Os nossos vizinhos do lado já fizeram duas eleições legislativas desde Dezembro passado. Não conseguiram ainda formar governo e há já quem fale em terceiras eleições. Quinta-feira passada, 28 de Julho, portanto mais de um mês depois das segundas eleições (ocorreram a 26 de Junho), o rei Filipe VI pediu a Mariano Rajoy para formar governo, e este aceitou, mas sem se comprometer a ir ao Congresso pedir uma aprovação formal. A razão, segundo o El País de sábado, 30 de Julho terá sido evitar que, no caso de perder, pudesse avançar Pedro Sánchez, o líder do PSOE.
Mariano Rajoy parece na realidade constituir um grande, senão o maior obstáculo à formação de governo no reino espanhol. Inclusive, Ciudadanos, cuja linha política parece bastante próxima da do Partido Popular (PP), parece muito renitente em participar num governo liderado por ele. Como nos recorda, Anxo Lugilde, correspondente da Visão em Santiago de Compostela, no seu artigo A esfinge galega, saído no número desta semana daquela revista, a 4 de Outubro próximo inicia-se o julgamento do caso Gürtel, ao qual está ligado o do ex-tesoureiro Bárcenas do PP, relativo à destruição de provas relativas a dinheiros recebidos por elementos do partido (para informação mais concreta, clicar no segundo link abaixo).
Rajoy parece ter apoios fortes. Primeiro, por parte dos defensores intransigentes da unidade do reino (que alguns designam por centralismo de Madrid, outros por supremacia castelhana, conforme os estilos) que lhe reconhecem ser um adepto firme da causa. Comprova-o as pressões sobre o tribunal constitucional para abrir um processo contra Carme Forcadell, presidente do parlamento catalão, devido à aprovação por esta instituição de um roteiro para a independência, na semana passada. Segundo, das instituições europeias que o têm como um cumpridor das políticas que preconizam, para além do PP pertencer ao PPE, com forte presença no parlamento europeu, e grande peso também nas restantes instituições. Por último, a NATO e a casa real também parecem vê-lo com agrado. Mas, na realidade, há outras hipóteses de formar governo, sem Rajoy, e mesmo sem o PP, como nos mostra Vicenç Navarro, num artigo publicado no Publico.es, a que podem aceder clicando no primeiro link abaixo.
Para além dos artigos a que podem aceder clicando nos dois links que vos propomos, também recomendamos a leituras dos outros dois que citámos acima. Lamentamos não ter conseguido links de acesso.