“Fuga sem precedentes” expõe os criminosos negócios financeiros de algumas das pessoas mais ricas do mundo – Texto de Zero Hedge III

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

“Fuga sem precedentes” expõe os criminosos negócios financeiros de algumas das pessoas mais ricas do mundo

Texto de Zero Hedge

 

(conclusão)

No meio da mais vasta cooperação em termos dos media até agora realizada, os jornalistas que trabalham em mais de 25 idiomas analisaram de forma muita aprofundada o funcionamento interno e os próprios trabalhos de Mossack Fonseca e estabeleceram as negociações secretas de clientes de todo o mundo com esta firma de advogados. Estes jornalistas partilharam informações e apanharam documentos gerados a partir destes ficheiros usando ficheiros de empresas, registos de propriedade, prospectos financeiros, registos judiciais e entrevistas com especialistas em lavagem de dinheiro e com as polícias judiciárias.

Os repórteres no Süddeutsche Zeitung obtiveram mesmo milhões de registos de uma fonte confidencial e que partilharam com outros jornalistas e outros parceiros na comunicação social. Os meios de comunicação envolvidos na cooperação não pagam os documentos.

Antes de Süddeutsche Zeitung ter obtido esta documentação as autoridades fiscais alemãs tinham já comprado um pequeno pacote de documentos vindos da Mossack Fonseca através de um informador, um movimento que desencadeou os ataques na Alemanha no início de 2015 à volta da questão. Este conjunto menor de ficheiros tinha sido oferecido às autoridades tributárias no Reino Unido, nos Estados Unidos e noutros países, segundo fontes bem informadas sobre esta matéria.

O maior conjunto de ficheiros obtidos pelos organismos da comunicação social permite que se obtenha mais do que uma fotografia instantânea sobre os métodos de trabalho de um escritório de advogados ou um catálogo dos seus clientes mais recomendáveis. Com estes ficheiros permite-se obter uma visão de longo alcance sobre uma indústria que tem trabalhado de modo a poder manter ocultas as suas actividades – e oferece pistas para uma melhor compreensão das razões que têm levado a que os esforços desenvolvidos tenham falhado.

A investigação durou um ano e foi coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), que trabalhou com centenas de jornalistas de outras organizações dos media mais importantes do mundo incluindo o programa Four Corners da ABC.

O que os jornais revelam é o funcionamento interno de uma indústria global de escritórios de advogados e de grandes bancos que vendem o sigilo financeiro para aqueles que o podem pagar.

Os resultados ICIJ incluem provas de que:

há empresas offshore ligadas à família do líder máximo da China, Xi Jinping, bem como à do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, que tem posicionado ele próprio como um reformador num país abalado pelos escândalos de corrupção

há 29 multimilionários que constam na lista das 500 pessoas mais ricas do mundo da revista Forbes

O primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson e sua esposa secretamente possuíam uma empresa offshore que detinha milhões de dólares em obrigações bancárias islandesas durante a crise financeira do país

Amigos do presidente russo Vladimir Putin terão secretamente movimentado qualquer coisa como $2 mil milhões através dos bancos e de empresas de fachada

São conhecidos novos detalhes sobre as transacções offshore feitas pelo falecido pai do actual Primeiro-ministro inglês, David Cameron, um líder da defesa da reforma dos paraísos fiscais.

  • há empresas offshore controladas pelo primeiro ministro de Paquistão, pelo rei de Arábia Saudita e pelos filhos do presidente de Azerbaijão •

  • há 33 pessoas e empresas colocadas na lista pelo governo dos E.U. devido à existência de provas de negócios feitos e relações havidas com barões mexicanos da droga, com as organizações do terrorista como Hezbollah ou com nações párias como a Coreia do Norte

  • os clientes incluem organizadores de esquemas de Ponzi, os barões da droga, os organizadores de esquemas de fugas aos impostos e pelo menos uma pessoa que já esteve presa por agressão sexual

  • a estrela de cinema Jackie Chan teve pelo menos seis empresas geridas através da empresa de advogados

Os dados agora disponíveis permitem uma visão nunca antes vista e por dentro do mundo offshore – proporcionando ter uma boa visão sobre o dia-a-dia, sobre década a década, da forma como o dinheiro escuro flui através do sistema financeiro global, alimentado o crime e esvaziando os Tesouros nacionais das receitas fiscais.

A maioria dos serviços que a indústria offshore fornece são legais se utilizados no respeito da lei. Porém, os documentos mostram até onde é que muitos indivíduos vão, para além da lei, para esconder quem são os verdadeiros donos das empresas.

Mossack Fonseca oferece serviços extras em que também pode fornecer “os chamados testas de ferro”, nomeados como accionistas, para actuarem como administradores ou, até mesmo, como sendo os proprietários das ditas empresas de fachada e assim esconder os respectivos titulares. Isso pode fazer com que seja extremamente difícil para as autoridades tentarem investigar sobre a lavagem de dinheiro ou em quererem seguir a trajectória do dinheiro através de redes complexas de contas offshore.

