EDITORIAL – CRER OU NÃO QUERER

 

Imagem2Quando em 1913 foi publicado O drama de João Barois, romance de Roger Martin du Gard, foi dado um passo importante no sentido da compreensão que inteligência e imbecilidade podem estar em ambos os lados da trincheira. nem a crença em histórias inverosímeis que formam o edifício da crença, significam estupidez, nem o apenas se acreditar no que se vê significa boçalidade. O ateísmo tem, no entanto o mérito de não remeter o inexplicável para a responsabilidade de Deus. O ateu acredita na capacidade da inteligência humana; a inteiigência faz parte da nossa biologia e explicar o que não compreendemos com Deus é uma atitude preguiçosa. Um pormenor do romance de Martin du Gard. Prémio Nobel da Literatura, causou algum escândalo – a crença na concepção de Maria sem pecado original, teria sido fruto de um erro de tradução, por o mesmo vocábulo ter como acepções «mulher jovem» e «virgem».

A obra de Martin du Gard descreve o percurso ideológico de Barois, militante na luta contra a religião; a intervenção no processo judicial contra Dreyfus, Barois defende o ateísmo como barreira do livre-pensamento contra os dogmas católicos. Explica o catolicismo, questiona as suas bases, denunciando como envolve os seus seguidores de forma tão intensa e inquestionável, contrapondo a importância da ciência para explicar a humanidade e a sociedade e a sua evolução sem necessidade de recorrer a intervenções divinas.

No outro lado da barreira, um paladino do culto mariano, Eugenio Pacelli, o futuro Pio XII, recentemente beatificado, mas que durante o seu pontificado manteve uma relação cordial com os nazis, mesmo após a consumação do Holocausto. Deveria ter sido julgado em Nuremberga.

Mas houve em 15 de Agosto (de 1195) um facto que talvez merecesse a pena festejar (na óptica católica e não só). No bairro de Alfama, em Lisboa, perto da Sé, nasceu um tal Fernando de Bulhões, grande intelectual. Doutor da Igreja e conhecido como  Santo António (de Lisboa e de Pádua).

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