REQUIEM PARA UMA UNIÃO EUROPEIA JÁ MORIBUNDA. – REFLEXÕES EM TORNO DO BREXIT, DA UE E DA GLOBALIZAÇÃO – 10. A REVELAÇÃO DO BREXIT: PODE-SE NÃO SER DEMOCRATA, por JEAN BONNEVEY

europe_pol_1993

E depois do Brexit caiu o pano e ninguém estava em cena, David Cameron, Boris Johnson, Nick Farage, Jeremy Corbyn tinham desaparecido – Uma série de textos tendo como pano de fundo a União Europeia e a sua classe política

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

logo_banniere

A revelação do Brexit: pode-se não ser democrata

Como é que a eurocracia mundialista vai contornar o povo?

Knight-Death-and-the-Devil*

Jean Bonnevey, politólogo, Brexit révélation: on peut ne pas être démocrate. Comment l’eurocratie mondialiste va-t-elle contourner le peuple?

Revista Metamag, 25 de Junho de 2016

 

Imediatamente após um enormíssimo espanto era já o tempo da contestação da votação .

Três dias antes da votação e mesmo no dia do referendo as bolsas disparavam, os meios políticos e financeiros europeus estavam convencidos da rejeição do Brexit por diferentes sondagens de último minuto

 Às 22 horas abriam-se as garrafas de champanhe, às 2 horas da manhã cortavam-se as veias sobre os lavatórios dos WC da City.

Era necessário ver a cara dos  jornalistas, dos especialistas, dos consultores e de outros grandes felizardos da alta finança. Abominação da consternação. Notar-se-á também que não houve uma palavra sequer sobre o efeito Cox. A tentativa de recuperação política de um drama isolado foi um fiasco. Os ingleses nem estavam nem aterrorizados nem culpabilizados. Bravo!

Uma vez mais as cabeças em forma de ovo nada tinham previsto e tinham tomado os seus interesses próprios como sendo a realidade eleitoral.

O fracasso mediático-político é a primeira imensa satisfação deste referendo.

A segunda é que é evidente que se tem na Europa o direito de não se ser democrata. Com efeito o sacro santo princípio de um homem, um voto, uma voz, assim sacralizado na África do Sul por exemplo, deixou de ser um tabu absoluto. Explicaram-nos que o voto majoritário era qualitativamente duvidoso. Em suma, os partidários do Brexit eram velhos conservadores, incultos e xenófobos. Enquanto, certamente, os que era a favor do Remain “Permanecer na UE” eram jovens, na moda, diplomados e abertos ao mundo moderno e à diversidade.

O voto maioritário era por conseguinte menos legítimo que o voto minoritário.

Conclusão: é necessário voltar a votar ou contornar, como em França, o sufrágio universal por um voto reservado aos que são bem pensantes. Como já se aplicou a golpada aos Dinamarqueses e aos Franceses, isso vai ser agora  mais difícil de fazer..

Tem-se mesmo assim a confirmação que a Europa, anexo mundialista de uma finança cada vez mais apátrida, rejeita a democracia e o direito dos povos em disporem de si-mesmos.

Consequência imediata, a democracia deixou de ser um tabu.

“Os inteligentes” estão tão certos de terem razão contra a maioria que não compreendem o que acontece.

Os povos europeus querem permanecer o que têm sido. Aceitam o estrangeiro quando este não quer transformar a natureza histórica das nações.

O voto dos povos é para o regresso das nações ao seio de uma Europa potência imperial ou confederal, espaço de civilização e comunidade de destino. Uma verdadeira Europa simplesmente.

Está-se bem longe das histerias bolsistas e das damas mediáticas patrocinadoras do politicamente correto.

Não podem compreender porque saíram do mundo real da mesma maneira que a sua maldita bolsa. Estão condenados a rebentarem politicamente.

Mas, pior para eles, o despertar pode ser contagioso. Para já, há Vladimir Putin, o único chefe de estado europeu independente, e amanhã talvez haja Donald Trump contra a Europa de Bruxelas.

 Sim, realmente Thank-you pelos roastbeefs… mas desconfiem, é ainda fecundo o ventre de onde saiu o sistema capitalo- bolchevique, que já não quer nada nem dos povos nem da sua História.

“Indépendance Day British” prelúdio a uma Primavera das nações talvez, mas será necessário sermos vigilantes para que o voto se imponha em face dos favoritismos tecnocráticos do totalitarismo mundialista.

Jean Bonnevey, politólogo, Revista Metamag, Brexit révélation: on peut ne pas être démocrate, texto disponível em: http://metamag.fr/2016/06/25/brexit-revelation-on-peut-ne-pas-etre-democrate/

 

*Ilustração: O Cavaleiro, a Morte e o Diabo, Albrecht Dürer, gravura em cobre.

Leave a Reply