
As diferenças de opinião sobre se se deve trabalhar mais ou menos horas são grandes e a fundamentação dessas diferenças de opinião não é fácil. Em tempos ouvia-se dizer que era bom trabalhar menos horas, que assim possibilitava-se a criação de empregos. Actualmente ouve-se falar em salários baixos, para haver mais dinheiro para contratar novos trabalhadores. Hoje temos as políticas de austeridade a impor aumento da carga horária, por exemplo, para a função pública. Passaram a segundo plano questões como a da necessidade de os trabalhadores terem tempos livres para salvaguarda da vida familiar e disporem de mais tempo para ocupações lúdicas, acarretando vantagens para o bem-estar pessoal e mesmo para a capacidade
Muita gente pensa que o problema da economia se resume a trabalhar mais horas para aumentar a produção. Mas se houver menos gente a trabalhar, mesmo que cada uma delas trabalhe mais horas, a produção não aumentará. Todas estas discussões obedecem a interesses localizados no tempo e de âmbito restrito. Inclusive é prática recorrente ligar-se a maior prosperidade dos povos a hábitos mais sólidos de trabalho, tipo os povos do norte são mais prósperos do que os do sul porque trabalham mais, e assim têm uma vida mais desafogada. Sem querer entrar em discussões estéreis, que normalmente são motivadas por razões que na sua essência pouco têm a ver com a produtividade, diremos que são assuntos bastante estudados, mas que são tratados geralmente com pouca profundidade. Propomos que leiam a notícia de El País, a que podem aceder clicando no link abaixo, sobre um relatório da OCDE, de 2015, sobre aspectos do trabalho.
As conclusões que se podem tirar dos dados referidos na notícia são variadas. Por exemplo nos países menos desenvolvidos, a média anual de horas de trabalho por cada trabalhador é superior à dos países mais desenvolvidos. É curioso ver que no México cada trabalhador, em média, trabalha ao ano 2246 horas, na Grécia 2042, e na Alemanha 1371. É uma diferença considerável. Ajuda a fazer compreender que o desenvolvimento de um país não depende apenas do número de horas de trabalho. A notícia ressalva que na estatística estão incluídos os trabalhadores em part-time e temporários. E parece que a percentagem destes no total da força de trabalho será maior nos países mais desenvolvidos, o que também ter diferentes interpretações. Por isso, é necessário maior divulgação e análise mais detalhada e em termos acessíveis destes números e elementos correlativos, para que as pessoas os compreendam e percebam como influenciam o seu dia a dia e a vida em geral.
http://economia.elpais.com/economia/2016/07/07/actualidad/1467886894_771736.html
