EDITORIAL – AS ARMAS CONTRA A LIBERDADE

logo editorial

A vida política dos Estados Unidos afecta todo o resto do mundo. É verdade que o que separa Hillary Clinton de Donald Trump não é tão significativo como nos querem fazer crer. Tanto ela, como ele, ao chegarem ao poder, sem margem para dúvidas, quererão manter a posição de superioridade do seu país em relação ao resto do mundo. Dirão, qualquer outro país, nas mesmas circunstâncias, faria o mesmo. Aceitamos que é verdade. Contudo, essa constatação não impede que se deva contestar a sujeição aos interesses norte-americanos da vida política mundial.

Um aspecto muito peculiar é a influência que os usos e costumes seguidos nos Estados Unidos exercem sobre o resto do mundo. O grande predomínio que este país tem nos meios de comunicação, a começar pela televisão e pelo cinema avoluma essa influência. E um caso particularmente preocupante é o da chamada liberdade de posse e uso de armas de fogo. Regularmente chegam-nos notícias de mortandades cometidas em circunstâncias que fazem pensar que deveria haver uma regulamentação mais estrita, e mesmo proibitiva, neste campo.

Os oponentes desta orientação falam em liberdade individual, dizem que se todos estivessem armados haveria menos crimes e desenvolvem outras ideias semelhantes. Tais ideias são contrárias ao mais elementar bom senso. A posse generalizada de armas agrava as diferenças entre as pessoas, entre as suas capacidades individuais, e incita ao abuso do forte sobre o fraco. O uso de uma pistola ou de outra arma requer perícia e destreza, a que nem todos podem aceder em igualdade de circunstâncias. E acima de tudo, que sociedade poderá sobreviver com um mínimo de condições, com base num equilíbrio assegurado pela posse generalizada de armas de fogo? Uma sociedade semelhante a um daqueles filmes do Far West que outrora enchiam os écrans e as fantasias dos adolescentes, caricaturas dos romances de cavalaria há séculos atrás? Merecemos melhor, com certeza. E que os interesses da indústria e do comércio de armamento não se sobreponham aos do cidadão comum.

Propomos que cliquem nos links seguintes:

http://www.lemonde.fr/campus/article/2016/08/03/texas-la-presse-americaine-reagit-au-port-d-armes-sur-les-campus_4977967_4401467.html

http://www.politico.com/story/2015/06/nra-board-member-blames-clementa-pinckney-charleston-shooting-119202

 

Leave a Reply