A empresa trabalhava com mais de 14.000 ‘intermediários’ em nome dos clientes

Uma análise do ICIJ aos arquivos agora disponibilizados levou a descobrir que mais de 500 bancos, as suas filiais e ou as suas representações tinham já trabalhado com Mossack Fonseca desde o início da década de 1970 para ajudar os clientes a gerirem as empresas offshore.

Em síntese. os ficheiros indicam que Mossack Fonseca trabalhou com mais de 14.000 bancos, escritórios de advogados, promotores imobiliárias e outros intermediários para criar empresas, fundações e trusts para os clientes.

Os documentos mostram que estes jogadores em offshores não estão frequentemente a satisfazer as exigências legais de se assegurarem que os seus clientes não estiveram envolvidos em empresas ilegais, na sonegação de impostos ou envolvidos na corrupção política.

Mossack Fonseca diz que os intermediários são os seus verdadeiros clientes, não os clientes que eventualmente utilizam empresas offshore. A empresa diz que são estes intermediários que fornecem as camadas adicionais de supervisão na análise dos novos clientes. Quanto aos seus próprios procedimentos, Mossack Fonseca diz que excedem frequentemente “as regras e os padrões existentes a que nós e os outros estamos obrigados.”.

Mossack Fonseca oferece datação retroactiva de documentos

Os arquivos agora disponibilizados mostram que a empresa regularmente também se oferece para datar retroactivamente os documentos para ajudar os clientes a obter vantagens nas suas transacções financeiras. Era tão comum que numa troca de emails a partir de 2007 se mostra os seus empregados a falarem em estabelecer uma estrutura de preços – os clientes pagariam US $ 8,75 para cada mês a mais retroactivamente quando um documento da empresa tivesse que ser retroactivamente datado.

Numa resposta escrita a uma pergunta do ICIJ e dos seus parceiros dos meios de comunicação, a empresa disse que “não incentivava nem promovia actos ilegais”.

“As vossas alegações de que nós fornecemos accionistas com as estruturas supostamente concebidas para ocultar a identidade dos verdadeiros proprietários é completamente não apoiada em factos e é falsa “, disse a empresa.

A empresa acrescentou que a datação retroactiva “é uma prática bem fundamentada e aceite”, que é “comum no nosso ramo a e o seu objectivo não é para cobrir nem ocultar actos ilegais”.

A empresa disse que não poderia responder a questões sobre clientes específicos devido à obrigação de manter a confidencialidade dos clientes.

* * *

Há muito mais em todo o conjunto de publicações no site do ICIJ. No entanto, espantar-nos-íamos se alguma acção for tentada contra qualquer destes criminosos que simultaneamente são algumas das pessoas mais ricas do mundo e são homens políticos dos mais poderosos e afinal, são aqueles que estabelecem as regras.

* * *

Finalmente, para aqueles que se interrogam porque é que não há nenhum nome proeminente dos Estados Unidos na lista dos papéis do Panamá, digamos que a razão desse facto pode ser encontrada no registo dos nomes das instituições com fins não lucrativos que apoiam no financiamento o trabalho do ICIJ. Lista disponível em:

https://www.icij.org/about

Recent ICIJ funders include: Adessium Foundation, Open Society Foundations, The Sigrid Rausing Trust, the Fritt Ord Foundation, the Pulitzer Center on Crisis Reporting, The Ford Foundation, The David and Lucile Packard Foundation, Pew Charitable Trusts and Waterloo Foundation.

E, por fim, na parte de baixo do sitio do Panama Papers disclosure  nós encontramos dois nomes famosos, muito famosos mesmo, o Open Society que é como todos nós sabemos, um outro nome para George Soros e encontramos igualmente a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, de sigla USAID.

5

Mais precisamente o fundo da página indica :

6

Finalmente devemos lembrar que como Bloomberg relatou no início deste ano , o maior e mais desejado novo paraíso fiscal é precisamente os Estados Unidos .

The World’s Favorite New Tax Haven Is the United States

Moving money out of the usual offshore secrecy havens and into the U.S. is a brisk new b

7

Jesse Drucker, Bloomberg Businessweek. Texto disponível em: http://www.bloomberg.com/news/articles/2016-01-27/the-world-s-favorite-new-tax-haven-is-the-united-states

O texto foi obtido no sítio Zero Hedge.

Zero Hedge, “Unprecedented Leak” Exposes The Criminal Financial Dealings Of Some Of The World’s Wealthiest People. Texto disponível em: http://www.zerohedge.com/news/2016-04-03/unprecedented-leak-exposes-criminal-financial-dealings-some-worlds-wealthiest-people

 

“Fuga sem precedentes” expõe os criminosos negócios financeiros de algumas das pessoas mais ricas do mundo – Texto de Zero Hedge II

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