BREXIT: UM EXEMPLO DA ENORME NUVEM DE FUMO A PAIRAR SOBRE A REALIDADE EUROPEIA – 5. O IMPERATIVO DEMOCRÁTICO: UMA POSIÇÃO CRISTÃ QUANTO AO BREXIT, por ADRIAN HILTON.

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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O imperativo democrático: uma posição cristã quanto ao Brexit

Adrian Hilton,  The democratic imperative: a Christian case for Brexit

Christians in Politics,

Adrian Hilton é um académico conservador, teólogo, escritor e pedagogo, actualmente a trabalhar na Universidade de Oxford. Aqui escreve sobre as razões que o levam a defender que o Reino Unido deve sair da UE.

brexithilton - I

O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte estão  ligados à Europa – por uma realidade tectónica e geográfica assim como razões sociais, culturais e históricas. Estes elementos constituem os nossos quadros incontornáveis de identidade nacional. Não haverá nenhum Brexit-er (ou #BeLeaver) católico a falar sobre o Reino Unido a “abandonar a Europa”: é uma preguiçosa figura de linguagem, que funciona para o Apocalipse sísmico daqueles que procuram introduzir o terror no debate. Nem há nenhum cristão a defender que deixamos de trabalhar com os nossos vizinhos ou que queremos que o Reino Unido se possa tornar ” autónomo e independente em tudo o que nos diz respeito”, como Lorde Deben indelicadamente persiste em caricaturar o LEAVE.

A Europa é composta por cerca de 50 Estados independentes; a União Europeia por 28. Há algum Estado europeu que não seja um membro da UE ” autónomo e independente em tudo o que lhes diz respeito,”? Eles estão dispostos a trabalhar através de canais diplomáticos com outros Estados europeus para a paz, justiça e na busca do bem comum? Eles são incapazes de o fazerem? Não, claro que não. Estamos todos por amor ao nosso vizinho: temos apenas um problema quando esse vizinho presume dizer-nos quantos peixes é que podemos comer; quantas horas devemos gastar na jardinagem; quanto temos de pagar como imposto na electricidade e de que cor se deve pintar a porta da frente.

O parágrafo acima fez-me lembrar este cartoon:

brexithilton - II

A civilização europeia está imbuída de noções de moral cristã e dos valores do Iluminismo. É diversa, orgânica, sincrética e abrangente. Depois de séculos de guerras internas, o continente finalmente veio a reconhecer que esta homogeneidade religioso-cultural permitiu uma Fundação para a paz e a prosperidade, e então expressões como Democracia cristã começaram a desenvolver-se o que uniu os fios turbulentos e heterogéneos de lealdade nacional para forjar uma nova identidade progressista para a era moderna.

Mas essa identidade foi sequestrada por um secularismo agressivo, coercitivo, supranacional de imperativos categóricos que roem os fios dos retalhos de tecido com que cuidadosamente a Europa das civilizações é constituída. Ou talvez seja apenas a forma como foi projectada e planeada. A União Europeia não é uma associação fraternal benigna, baseada na cooperação e na colaboração: é uma União anti-democrática, burocrática, união política que vai pouco a pouco impondo todo um corpus de diktats e directivas que são antitéticas para os séculos da tradição democrática britânica e da lei em geral. Ela pode ter começado com o mais nobre dos motivos cristãos – ou seja, a paz e a reconciliação – mas cada um de nós só tem que olhar para o que o uniforme “governação económica” tem feito ao povo da Grécia para compreender que a UE está rapidamente a tornar-se uma ameaça à paz e à estabilidade social.

Imagem proposta pelo blog

brexithilton - III
Isto não significa uma uniformidade branda: os governos totalitários que tentaram impor uma conformidade sócio-política têm  gerado  um descontentamento nacionalista que  precipitou a guerra civil. Os estados livres estendem a mão da paz e da amizade aos seus vizinhos numa apreciação de outras culturas e nações. O amor de seu próprio país permite uma compreensão do amor que os outros têm pelos deles. Nenhuma quantidade de sentimento patriótico, zelo nacionalista ou cegueira à diversidade nacional podem levar à guerra: a guerra é a manifestação do desejo de poder e de dominação em busca de ideais religiosos ou de uma utopia política. Tem sido isto a causa do grande flagelo da Europa, e uma das principais barreiras para o seu avanço tem sido a resistência patriótica das Nações determinadas a defender os seus próprios direitos, liberdades e património.Quando as pessoas se sentem desligadas dos seus governos e em que aqueles que estão no poder espezinham os direitos e as liberdades das pessoas, a história ensina-nos que essas pessoas se levantarão. Unidade e paz são valores  mas bem defendidos  quando a governança é feita tão perto das pessoas quanto possível, e quando a governação é transparente e responsável. A compaixão humana espalha-se para o exterior, dos indivíduos para as famílias, então para as grandes famílias e amigos e a partir daí leva à formação de comunidades, regiões e países, daí que as pessoas descobrem laços comuns de parentesco, linguagem e cultura. Deus fez as nações com qualidades diversas, e estas variedades de características nacionais e culturais apresentam-se como uma maravilha da criação. Se a história da torre de Babel nos ensina alguma coisa, é que a segregação ocorre ao longo destas linhas, e em que as tentativas de re-construir uma torre unificada estão fadadas ao fracasso.

Existem muitas vozes a gritarem para serem ouvidas na cacofonia do referendo da UE. A questão de ficar na UE ou de sair não pode ser reduzida a uma só questão. Mas não menos importante para os Cristãos estão as preocupações sobre a liberdade, a democracia, a transparência, a responsabilização, e o direito de não aceitar aquele domínio sobre nós.

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