouro podres  e que tu tens no teu balanço créditos igualmente podres concedidos ao teu Estado, a outros Estados ou às regiões tudo igualmente insolvente, etc.

Então irá ver Super Mário no dia da distribuição, vai-lhe  entregar   um pacote destes  créditos podres  (mas bem escolhidos porque ele conhece a música, o Mário) em troca e, dependendo da cota dos teus títulos, Mário  irá então colocar o  dinheiro disponível na tua sua conta no BCE, faz-te depois  pagar 1% de juros  e tu e  o teu banco têm três anos para pagar e levantar os teus  títulos podres.

Simplissimo, não?

Há aqui,  mesmo assim,  um pequeno problema:

Se durante estes 3 anos, o valor desses títulos ainda descer mais, Mário vai reivindicar a diferença (que é chamado o reforço  de margem) e aí,   será necessário pagar em moeda banco central  em dinheiro ou trazer então mais uns títulos podres.  ..

* Muitas empresas na Europa têm abundância de dinheiro porque os seus negócios vão bem, de momento, mas cuidado, em vez de deixar esse dinheiro nos seus banqueiros (vários para dividir o  risco) em contas de depósito, a prazo, compram títulos do tesouro alemão ou suíço ou ainda do FED, que são conhecidos pela sua solvabilidade.

26. Bruno L

De facto, a possibilidade de  criar  moeda secundária, devido ao aumento da moeda banco central  é apenas uma virtualidade,  uma possibilidade.

Os bancos secundários não estão às ordens do BCE ( será antes o  contrário  desde  há décadas), e é aqui  que está  todo o problema.

Quando a base monetária aumentou (523 mil milhões), mas que permanece mais ou menos inativa – ou seja, que ela não conduz nem a um aumento dos créditos concedidos nem a um aumento das  trocas  na economia real – não podemos dizer estritamente falando, que nós fizemos funcionar a máquina de imprimir  dinheiro . Mas talvez seja, aqui também, um argumento “capcioso”

27. Christ

Eu continuo a pensar que está enganado.

O seu erro? Macro.

Olivier referiu-se  a que são  os bancos italianos e espanhóis … que compraram o novo papel podre do respetivo soberano.

Aqui está a sua peculiaridade: ao nível macro, vemos 800 bancos da zona do euro que chupam o BCE, e que o dinheiro “volta” em depósito para junto dno BCE. Formidável. Um simples jogo de registos em contas de bancos.

Mas, em detalhe, nem todos estão ao mesmo nível.

Primeiro problema.

Segundo problema: como é que nos explica  no caso italiano e espanhol que  não há criação monetária?

– Banca espanhola serve-se da LTRO do BCE. Ele contrai um  empréstimo de  20  mil milhões.

– Este  Banco então adquire novas emissões de papel no Estado Espanhol

-O Tesouro espanhol … utiliza então “realmente” concretamente, este  dinheiro!

O Olivier concentrou-se  no sector privado, isso é um erro. É claro que os bancos espanhóis e italianos não andarão a  divertir-se a  emprestar a pessoas físicas para comprar (até o momento) o imobiliário ou a  empresta-lo às PME. Os bancos não  são loucos!

Mas nunca foi esse o objetivo  da LTRO.

O principal objetivo da LTRO é o financiar pela banda (de maneira dissimulada, envergonhada) os PIIGS  através de bancos privados que são “forçados” (contrato faustiano) a comprarem  as novas emissões soberanas.

Há também da sua parte, um tremendo cinismo… mais um banco  nacional se enche de  papel de seu soberano, mais este banco se torna grande demais para falir …. Belo seguro  para o futuro …

E essas emissões são essenciais, em primeiro lugar, porque as renovações de dívidas são muito importantes para a Itália em particular em 2012 … e para pagar despesas correntes.

Simplesmente isto.

É claro que o sistema é delirante, e irá acabar mal . Mas, por enquanto, ele funciona. Trata-se de ganhar  tempo. Mas é necessário  repeti-lo: a sua análise contabilística não  leva em conta (se ouso dizê-lo) a realidade.

Este dinheiro fresco, via as emissões, que chega  (quando ele não deveria aí chegar ) aos  cofres do Tesouro italiano e do tesouro espanhol não é virtual.

Graças a ele, esses estados pode manter-se  a pedalar. Caso contrário, eles iriam parar, e a bicicleta cairia.

Veja-se o artigo de El País  :

La banca española acapara la mitad del crédito solicitado al BCE en febrero

Las entidades piden 152.000 millones para invertirlos en deuda pública y en sus vencimientos

“La cifra es preocupante”, dicen los expertos

Madrid 14 MAR 2012 – 23:08 CET

La banca española acaparó en febrero prácticamente la mitad del crédito concedido por el Banco Central Europeo (BCE), ante la sequía que atraviesa el mercado mayorista de financiación. Según informó este miércoles el Banco de España, el recurso de las entidades a la ventanilla extraordinaria de liquidez del organismo que preside Mario Draghi alcanzó de media los 152.400 millones de euros, lo que equivale al 47% del total de la deuda pendiente de devolver al BCE por todos los bancos del Eurosistema. Tanto este porcentaje como el volumen total de dinero prestado suponen dos máximos históricos y superan, con mucho, al peso de España en el sector europeo, del 14%. Este dinero se cobra al 1%.

