FRATERNIZAR – Sacerdócio Feminino? Não, obrigado! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

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A existência de sacerdócio e de sacerdotes na Igreja católica atesta que ela não passa de uma religião mais, entre outras muitas, todas intrinsecamente más, inimigas dos seres humanos, nomeadamente das inúmeras vítimas. Não é Igreja-Movimento de Jesus, o filho de Maria. Sei bem que esta minha afirmação vai contra uma corrente dentro da igreja católica que reivindica a ordenação de mulheres sacerdotes, em paridade com a de homens sacerdotes, neste caso, celibatários por força de uma estúpida lei eclesiástica, a lei do celibato dos padres. A manter-se esta lei, e a ser acolhida a reivindicação da ordenação de mulheres sacerdotes, é previsível que também elas tenham de ser celibatárias, em paridade com eles. A reivindicação pode até ter pernas para andar dentro deste modelo de igreja católica imperial, concebido e instituído pelo imperador Constantino, mas para vergonha das mulheres que aceitarem ir por aí. Porque já é vergonha dos homens que aceitaram e aceitam ir por aí e aí têm permanecido, até que a Morte – bendita Morte! – os resgatar dessa coisa espúria,o sacerdócio. Decididamente, os sacerdotes ou homens sagrados, por isso, segregados dos demais e do universo da realidade quotidiana, renunciam à condição de seres humanos. Não são mais filhos de mulher a viver e a intervir na história e a contribuir para a sua transformação em mais humana e em mais sororal-fraterna. São filhos do santuário ou do templo, filhos do altar, papa-hóstias, funcionários do religioso, num universo meramente mítico-simbólico, uma aberração que a classificação de “sagrado” torna ainda mais aberrante. É para esta aberração que querem arrastar algumas mulheres, quantas, quantos hoje reivindicam a ordenação de mulheres sacerdotes?

Quantas, quantos desencadeiam e impulsionam esta reivindicação para as mulheres, no seio da igreja católica estão certamente animados da melhor das intenções. Agem na convicção de que a ordenação de mulheres sacerdotes é uma promoção social no ser-viver das mulheres, como sempre se tem dito e escrito que a existência de homens sacerdotes é uma promoção no ser-viver dos homens que aceitam ir por aí. Porém, só no universo do cristianismo esta visão das coisas é possível. O que, só por si, mostra quanto o universo do cristianismo é irreal, de todo estranho ao mundo do real. O santuário e o templo estão no mundo, mas não são mundo. São metros e metros quadrados de espaços sagrados, segregados do real, o profano. Que sobrevalorizam o sagrado em detrimento do profano, o simbólico em detrimento do real, o cristianismo e o Cristo em detrimento de Jesus Nazaré, o filho de Maria, para quem só o real, profano, interessa. E dentro do real, os seres humanos e os povos, sempre a partir dos últimos, das vítimas, hão-de viver indissoluvelmente religados uns aos outros e aos demais seres vivos da natureza e ao próprio cosmos ainda em expansão.

A Deus nunca ninguém O viu e não tem como se ocupar com ele. O que vemos e com que havemos de ocupar-nos, maieuticamente, são os seres humanos e os povos, a natureza e o cosmos ainda em expansão. A polis é o nosso céu. Quem diz Polis, diz Política praticada, que não deve ser confundida com o poder político ou outro poder qualquer institucionalizado. Deste modo, é a actividade política, nunca a actividade religiosa-eclesiástica que glorifica Deus que nunca ninguém viu. A Realidade-fonte de todo o real. É por estas fecundas e vivas águas que navega Jesus, o filho de Maria,, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, e Jesus, o do Século XXI e Terceiro Milénio. É por estas mesmas águas terão de navegar todos os seres humanos e povos sem excepção, se quiserem que os reconheçamos como tais.

Não é, obviamente, por estas águas que navegam os diversos cristianismos, o católico romano e os protestantes. Para seu mal e mal de quantas, quantos têm sido levados, como ovelhas para a matadouro, a fazer-se cristãos. Só dentro destas envenenadas águas dos cristianismos, como das religiões, nasceram todas as perversões feitas conceitos e vivências, como são, concretamente, os conceitos de sagrado e profano, sacerdote e leigo, santuário-templo e mundo. O Ocidente está todo inquinado e em generalizada agonia por estas envenenadas águas. Dar-se conta quanto antes deste facto, é preciso, para lhe pormos um travão e assumirmos saudáveis rupturas com ele. O que se poderá chamar com propriedade, renunciar a Satanás, o Tentador. No caso, renunciar ao cristianismo, à fé cristã e religiosa, o Tentador. E regressarmos ao Humano, ao Real, ao Mundo que Deus que nunca ninguém viu ama, ao ponto de se fazer uma, um de nós, em cada uma, cada um dos que constituímos a Humanidade una e indivisível entre si e com o cosmos ainda em expansão.

