CONTOS & CRÓNICAS – «PEQUENOS TEXTOS INTIMISTAS » – por Carlos Reni da Silva Melo

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Ainda sou escravo dos teus olhos, que continuam provocando o meu desespero por tanto, tanto tempo. is!

 Tento rebelar-me, agora. Quero a minha liberdade, voltar á vida antiga, deixar de ser um robô, apenas mais um brinquedinho teu, que lembras ou usas quando quer, apenas um capricho que manténs por que?

 Já não suporto mais este sentimento.

 

 Que raios, que diabos faço, ainda te amando? Tu, que sequer nota a minha presença, mesmo que ela complemente a tua sombra? 

 Estou com a cabeça nas mãos. Escrevo muito, então, mas todas as primeiras letras de cada palavra que inicio, me sugerem rabiscar teu nome, que, sempre como te disse, é eufônico (soa bem) e é tão simples.

Falta-me o sono.

Não quero andar sem ti, pois meu coração bate sem dona e o ar me queima quando respiro. Procuro entender quem sou. Estou perdido.

Ouço tambores rufando e cornetas tocando, anunciando a minha despedida. E estão demasiadamente perto, pois, a cada dia, o volume do som, como numa tétrica canção, me parece mais alto!

Devo estar sendo chamado para o Oriente Eterno, para os Felizes Campos de Caça dos índios americanos, ou para o Grande Silêncio, onde Manitu me espera, para, enfim, desfrutar a felicidade que aqui não mereci.

Esforcei-me para manter-me vivo, até agora, para não ser egoísta, pois ainda sou útil e muitos precisam de mim, mesmo estropiado. Mas não quero protelar a minha partida.

Estou cansado.

 

3 Comments

  1. Crônica que me parece estar ligada a sua história de vida, talvez! Digo, talvez, porque o passado costuma deixar marcas afetivas – que, por vezes, não as identificamos no nível consciencial. Mas, lá estão elas – adormecidas num cantinho escondido do coração – esperando o momento certo de aflorarem. Saem com a força de um vulcão, mas espargem com intensa brandura – sentimentos nobres, de profunda emoção. Transbordam em beleza, ao serem colocadas numa página de papel e cativam os leitores. O sentimento até então contido… agora está liberto. Foi assim que percebi! Linda crônica…Parabéns!

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