CARTA DE VENEZA – FEBRES DE VERÃO – por Vanessa Castagna

carta de veneza

Poderíamos deter-nos na notícia de que o Presidente da Câmara de Veneza, Luigi Brugnaro, anunciou querer extinguir quatro importantes instituições citadinas: a Instituição da gôndola, o Centro das marés, a Fundação Bevilacqua La Masa e o Parque da laguna. Poderíamos comentar o projeto da ponte que vai ligar a estação ferroviária de Santa Lucia e o polo universitário de San Giobbe, que homenageará Valeria Solesin, a doutoranda veneziana que perdeu a vida no Bataclan de Paris, nos atentados do mês de novembro passado. Poderíamos, ainda, referir a notícia de um jovem veneziano de 18 anos que perdeu a vida em Vila do Bispo (Algarve) escorregando de uma falésia. Mas, como é verão, vamos optar pela leveza, pelo menos à flor da escrita.

E eis que a febre do Pokémon Go também chegou a Itália, no mesmo dia em que a aplicação foi lançada em Portugal e Espanha, e Veneza não podia ficar excluída da invasão dos bichinhos virtuais. Muitos venezianos instalaram antecipadamente a aplicação, descarregando diretamente a versão australiana e podendo fazer desde logo uma estima, pelo menos provisória, dos Pokémons presentes na cidade.

pokémonA desilusão foi grande: no centro da cidade, entre pontes, calli e canais, a caça é escassa, apesar de serem muitos os “ginásios” ou as chamadas Pokestops. Por isso, mais vale explorar a ilha do Lido ou, melhor ainda, o território de Mestre, em terra firme.

A loucura é tanta que, em poucas horas após o  lançamento da aplicação, foi criada uma página Facebook e foi aberta uma petição online, que já conta com umas 400 assinaturas, para que a Niantic ou a Nintendo “resolvam este problema”.

A seguir, ainda se registou uma vaga de indignação por parte de quem acha que tanta solicitude bem poderia ser aplicada a assuntos muito mais concretos e prementes. Uma questão que se levanta tanto a nível local como a nível global.

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