A simples existência de sacerdotes remete-nos de imediato para os tempos mais primitivos da humanidade e dos povos, em que os fenómenos, bons e maus eram atribuídos a deusas e deuses e a demónios, projectados pelas populações desamparadas e sem explicações à altura que as sossegassem. Nesses remotos tempos, bem se pode dizer, Em terra de cegos-ignorantes, quem tem um olho é rei. E antes de haver reis, o provérbio – se já houvesse provérbios – teria de ser, Em terra de cegos-ignorantes, quem tem um olho é sacerdote. E assim foi. O sacerdote é a mais antiga profissão do mundo. A prostituição (sagrada) veio depois, certamente para proveito também dos próprios sacerdotes, os mais gulosos dos seres racionais.

Com Jesus, nenhum homem que se preze aceitará mais ser sacerdote. E se aceitar, é bom que os seres humanos e os povos os deixem sozinhos nos seus doentios espaços sagrados, onde nada é real, tudo é alienação. A Igreja-Movimento de Jesus pode ter Presbíteros, Bispos. Pode. Não é obrigatório que tenha. Sacerdotes, nunca teve, nunca terá. A designação Presbítero, Bispo, remete-nos, não para lugares sagrados como o templo e o santuário – o absurdo dos absurdos – mas para o mundo, nomeadamente, para os seres humanos e os povos, na sua diversidade de falares, cores e capacidades, todos diferentes, todos iguais. Remete-nos, não para as religiões e os templos, mas para a  Polis, a Política praticada.

Ora, se nenhum ser humano que se preze aceitará mais ser sacerdote, como se compreende que haja quem reivindique a existência de mulheres sacerdotes? Mulheres presbíteros, bispos no mundo e ocupados com os seres humanos, não com deusas, deuses, templos e santuários, ainda se compreende. Mas que jamais caiam na tentação de serem mulheres clérigos, segregadas dos demais. Seria o pior que se lhes poderia fazer. Alerta, mulheres. Não embarquem em semelhante corrente. Resistam à tentação e fujam dos templos e santuários. O lugar dos seres humanos, mulheres e homens por igual, é o mundo, não o templo.

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1 Comment

  1. O Mário incorre, conscientemente ou não, numa série de falsidades e de generalizações abusivas, tomando com frequência o todo pela parte e a parte pelo todo, apenas e somente para tentar provar o improvável. Esse caminho eivado de algum fundamentalismo, chega a identificar os opostos, as realidades que mutuamente se excluem como sendo tudo a mesma coisa. Estas atitudes apenas comprovam que aquilo que está na base destas posições não tem nem pode ter qualquer credibilidade.
    O Mário finge desconhecer que a igreja é constituída por seres humanos, não por arquétipos de coisa nenhuma. Que os sacerdotes são tb humanos como quaisquer outros, embora com uma missão específica. A sua tentativa de diabolização serve exactamente para quê? Deixo a resposta ao autor.
    Repete que a Deus nunca ninguém o viu, para tentar provar o quê? Lembro que aos conceitos de lealdade, justiça, solidariedade, ética, etc, tb nunca ninguém os viu. Devo daí concluir que não existem? Ora, ora, amigo Mário. Vamos colocar alguma seriedade no discurso. Pode ser?
    Quanto ao Amor. Ele sente-se ou não. Cultiva-se ou não. Mas não é algo que se possa negar, sobretudo desta maneira tão leviana. No fundo as pessoas acreditam naquilo que querem acreditar e inversamente. O Mário tem as crenças que desejar. Tudo bem. Mas não pode nem deve invectivar as dos outros como sendo o detentor da verdade absoluta, sobretudo usando argumentos falaciosos.
    Claro que o celibato é um erro, na minha opinião. Entendo que só faria sentido se fosse uma opção pessoal e nunca uma imposição exterior. Mas isso não pode constituir argumento para coisíssima nenhuma.
    Sobre o sacerdócio feminino eu sempre fui favorável, dado não haver argumentos contra.

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