EDITORIAL – O TRATADO TRANSATLÂNTICO  – UM CHOQUE IMPERIAL, POR CIMA DA LIBERDADE DOS POVOS

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Sigmar Gabriel, vice-chanceler e ministro da economia alemão, veio a público dizer que as negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos para o TTIP – Transatlatic Trade and Trade Partnership – Tratado de Livre Comércio falharam. Aconteceu numa entrevista ao canal de televisão ZDF. Sigmar Gabriel diz que se deve a os europeus não terem querido aceitar as exigências norte-americanas. Será de referir ainda que ele pertence ao SDP (Partido Social Democrata), que desde 2013 integra o governo chefiado por Angela Merkel, formando coligação com a CDU (União Democrata-Cristã), formação política a que pertence a chanceler, e a CSU (União Social-Cristã, que tem predominância na Baviera).

Se por um lado há motivo para regozijo, na medida em que o TTIP levaria inevitavelmente a que a Europa visse muito agravada a sua dependência dos Estados Unidos, por ter de aceitar as imposições (as “desregulamentações”) das imposições das multinacionais, as quais na maioria são sediadas naquele país, por outro há que examinar a situação com grande atenção. Não se pode ignorar que a Alemanha visa consolidar a sua posição dominante na Europa, que tem um grande poderio económico, e que não o deseja partilhar com outro país, europeu ou não, seja ele os Estados Unidos, a França ou qualquer outro. Deseja sim fortalecer o seu poderio e a sua ascendência. Mas convém não esquecer que, por exemplo, as estruturas militares europeias dependem da NATO, isto é, da máquina militar norte-americana.

Claro que a pertença à NATO serve sobretudo para manter os países europeus atrelados ao comboio norte-americano. A assinatura do TTIP pelos países europeus, com as inevitáveis consequências no plano económico serviria sobretudo para complementar a acção da NATO. Este hipotético recuo anunciado por Sigmar Gabriel poderia pôr em causa este projecto, caso venha a ser apoiado também por outras forças políticas. Mas convém não esquecer que o domínio alemão na União Europeia (na Europa) tem sido altamente prejudicial para os países de economia mais débil. Temo-lo sentido na carne.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

http://economico.sapo.pt/noticias/acordo-comercial-entre-eua-e-uniao-europeia-falhou_256261.html

https://www.facebook.com/naottip/?fref=nf

http://observador.pt/2016/08/28/o-acordo-ttip-falhou-mas-ninguem-admite-diz-sigmar-gabriel/

 

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