FRATERNIZAR – LOC nacional no Hotel João Paulo II em Braga – Operários ou clérigos católicos? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

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À mesma hora em que este Texto Fraternizar, escrito à luz da Fé e da Teologia de Jesus, está a ser disponibilizado no site do Jornal, está também a ter início o XVI Congresso Nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos. “Este órgão de decisão – reza uma Nota informativa chegada ao nosso Jornal – que reúne de três em três anos, congrega militantes deste movimento, representantes de organizações e associações civis e religiosas, de movimentos congéneres da Europa e de Cabo Verde, do Movimento de Trabalhadores Cristãos Europeus e do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos”. Mas não só. O Congresso deste ano conta também com a presença do “Sr. Dr. Ricardo Rio, Presidente da Câmara Municipal de Braga, na sessão de Abertura e o Sr. D. Francisco, Bispo Auxiliar de Braga, na sessão de Abertura e na Celebração da Eucaristia”. Há ainda mais uma surpresa: Quem vai fazer o “aprofundamento” do Documento de Linhas de Orientação, com a temática «Humanizar e Evangelizar o Mundo do Trabalho» que será proposto para aprovação no Congresso, é nada mais nada menos do que o Pe. Rodolfo Leite. O que justifica bem a pergunta que faz título a este Texto, Operários ou Clérigos católicos?

Tudo é demasiado estranho nesta organização por demais conhecida na igreja católica e nas duas centrais sindicais. Muito menos conhecida nos locais de trabalho por conta de outrem, as grandes, médias e pequenas empresas. Primeiro, foi a JOC, depois, veio a LOC, quando os jovens operários passaram a seniores, em anos de vida e de trabalho nas fábricas. Mais do que uma organização bem estruturada, como aqui agora aparece, a modos de hierarquia leiga católica, e no caso do Congresso, a modos de CEP-Conferência Episcopal Portuguesa, a JOC e a LOC eram movimentos operários de intervenção directa nos locais de trabalho, depressa conotados com movimentos sócio-políticos de extrema esquerda e, como tais, perseguidos e recusados pela esmagadora maioria dos párocos e bispos diocesanos do país. É certo que, no início, estes movimentos foram pau para toda a colher na mão dos bispos, nomeadamente, no tempo do famigerado Cardeal Cerejeira, quando se tratou de impor Fátima e o seu perverso teatrinho das “aparições” em 1917 ao país e ao mundo. Os documentos e documentários filmados da época atestam bem toda esta vergonha eclesiástica, recordada agora que os 100 anos estão à porta.

Pelos vistos, este XVI Congresso Nacional não quer ficar nada atrás desse tenebroso tempo clerical anti-República de 1910. É manifesto que, pelo que aqui fica bem explicitado na Nota informativa, a LOC 2016 está de novo refém da hierarquia católica e dos seus clérigos. Desde que a hierarquia impôs ao Movimento a presença interventiva de um “assistente eclesiástico”, este castrou definitivamente o Movimento que, progressivamente, passou a ser uma organização eclesiástica católica, mais, uma espécie de ramalhete hierárquico em algumas paróquias e dioceses.

A união de facto entre a igreja e o estado português sai mais fortalecida com uma LOC nacional assim. Os seus poucos membros não ficam nada atrás dos clérigos católicos e pouco mais conseguem do que produzir “Documentos” com “Linhas de orientação”, aprovadas por unanimidade e abençoadas pelos representantes dos poderes religioso e estatal, representados neste Congresso de Braga, respectivamente, pelo bispo auxiliar e pelo presidente do município.

Ainda não se chegou ao despudor de convidar a participar nas sessões de abertura e de encerramento as organizações dos patrões, que também as há constituídas por “empresários cristãos”, como os “trabalhadores cristãos” da LOC. Fica aqui o reparo, para que o tenham em conta daqui a três anos, no XVII Congresso. E, já agora, em vez de se reunirem em Braga, à sombra da senhora do sameiro, reúnam em Fátima, na mesma casa onde se realizam as reuniões da CEP, e terão com certeza a bênção da senhora do rosário de fátima, muito mais rica e poderosa!!!

Escrevo-o com dor e manifesta ironia teológicas. Na esperança de que os poucos que ainda se prestam a ser acólitos dos bispos, sob a sigla LOC nacional, acordem da anestesia em que hoje se encontram e fujam para a profundidade da Montanha, onde sopro-Vento-Ruah de Jesus se faz sentir com fecunda força, concretamente, junto dos desempregados e trabalhadores precários que a união de facto entre a igreja e o estado impunemente produz e que, por mais revisões de vida operária que a LOC faça, por mais congressos como este que promova, por mais Documentos com Linhas de Oridentação que produza, vão de mal a pior. E tudo para maior honra e glória do deus Capital, o Senhor Dinheiro.

É mais do que tempo de os operários, trabalhadores, populações em geral perceberem que ser “cristão” é ser segregado da Humanidade. O cristianismo constitui uma seita. É muito numerosa, sem dúvida, a mais numerosa do mundo, incluídos os cristianismos protestantes e ortodoxos, o judaísmo e o islamismo, todos com o mesmo deus-ídolo, o Senhor Dinheiro ou Poder financeiro. Em lugar de exibirem orgulhosamente o rótulo “cristão”, tenham vergonha. Só o Humano é universalizável e vem de Deus, o de Jesus, a Fonte da vida. O cristão é pecado, é demoníaco, é divisão, é tentação. É o Poder divinizado que aliena e amarra. Expulsá-lo das nossas mentes-consciências é preciso. Prossegui-lo e entregar-lhe as nossas filhas, os nossos filhos não é preciso. Fica o alerta!

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