A 18 de Julho de 1936 Francisco Franco lançou um golpe de estado contra o governo legítimo da república espanhola, com uma proclamação feita a partir das ilhas Canárias, onde estava colocado. O golpe não teve o sucesso imediato pretendido, devido sobretudo às grandes manifestações populares de apoio ao governo, e assim foi lançada uma ofensiva a partir da zona de Marrocos então sob protectorado espanhol, tendo a guerra civil durado até ao fim de Março de 1939. Francisco Franco implantou então a ditadura militar, e um regime político inspirado na doutrina fascista. A sua vitória deveu-se sobretudo ao forte apoio dos governos da Alemanha, Itália e Portugal, que viam com preocupação a implantação de um regime republicano e democrático na Península Hispânica, e também à unidade das facções de direita (falangistas, monárquicos carlistas e afonsistas, conservadores, católicos), ao contrário das da esquerda, que se hostilizaram abertamente mesmo durante as alturas mais acesas do conflito. Estima-se em cerca de meio milhão o número de mortos causados pela guerra civil, em combate e não só, sendo inúmeros os deslocados e refugiados em países estrangeiros e incalculáveis os prejuízos materiais.
A guerra civil espanhola foi sem dúvida um prenúncio da Segunda Guerra Mundial. Os seus efeitos em Portugal foram muito grandes, e ajudaram com certeza à consolidação do regime salazarista. No próprio reino espanhol, o efeito principal da vitória de Franco terá sido o fortalecimento do predomínio de Madrid sobre as várias nações nele integradas, com as convulsões conhecidas. Sem dúvida que os problemas actuais, incluindo as dificuldades em formar governo, derivam em grande parte das feridas abertas pela guerra civil e pela ditadura. Feridas essas agravadas pelo mau trabalho dos governos nacionais e pela auto-intitulada União Europeia.