PARA A HISTÓRIA DO TEATRO DE AMADORES – 10. GITT – GRUPO DE INICIAÇÃO TEATRAL DA TRAFARIA – por António Gomes Marques

 

Será que Warren Buffett leu Lénine? - por António Gomes Marques

Nos primeiros anos da década de 70, do século passado, passei a tomar a habitual bica após o almoço no café Monte Carlo, junto do Saldanha, onde, de uma das primeiras vezes que ali fui, encontrei a Fernanda Lapa, que me convidou a passar o tomar o café na mesa onde, habitualmente, tinha a companhia de Alexandre Babo e de Carlos de Oliveira, sendo assim que conheci este grande nome do Movimento Neo-Realista; do Alexandre e da Fernanda já era amigo há algum tempo.

Foi também ali que conheci José Cardoso Pires e Augusto Abelaira.

Um dia, a Fernanda perguntou-me se eu conhecia o GITT – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, ao que eu respondi que não.

Este grupo de teatro de amadores era muito recente e estava, então, a preparar o seu 2.º espectáculo, com a peça de Máximo Gorki, «Os Pequenos Burgueses», cuja encenação era da responsabilidade da minha amiga Fernanda Lapa.

Fui convidado para o espectáculo, a que assisti no dia 22 de Junho de 1973 (anotei no programa, como poderão verificar), mas não tenho a certeza que tenha sido esse o dia da estreia do espectáculo.

Lembro o maravilhado que fiquei com a qualidade do espectáculo, não só com a cenografia, do, imaginem, José Manuel Castanheira, julgo que, na altura, a frequentar o curso de Arquitectura em Belas Artes, que já deixava adivinhar o talento com que viria a afirmar-se no teatro, mas sobretudo com a encenação da Fernanda, onde já se pôde ver a sua mestria na direcção de actores, naquele espectáculo a fazer-nos esquecer que os intérpretes eram amadores de teatro.

Não posso deixar de referir uma outra encenação da Fernanda Lapa, como profissional, no Teatro da Graça, na década de 90, num dos melhores espectáculos de teatro que vi em Portugal, feito por portugueses, com a peça de Edward Albee, «Quem tem medo de Virgínia Woolf?», com a notável interpretação do grande e saudoso actor Mário Jacques, que a História do Teatro em Portugal não poderá deixar de assinalar.

Mas é a História do Teatro de Amadores que aqui nos move. Voltemos, então, ao espectáculo do GITT, grupo este que também foi associado na APTA – Associação Portuguesa do Teatro de Amadores.

Mas, melhor do que quaisquer palavras que eu possa acrescentar, o programa desse espectáculo, abaixo reproduzido, contém a melhor informação que ao leitor e à desejada futura equipa de investigação interessa. Acrescento apenas que a intérprete Maria Emília é a ainda activa Maria Emília Castanheira, mulher do José Manuel. Também o Director de Cena do espectáculo é o nosso conhecido Marques d’Arede, membro durante muitos anos do elenco do Teatro de Almada.

Lagos, 2016-08-05

GITT - I GITT - IIGITT - IIIGITT - IVGITT - VGITT - VI

1 Comment

  1. Belo Grupo o GITT que tive o prazer de trabalhar, encenei com eles A BODA DOS PEQUENO BURGUESES.
    Ganhamos do Prémio da Intersindical de Teatro Amador e fomos apresentar me Luanda, no Teatro Avenida. Bela aventura. José Caldas.

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