Además, con vistas al futuro, la cifra seguirá subiendo, ya que estos datos no reflejan el impacto de la segunda subasta extraordinaria a tres años del BCE, realizada el 29 de febrero y con la que repartió 529.000 millones entre 800 bancos. Entre esta y la primera barra libre de liquidez de diciembre, las entidades españolas se hicieron con 200.000 millones. No obstante, parte de esta es la cantidad se ha devuelto al propio BCE para amortizar créditos anteriores que tenían los bancos. Según UBS, dos de las 3 entidades que más dinero han solicitado eran españolas: Santander y Bankia.

Además de la cantidad, el otro dato realmente preocupante es que la banca española solo depositó en el BCE unos 19.000 millones. Es decir, los españoles solo dejan el 12,5% de lo que piden. El conjunto de las entidades europeas depositan mucho más dinero. Esto supone que la banca española ha destinado 133.000 millones a invertirlos en deuda pública española y en sus propios vencimientos porque el crédito a la economía sigue cayendo. Este año tienen que atender deudas pendientes por 131.000 millones.

Joaquín Maudos, profesor de Análisis Económico de la Universitat de Valencia, apunta: “Se dice que no hay estigma en acudir al BCE porque han ido 800 bancos a la ultima subasta, pero acaparar el 47% del eurosistema es un estigma para la banca española y que demuestra que hay serias dificultades para financiarse en el mercado mayorista. Este dato deteriora la imagen exterior de la banca española”. Además, Maudos recuerda que la deuda publica ha crecido un 21% en los balances bancarios en diciembre 2011 respecto al 2010, “lo que demuestra que la liquidez del BCE no llega a la economía”.

Como apunta José Luis Martínez Campuzano, estratega jefe de Citigroup, para las entidades es más rentable invertir en deuda pública, con la que pueden obtener alrededor del 3,5% de interés.

Claudio Ortea, director de inversiones del banco suizo Lombard Odier, añade que pese a que la banca pide estas cantidades tan altas al BCE, “aun mantiene ofertas de depósitos al 4%, lo que indica que sigue necesitando más liquidez, aunque sea cara. Es otra señal de la poca credibilidad del sistema financiero. No volverá el crédito de los mercados mayoristas hasta que se reestructuren completamente los balances”.

La banca española solo depositó en el BCE unos 19.000 millones, el 12,5% de lo que piden

Juan Luis García Alejo, director de Inversis Gestión, señala que las subastas del BCE son un buen reflejo de los sistemas financieros en dificultades, “el italiano y el español. No hay duda de que las entidades aprovechan este dinero para ganar margen financiero invirtiendo en deuda pública”.

Algunos expertos piden medidas para desincentivar que los bancos dejen el dinero en el BCE, por el que solo reciben un 0,25% de interés, y lo presten a familias y empresas. “Habría que bajar los depósitos a un tipo del 0% para que no se inmovilicen más de 800.000 millones”, comenta Maudos.

La dependencia entre la banca española y el BCE llegó ayer al Congreso. El presidente del Gobierno, Mariano Rajoy, reconoció que las medidas extraordinarias del BCE son “extremadamente importantes” y un “gran alivio” para garantizar la liquidez con vistas a recuperar el crédito, algo “imprescindible” cuando se pretende reactivar la economía.

O jornal confirma a fraude gigantesca. Os bancos espanhóis não re-depositaram o dinheiro da LTRO junto do  BCE !

As somas são surpreendentes e vão  diretamente para os cofres do Estado espanhol!

Então, podemos discutir os termos até ao infinito, mas trata-se,  seguramente, de  um mecanismo de “criação de moeda”. Temos de sair do sistema de contabilidade de dupla entrada.

28. Askarine

Obrigado pela informação, eu concordo, porque se os bancos não financiarem  os estados, é o colapso deflacionista  quase que garantido. Ao fazê-lo, eles estão a comprar  tempo e é por isso que eu acho que o BCE vê isso como uma coisa boa. De toda a maneira, na minha opinião, os ativos dados como colateral  nunca serão recuperados pelos bancos. Por fim, poderemos depois correr o risco de nos encontramos a muito longo prazo  perante o muro da hiperinflação em vez do da  deflação … bem, isso é apenas a minha opinião. Boa noite.

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Ver o original em:

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Para ler a Parte IV de A Moeda Central (3/3)- Porque é que que o BCE ainda não utilizou “a máquina de imprimir notas?”, publicada ontem em  A Viagem dos Argonautas, vá a:

A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 5. A MOEDA CENTRAL (3/3) – OU PORQUE É QUE O BCE AINDA NÃO UTILIZOU “A MÁQUINA DE FABRICAR NOTAS” – por OLIVIER BERRUYER – IV

 

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