EDITORIAL: O ATENTADO DE SERAJEVO

logo editorialEm 28 de Junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro e sua esposa, a duquesa Sofia de Hoenber,   em visita de Estado a Serajevo, capital da Bósnia-Herzgovina, foram assassinados por um membro da Mão Negra, organização secreta sérvia que tinha como objectivo central a reunião das províncias eslavas do Sul, retirando-as do domínio austro-húngaro e criando a Grande Sérvia. Ojectivo, de certo modo, atingido por Tito após a Segunda Guerra Mundial. Os magnicídios estavam na moda. Em Portugal, o rei Carlos e o herdeiro do trono, haviam sido mortos em 1 de Fevereiro de 1908 e dez anos depois o Presidente Sidónio Pais foi também vítima de um atentado.

 As explicações foram muitas, desde as mais óbvias às que entram no campo da teoria da conspiração. Francisco Fernando estava em viagem à Bósnia para assistir a manobras militares e para inaugurar as obras de um museu em Serajevo. O cérebro da conspiração foi Dragutin Dimitrijevic, chefe da espionagem sérvia e o comandante operacional, major Vojislav Tankosić. O espião Rade Malobabi deu acesso aos túneis secretos utilizados pelos agentes sérvios para infiltrar espiões e armamento na Áustria-Hungria. A morte do putativo futuro imperador resolveu algum dos objectivos sérvios? Não. Mas foi o pretexto para que um mês depois se desencadeasse a Primeira Guerra Mundial.

A razão aparentemente mais plausível era a de subtrair ao   Império Austro Húngaro os seus territórios eslavos, para construir a« Grande Sérvia».  A Bósnia Herzegovina estava na posse da Áustria-Hungria desde 1878, étnica e culturalmente havia um forte sentimento de afinidade com a  Sérvia. Este reino tinha desde 1903 uma monarquia de cariz nacionalista, e desejava restabelecer as fronteiras do antigo Império Sérvio do século XIV. O atentado teve o chamado «efeito de dominó». Accionando alianças e tratados, foi envolvendo cada vez mais países. Até que chegou a vea de Portugal…

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