EDITORIAL – Erdogan – cozinheiro do impossível

Não é necessário aprofundar muito a História da Turquia, para perceber que é um país com uma cultura política assente na indiscutibilidade do Poder. Ataturk fez um trabalho notável no desmantelamento da tirânica estrutura imperial otomana, mas a própria situação geográfica do País, numa encruzilhada da Eurásia, esteve no coração da Guerra Fria, aliada dos americanos, mas vizinha da Rússia, anti-jihadista, mas muçulmana, com   incómodos problemas de separatismo …

Pressionado a Leste e a Oeste, com o pé a fugir para a babucha, com militares habituados a resolver as questões à bruta e que não gostam de ser contestados, o senhor Erdogan, que pode ser acusado de muita coisa, mas nunca de honestidade política, não tem uma tarefa  fácil pela frente – O vínculo à NATO, a vizinhança da Síria e do Iraque os sacanas dos curdos que querem ser independentes, os mariconços e as putéfias  das universidades que querem limpar as teias que o império teceu, os jornalistas que metem os narizes por  tudo quanto é sítio…

Desemprego, inflação, baixo rendimento per capita,  dependência económica do turismo que situações como a actual em nada ajudam. E um povo que gostaria de viver em paz, mesmo continuando a emigrar para a Alemanha, beneficiando dos avanços da Ciência e da Tecnologia… os fantasmas arménios do genocídio de 1915…agora só faltavam os islamistas a querer que o país apoie as suas excursões ao Paraíso… Não é deste turismo que a Turquia necessita.

Com estes ingredientes não há receita culinária que permita confeccionar uma sopa comestível. Como na canção do Rui Veloso, «parece que o mundo inteiro se uniu para o tramar».

1 Comment

  1. *Excelente -Maria*

    No dia 17 de julho de 2016 às 19:31, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > carlosloures posted: ” Não é necessário aprofundar muito a História da > Turquia, para perceber que é um país com uma cultura política assente na > indiscutibilidade do Poder. Ataturk fez um trabalho notável no > desmantelamento da tirânica estrutura imperial otomana, mas a própria” >

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