A HISTÓRIA PODE DAR ALGUMA AJUDA – Nunca esquecer a História – por Carlos Leça da Veiga

Algumas poucas linhas para não deixar passar o dia 19 de Julho sem referir-se que nele fazer-se-ão os 299 anos dum acontecimento histórico nacional que, nunca disso percebi a razão, jamais vi celebrado, sequer meramente assinalado. Nesse dia já bem longínquo, a frota naval militar portuguesa derrotou a armada turca no mar Mediterrâneo, frente ao Cabo de Matapam, na extremidade do espigão central do antigo Peloponeso. Com esse feito militar notabilíssimo, deixou Imagem1escrito na História mundial o que ficou conhecido como a Primeira Batalha do Cabo de Matapam.

Por esses tempos passados -1717- numa Europa oriental, colocada – mal colocada – perante o avassalador expansionismo turco, foi sentida a necessidade de solicitar-se auxilio militar ao estado português.

Daqui, o rei João V, soberano da Nação Fidelíssima, tal como já o fizera no ano anterior, a pedido expresso do Vaticano e em auxilio dos atingidos,enviou para o Mediterrâneo uma esquadra naval composta de cinco naus, duas fragatas, dois brulotes, uma tartana e um transporte de mantimentos tudo sob o comando do almirante Lopo Furtado de Mendonça, conde do Rio Grande. Este contingente naval reuniu-se com aqueloutros enviados de Veneza, de Malta, de Florença e do Vaticano constituindo-se, assim, como um conjunto militar naval capaz de poder enfrenta a numerosa e poderosa esquadra turca. Se na realidade enfrentou, na realidade, pouco após, com a notável excepção da armada portuguesa, todas as demais esquadras aliadas optaram por bater em retirada. Mau grado abandonado e tal a desigualdade de forças em presença, numa luta disputada em seu desfavor, o almirante Furtado de Mendonça, mercê de bem manobrar, conseguiu que os turcos, fortemente batidos pelo fogo da artilharia naval portuguesa – então, a melhor do mundo – acabassem por abandonar a luta e retirassem, isto é, fugissem.

Que eu saiba, até aos tempos em curso, os turcos, enquanto força militar nunca mais incomodaram o Mediterrâneo.

No momento em que no Estado Turco, por razões da mais baixa vileza política e, assinale-se, dum intolerável fanatismo religioso, tudo está a ser feito para desmontar quanto de positivo, muitos anos atrás, foi obra inesquecível do general Mustafá Kemal, o Ataturk e dos seus “Jovens Turcos” parece acertado recordar que prosseguir – como fazem os ianques – sem mostrar-se, bem pelo contrário, uma franca inimizade política aos seljucidas actuais é contribuir para o acentuar da já tão manifesta decadência ocidental. No Estado Turco, será bom dizer-se, está em movimento um inadmissível retrocesso civilizacional que a Europa, em boa e total verdade, não pode nem deve aceitar. Pactuar mais outra vez? Desta vez um Munique seljucida?

 

1 Comment

  1. …..” No Estado Turco, será bom dizer-se, está em movimento um inadmissível retrocesso civilizacional que a Europa, em boa e total verdade, não pode nem deve aceitar”

    Maria

    No dia 19 de julho de 2016 às 11:56, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > carlosloures posted: “Algumas poucas linhas para não deixar passar o dia > 19 de Julho sem referir-se que nele fazer-se-ão os199 anos dum > acontecimento histórico nacional que, nunca disso percebi a razão, jamais > vi celebrado, sequer meramente assinalado. Nesse dia já bem longínq” >

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