“CRIME DE HONRA” por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

“Crime de honra”

A honra, o que pode ser?

O conceito de honra não é a mesmo para toda a Humanidade, conforme as crenças religiosas, as leis culturais, a honra pode revestir-se de comportamentos baseados em valores como a honestidade, a dignidade, a igualdade e todos aqueles que são socialmente aceites para o bem-estar de todos.

Mas também pode significar poder absoluto sobre a vida de outros e de obediência total dos mais fracos na família ou na sociedade, nem que para isso o poder use a sua mais cruel violência, a tortura e a morte.

A noção de bem-estar também varia conforme as sociedades.

Se olharmos para a história da humanidade reconhecemos os caminhos que tiveram que ser trilhados para nos aproximarmos cada vez mais do respeito pela vida de cada um.

Os crimes de honra que agora chegam à comunicação social e que nos tem indignado, mais não são que violência contra as mulheres que têm que obedecer, a qualquer custo, às ordens sociais que por sua vez são ditadas e feitas cumprir por homens.

Usa-se a Violência em nome da honra, quando honra significa respeito e não exclusão até à morte.

O peso cultural é, por vezes tão forte e tribal, que a sociedade sente-se na obrigação de eliminar aquele, que por acaso é quase sempre aquela, que tem comportamentos afectivos que vão contra as leis sociais.

As mulheres têm sido vítimas de milhares crimes de honra. A honra é muitas vezes associada à virgindade e à pureza das meninas que devem manter a sua dignidade como mulher, como defendem, ainda, os Ciganos, rapariga que não for virgem para o casamento gizado pelas famílias, terá um castigo de acordo com a lei da comunidade cigana.

O que é a dignidade enquanto mulher? por acaso será a de obedecer aos homens sem pensar nelas próprias, por acaso será a humilhação privada e pública?

Será aceitar as leis que as colocam sempre em situação de inferioridade física e intelectual?

Na Europa a violência contra as mulheres é uma espécie de “crime de honra” como no Paquistão. Os meios são outros mas a raiz desse crime é a mesma.

Quantas mulheres já foram batidas, humilhadas, assassinadas desde o princípio do ano? E porquê? Certamente por motivos enraizados na mesma crença: a mulher é para servir e obedecer. O homem ocidental não suporta a ideia de um divórcio, não sabe regular os seus sentimentos quando a mulher diz: Basta! Ou quando a mulher se apaixona por outro homem! Ou ainda porque chega bêbado a casa e tem de descarregar todas as suas frustrações em alguém que ele julga ser mais fraco, ou seja a mulher.

Infelizmente também as crianças e os mais velhos, os idosos, têm sido vítimas de quem é mais forte, o homem, o pai, o filho.

Até quando?

Quando chegará o dia em que todas as mulheres terão direito à vida e ao bem-estar?

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