FRAGILIDADES E PODER DAS MULHERES por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Todos e todas sabemos como tem sido difícil, ao longo dos tempos, a afirmação das mulheres portuguesas na sociedade. Foi preciso muito tempo para a mulher poder ser tão escolarizada quanto os homens, de aceder aos mesmos cargos de trabalho e políticos.

Os papéis e as funções da mulher, e por consequência, os dos homens dentro das suas famílias. Os modelos de mãe e dona de casa, apenas, já passou à história.

O que não passou à história foi o comportamento discriminatório da sociedade relativamente à mulher.

Se é maltratada é porque fez, ou não fez “alguma”, se mata os filhos e se tenta matar é porque é maluca, não é mãe e, assim, condenada socialmente.

A mulher se é muito vaidosa é porque é uma “oferecida”, sendo desvalorizada pelos homens e pelas outras mulheres.

As mulheres podem não decidir na política e no trabalho, mas sobre a maternidade a última palavra é dela, é a força do seu corpo.

Se assim é para a mulher portuguesa, como será para as mulheres de outras culturas?

Será que os não ciganos aceitariam mulheres ciganas nos escritórios, na televisão, na Junta de freguesia?

Claro que não porque as representações sociais da mulher cigana é muito negativa, e por isso, é condenada não por ser mulher mas por ser cigana!

As comunidades ciganas têm regras próprias e a coesão familiar é patente nos seus costumes: o acompanhamento familiar perante uma doença.

A mulher cigana tem uma cultura que dita a forma como devem viver. As meninas aos 12 anos começam cedo a aprender a tratar da casa para serem submissas, zelar pela transmissão dos costumes e valores da família cigana.

Mas as mulheres ciganas têm um poder que pode abalar a estrutura familiar. Os pais decidem com quem o filho ou a filha vai casar.

O homem é o submisso pois fica à mercê da decisão da rapariga. Ela pode não querer casar com aquele que lhe caiu na rifa, pode dar-lhe a “cabaça”. Mas a seguir o poder volta para o pai, pois ela só pode dar cabaça uma vez.

O homem sabe que um dia será o patriarca da família a quem todos obedecerão.

As mulheres ciganas, que são as transmissoras da cultura da sua comunidade, são também vítimas de violência doméstica, assim como as crianças, mas vão desenhando as cenas de violência como se fossem naturais.

Dosta! (basta!) dizem já muitas mulheres ciganas, mas ainda muito timidamente, quase que forma invisível.

Quem sabe que em 2013 houve um seminário “Comunidades Ciganas – Vivências e Representações no Feminino” ?

Quem sabe que há mediadoras ciganas em algumas escolas?

Tudo isto é uma revolução nas comunidades ciganas, mas de pouco serve se as comunidades dominantes, não ciganas continuarem a pautar-se por preconceitos, pela ignorância, pela falta de conhecimento do que é uma sociedade multicultural

 Se calhar valeria a pena dar mais visibilidade à cultura cigana de uma forma positiva, se calhar valeria a pena a comunidade maioritária conhecer o dia a dia de uma comunidade cigana.

 Não me admiraria que muitos não ciganos começassem a quebrar o sapo que está à entrada de algumas lojas.

 

1 Comment

  1. Maria ​

    No dia 9 de julho de 2016 às 16:00, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > claracastilho posted: ” Todos e todas sabemos como tem sido difícil, ao > longo dos tempos, a afirmação das mulheres portuguesas na sociedade. Foi > preciso muito tempo para a mulher poder ser tão escolarizada quanto os > homens, de aceder aos mesmos cargos de trabalho e políticos. ” >

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