SINAIS DE FOGO – O CONSELHEIRO XAVIER – por Soares Novais

sinais de fogo

O conselheiro Xavier é um cínico. Basta vê-lo e ouvi-lo na “Quadratura do Círculo” para o confirmar. Por baixo da barba de três dias e do sorrisinho sacana, Xavier é um Schäuble sem cadeira de rodas.

Uma eventual penalização da Comunidade Europeia pouco ou nada lhe importa: “Isso até é o menos, ficar sem os milhões de subsídios” disse. O que verdadeiramente o preocupa são os péssimos indicadores do crescimento económico.

Ou seja, para o conselheiro Xavier, o problema é só um: o facto do actual governo estar a entregar aos trabalhadores aquilo que lhes foi roubado pelo governo do dr. Passos e do seu amigo Portas – o mais recente facilitador de negócios contratado pelo empreiteiro Mota.

O conselheiro Xavier entende que os direitos adquiridos só valem para as escolas privadas dos seus amigos que vivem à custa dos subsídios do Estado. Isto é, de todos nós.

Reverter salários, reformas, pensões e horas de trabalho são para o lobito do senhor Schäuble um verdadeiro atentado contra a boa gestão que, durante quatro anos e meio, fez disparar os ricos que se tornaram mais ricos e os pobres que se tornaram mais pobres.

É disso que o advogado e fiscalista ao serviço do broncossauro Belmiro gosta. Tal qual Schäuble, também Xavier gostaria que houvesse mais desemprego e miséria; mais portugueses sem trabalho; e que mais jovens emigrassem.

Este conselheiro de Marcelo é como o conselheiro Acácio que Eça de Queiroz tão genialmente retrata em “O Primo Basílio”: pomposo e balofo; um defensor da moral cristã que reza pelo fim da geringonça e o regresso a um passado recente que tão generoso foi com ele.

Com ele e com todos aqueles a quem tão religiosamente serve.

 

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