EDITORIAL – A ÚLTIMA SEMANA DA I REPÚBLICA

logo editorialEm 21 de Maio de 1926, a I República começava a viver os derradeiros dias da sua existência. Daí por uma semana, uma coluna militar saía de Braga, sob o comando do general Gomes da Costa, e desceria triunfalmente até Lisboa onde seriam implementadas medidas que, na prática, equivaliam ao derrube do regime republicano e impunham uma ditadura que iria manter-se no poder  por 48 anos. Desde 1880, quando das comemorações do III centenário da morte de Camões, os republicanos preparavam a implantação do regime republicano; o movimento cresceu e, beneficiando dos dislates da instituição monárquica, da arrogância dos Braganças e da incompetência política dos governantes, se foi impondo como mítica solução para todos os problemas nacionais.

Em 1890, o humilhante Ultimato britânico e a débil reacção portuguesa, permitiu à propaganda republicana desacreditar a monarquia; no entanto tratava-se de uma questão que seria dirimida no campo militar e, fosse o regime monárquico, republicano ou anarquista, seríamos esmagados. Não se percebe como é que a questão de Olivença não foi sequer agitada pela diplomacia do novo regime que se portou tão cobardemente como o de João Franco ou o de Salazar (para não falar nos posteriores a 25 de Abril de 1974). Em 21 de Maio de 1926, a República Portuguesa vivia a sua última semana – pois ao regime corporativista a que a «Revolução Nacional» deu lugar dificilmente se poderia chamar República. Quisemos recordar essa última semana de um regime em que uma grande parte do povo depositava esperanças e que pelos numerosos erros e crimes (a «noite sangrenta» de 19 de Outubro de 1921, é um dos muitos exemplos), mergulhou Portugal numa longa noite.

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