O DRAMA DOS MIGRANTES NUMA EUROPA EM DECLÍNIO E CAPTURADA POR ERDOGAN E OBAMA – 19. O HITLER TURCO? – por UNCLE VANIA.

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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O “Hitler” Turco?

Uncle VaniaVox Populi Evo, 

The Saker, 21 de Maio de 2016

No dia 22 de Maio, a Turquia terá um novo primeiro-ministro  em vez do actual Primeiro-ministro  — Ahmet Davutoglu. No dia  5 de Maio de 2016 foi forçado a renunciar ao seu cargo como líder  do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) sob pressão de Recep Tayyip Erdogan. Em consequência, deixa o posto de primeiro-ministro do país.

Sobre as razões para a renúncia de Davutoglu, todas as dúvidas desapareceram depois das palavras de Erdogan que “Davutoglu não deve esquecer como é que obteve o seu cargo”. Não é nenhum segredo que Erdogan não tolera políticos independentes e liberais no seu ambiente como é o caso de Davutoglu. Recentemente, o primeiro ministro, que é a propósito um dos ideólogos do  “ renascimento da Turquia como uma potência mundial”, começou a participar nos assuntos internacionais. Isso despertou a inveja de Erdogan que considera a geopolítica e as relações internacionais como as suas prioridades principais. Erdogan não precisa  de  aliados; precisa de fantoches para os utilizar e para cumprirem as suas ordens.

Hitler turco

Nestas decisões voluntaristas   Erdogan mostra ser  “um Hitler otomano ” – o dirigente extremamente autoritário  que não tolera opiniões diferentes, que é cruel com as minorias nacionais e muito agressivo nas guerras com o exterior.

Assim, a atitude de  Erdogan para com as minorias nacionais, sejam eles  os Curdos ou os arménios, deixa muito a desejar  e assemelha-se a um  genocídio. Erdogan não admite o genocídio no império otomano contra os arménios em 1915 (o que todo o  mundo inteiro já conhece), mas continua as “gloriosas” tradições dos  seus antecessores.

A fase activa da guerra civil contra  os Curdos dura há já aproximadamente um ano. As cidades no leste e ao sul do país parecem ter sido expostas a uma total razia. Há exemplos recentes de tais conflitos e operações militares ou de polícia na cidade de Cizre e noutros lugares de grande densidade populacional de curdos, na Turquia. Além disso, esta campanha conduz a uma guerra total  considerando  o facto de que o número dos Curdos no país excede 20 milhões de pessoas. São já  milhares os Curdos mortos.  É por isso que nós observamos muitos actos terroristas nas cidades  turcas. O conflito está no seu zénite.

As relações entre a Arménia e a Turquia  estão a tornar-se  bem  dramáticas , apesar do facto de que a Arménia não  faz parte do estado turco. Nagorno-Karabakh não é exactamente  uma grande dor de cabeça  para o OSCE “Minsk Group” mas é também  uma possibilidade para que a Turquia aplique uma pressão sobre o seu inimigo, (os arménios) e crie assim  problemas para com a Rússia. Não é nenhuma coincidência que o presidente Ilham Aliyev de Azerbaijão consulte regularmente o  seu “irmão mais velho” Erdogan da Turquia que terá grandes vantagens numa nova  guerra junto às fronteiras da Rússia.

O nível de hipocrisia na política externa de Ancara pode ser tomado como comparável ao de  Berlim durante o regime de  Hitler. Assim, em meados do ano  2000, Erdogan disse que a Síria e Assad eram os  “amigos próximos” da  Turquia e que estava pronto  a  estabelecer com a Síria uma zona de  comércio livre. Mas por outro lado, quase de um dia para outro, Assad deu  aos olhos de Ancara  um  enorme salto acrobático mortal para se apropriar das reservas de petróleo de Síria e transformou-se “num inimigo implacável,” um tirano e “um lutador contra a democracia”

A mesma coisa aconteceu nas relações com Rússia. No início, era um “grande parceiro económico”, e então a Turquia começou a disparar contra as canhoneiras russas e a apoiar os radicais tártaros da Crimeia para uma nova guerra  em Donbass.

Não é pois de surpreender, se Erdogan como a propósito o primeiro ministro ainda em funções  Davutoglu “pensaram ” abandonar  a ideia da aliança com os  Estados Unidos a favor do renascimento de um novo  império otomano no Médio Oriente.

Mas a coisa mais hipócrita é a luta contra “o estado islâmico” que vende o petróleo a Erdogan e vive desse dinheiro. Por outras palavras, o presidente turco é “o lutador mais íntegro” com os islamitas na  Síria, ele terá gasto alguns esforços para matar milhares de militantes  (é uma pena mas ninguém pode confirmar que são especialmente os Curdos sírios, que lutam contra  o estado islâmico em Síria, que são mortos  pelo fogo turco).

E os paralelos não acabam por aqui. Erdogan é implacável para com tudo à sua volta. Anteriormente, meteu na prisão quase todos os generais suspeitos  de  “golpe”. Há dois anos antes,  começou a purgar os  serviços de segurança, polícia, forças armadas e  o  seu próprio partido para identificar  reais ou supostos apoiantes do pregador islâmico Fethullah Gulen, que está a viver nos  Estados Unidos. Este turco “Trotskista” é como que um espinho cravado na carne de Erdogan. Durante mais de 10 anos,  Erdogan tem tentado em vão substituí-lo mas os Estados Unidos têm  necessidade  do islamita para fazerem chantagem sobre o  presidente. Assim, Davutoglu é a última mas não a menos significativa vítima das purgas de  Erdogan.

Um  mais importante  paralelo  é a vontade de   Erdogan violar a integridade territorial dos seus anteriores parceiros  em favor dos  seus interesses e do desejo de capturar o território dos países vizinhos. A mesma coisa aconteceu com o Curdistão iraquiano onde as tropas turcas se sentem em casa. Estas não  precisam da aprovação de Bagdade para invadir o país a perseguirem alguns rebeldes curdos.

O mesmo se passou  na zona norte do Iraque, a região de Mosul, que Erdogan está a ocupar  em primeiro lugar para não permitir aos Curdos ou aos próprios  Iraquianos estabelecerem  o controle sobre estas áreas ricas em petróleo (bem, isto não é o exemplo do Sudetenland checo em 1938!?)

Apenas as  tropas  russas  em Latakia e em Tartus  podem contrapor  uma resistência mais séria do que o exército árabe sírio para impedir a Turquia da agressão contra a Síria.

Se a UE e os E.U. não compreendem a gravidade da situação na Turquia, a grande guerra no Médio Oriente não pode ser evitada.

The Turkish “Hitler”?, tradução para o inglês de Vox Populi Evo. Texto publicado pelo blog The Saker e disponível em:  http://thesaker.is/

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Ver em:

The Turkish “Hitler”?

 

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