DEFICIENTES INDIGNADOS – CARTA ABERTA À CARRIS

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CARTA ABERTA À CARRIS

A Carris foi, durante vários anos, uma das empresas que mais evoluiu na acessibilidade aos transportes públicos em Portugal. No entanto, ao longo dos últimos anos, esta situação mudou para pior, tendo a Carris adoptado práticas que até então eram típicas de empresas que de transporte de passageiros só têm o nome.

A Carris ao longo dos últimos anos adoptou uma postura de desprezo pelas acessibilidades à frota de autocarros, mas continuou a promover a mesma como tendo acessibilidade, inclusive actualizando a percentagem de frota acessível. Esta situação configura uma violação da confiança que os passageiros, que pagam inteiramente pelo serviço, depositam na empresa.

As pessoas com diversidade funcional, em Portugal, não beneficiam de descontos nem isenções nos títulos de transporte, por isso mesmo pagam como se pudessem usar toda a frota e todos os serviços disponíveis pela Carris, mas a situação real não é esta. Embora a Carris afirme, oficialmente, ter mais de 50% da frota acessível, esta não está em condições de operação. São demasiado frequentes as avarias dos equipamentos, ou inclusive a remoção dos mesmos, fazendo com que os autocarros não sejam acessíveis. Os tempos de espera para pessoas que usem cadeira de rodas ultrapassa largamente a média de uma hora, algo completamente inaceitável.

Entendemos que nos últimos anos a situação tem-se agravado a reboque de alegações relacionadas com a crise económica, que na maioria dos casos achamos não serem aceitáveis. Entendemos que as queixas efectuadas não surtem efeitos. Entendemos que as várias pressões feitas a nível político e cívico não têm surtido efeito. Entendemos que a Carris está a ignorar o problema.

É também razão do nosso descontentamento que seja possível que as pessoas com diversidade funcional paguem o mesmo que todos os restantes passageiros, mas não possam usar a rede de eléctricos, especialmente os eléctricos articulados (série 500). Consideramos grave que eléctricos modernos não respondam a uma necessidade tão básica como o acesso sem barreiras ao seu interior.

A somar a toda a situação, a Carris aponta como solução um serviço pago à parte, desenvolvido especificamente para o transporte de pessoas que usem cadeira de rodas. Consideramos que o facto de nos forçarem ao uso de um serviço segregado em que é necessário pagar ainda mais do que já pagamos para o seu uso e realizar uma marcação com antecedência, é completamente inaceitável e insultuoso para com quem paga para usar os serviços da Carris.

Neste sentido, entendemos que os esforços para melhorar as acessibilidades têm sido parcos face à notória necessidade crescente. Parcos esforços que são postos em causa pela existência de práticas que tornam inutilizáveis as acessibilidades implementadas.

A acessibilidade aos meios de transporte público é uma necessidade básica e essencial à sociedade em que nos inserimos, desde logo por esta mesma sociedade estar envelhecida, situação que irá agravar-se ao longo dos próximos anos.

Por isso, quando espera um, esperam todos!

Movimento (d)Eficientes Indignados

 

Obrigado à Manuela Ralha

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