CARTA DE VENEZA – VENEZA E AS LÍNGUAS – por Vanessa Castagna

carta de veneza

Pelo número avultadíssimo de turistas vindos das sete partidas do mundo, é inevitável que Veneza se pareça hoje com uma labiríntica Babel e pouco à altura da situação se encontram os venezianos, mesmo os que trabalham na área da restauração, da hotelaria ou do turismo em geral. Se é verdade que, no seu conjunto, os italianos não primam por competências linguísticas (como vários estudos a nível europeu têm patenteado), os venezianos parecem especialmente radicados no seu pequeno território e, na sua maioria, no trato quotidiano raramente abandonam o dialeto veneziano em prol de um italiano inevitavelmente marcado por traços regionais. O orgulho local também passa por uma certa resistência perante a avançada dos idiomas dominantes.

Pouparemos ao leitor desta carta um extenso inventário de mal-entendidos a que já assistimos – nem sempre involuntários, aliás, porque às vezes a pressão é tanta que o turista suscita apenas irritação –, com o resultado bastante comum de pobres estrangeiros carregados de malas desmedidas a vaguear desesperadamente a altas horas, à procura de um hotel cujo endereço não sabem descodificar.

Nesta situação generalizada de aparente desinteresse pelos idiomas alheios, não deixa de surpreender a iniciativa que acaba de ser lançada pela SAVE, a sociedade que gere o aeroporto de Veneza, em colaboração com um operador turístico da região: a partir de hoje, 16 de maio, e durante um mês os passageiros na áreas das partidas poderão aproveitar a espera para aprender gratuitamente algumas noções básicas de inglês, assistindo a aulas de 25 minutos ministradas por uma pessoa qualificada. Por enquanto o serviço é oferecido três dias por semana, de forma experimental, com a possibilidade de vir a aumentar a oferta no caso de esta atividade ser bem-sucedida.

Os participantes receberão o material de apoio necessário e, embora nesta primeira fase as aulas se destinem a dar a formação mínima para encarar os momentos típicos de uma viagem (check-in, controlos de segurança, pedir informações sobre transporte do aeroporto para o hotel e afins), a ambição é que futuramente os frequentadores do aeroporto possam reservar com antecedência a aula, solicitando a abordagem de temas específicos, por exemplo como comunicar apropriadamente numa viagem de negócios. Se o tempo escasseia, um fast-food linguístico é melhor do que nada.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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