EDITORIAL: Treblinka abriu há 74 anos

 

Passa hoje o 74º aniversário sobre a abertura do campo de extermínio de Treblinka. Situado na periferia da cidade polaca com o mesmo nome, foi decidida no quadro da  operação Reinhard – eufemismo para o projecto de extinguir os judeus na Europa – Endlösung der Judenfrage – decidida na Conferência de Wannsee, em Janeiro de 1942 – operação que ficou sob o controlo de Adolf Eichmann. Foi estabelecida uma diferença de nomenclatura entre «campo de extermínio» (em alemão. Vernichtungslager) e «campo de concentração». Estes últimos, como os de Dachau e Belsen, situados quase todos na Alemanha, eram sistemas de retenção de “inimigos do Estado” – judeus, ciganos, comunistas, homossexuais- e estavam dotados de equipamentos destinados ao trabalho forçado, não remunerado, que permitiam produção competitiva às empresas alemãs.

Os «campos de extermínio»  serviam para eliminar os prisioneiros não produtivos, inválidos, doentes; câmaras de gás alimentadas por motores de explosão e fornos crematórios onde os corpos eram transformados num fumo que empestava as áreas em redor. Antes da cremação, eram extraídos os dentes de ouro aos cadáveres. Esses campos são também conhecidos como os “campos da morte”.

Tudo previsto como numa operação de marketing do Lidl.

Quem visite a Alemanha actual, dar-se-á conta da diferença de temperamento dos habitantes das diferentes regiões. A Alemanha, criada em 1871 no rescaldo da Guerra Franco-prussiana, não é uma nação, mas sim um estado dominado pelo rigor e pela disciplina dos prussianos. A doentia  obsessão da disciplina não parece afectar, por exemplo, os alegres bávaros.Uma Baviera livre, seria uma mais-valia para a Europa.

 Em Nuremberga, além de julgar, condenar e executar os responsáveis, dever-se-ia ter desmantelado a construção de um Estado que desde que existe só tem provocado problemas. Angela Merkl, com o à vontade de quem bebe um copo de água, afirmou que Portugal tem um número excessivo de gente com formação superior (julgamos não atingir os 20%, enquanto na Alemanha a percentagem atinge os 27%.

Os franceses que não são tão diferentes dos alemães como se possa pensar, acham que nos devíamos especializar na construção civil (serventes, ladrilhadores, estucadores…) em vez de ganharmos campeonatos da Europa de futebol… Nós não somos nem melhores nem piores do que os outros; temos estúpidos em quantidades razoáveis e xenófobos que cheguem. No entanto,  a miscigenação que torna as nossas ex-colónias em territórios onde o racismo existe, mas de forma mais moderada do que em países vizinhos, prova que a crueldade com que colonizámos se deveu mais à ignorância e ao fanatismo que a igreja de Roma injectou nas nossas terras do que a ums sentimento de superioridade. Não toleramos é a xenofobia de povos que deveriam erradicar esse sentimento estúpido que admite superioridades étnicas que a ciência prova não existir.

Treblinka foi a expressão do sentimento de superioridade germânico, fazendo parte de uma cadeia de produção, aliada ao projecto de extinção de etnias «inferiores». O Tarrafal obedeceu à lógica de eliminar quem não pensava em conformidade com a concepção estreita que um cérebro demente de ruralismo e beatice. A crueldade ao serviço da estupidez, num caso e no outro.

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