Crianças do meu país, está a chegar o primeiro dia de aulas.
Como vai ser? Terei os mesmos professores? Terei colegas novos?
Este ano vou estudar muito para passar.
Gostava de ler mais livros, mas há palavras que não entendo e o professor não tem tempo para explicar, diz para irmos ver no Dicionário. E assim fazemos, vemos o significado, mas depois não sabemos quando usar uma palavra ou outra sinónima…
No 1º ciclo íamos todas as semanas à Biblioteca da Escola, aí o professor podia tirar as nossas dúvidas, mas agora já é diferente, “já devem saber ir consultar um dicionário”, dizem os professores.
Mas a nossa verdade não é essa, não, não somos capazes, mas os professores e o programa dão como dado adquirido que já sabemos. Partimos de pressupostos diferentes e, por isso, temos classificações baixas.
Pensam que é fácil saber a ideia principal de um texto.
Dizem que fazemos composições que não são as pedidas, por exemplo, dizem para fazermos uma composição sobre um filme que tenhamos visto nas férias, e nós escrevemos uma composição sobre as férias.
Muitos, muitos mais exemplos poderiam ser aqui descritos.
Os professores, que fazem os programas e que definem as metas, deveriam saber em que fase se encontra a criança na sua capacidade de aprendizagem.
Não se ensina um bebé a correr quando ainda mal sabe andar, mas uma coisa é certa, o bebé vai correr…
Imaginemos que estamos sentados numa sala de aulas, para aprender uma língua estrangeira, pela primeira vez, e o professor começa a escrever no quadro frases simples, mas cujo significado para nós é zero, apesar de ter copiado tudo bem.
A classificação, para os alunos, seria negativa e de imediato a sensação de fracasso ia instalar-se, com danos colaterais para a criança.
A expectativa, para o professor, seria boa porque os alunos tinham copiado do quadro tudo o que ele escreveu, e sem darem muitos erros ortográficos.
Mas professor, antes de sermos aluno somos criança e, não somos todos iguais, mas todos crescemos da mesma maneira. Do balbuciar ao falar vai um grande caminho com algumas pedras pelo meio.
Salvo raras excepções, todas as crianças estão aptas para entrar no seu percurso académico com expectativas positivas e com bons resultados finais.
Pela porta da Escola entram contentes, sim porque ao contrário do que muita gente diz, as crianças gostam da Escola, os alunos é que nem por isso.
Se a Escola souber que sentido tem, para uma criança do século XXI, andar na Escola, com certeza não quereria que os alunos ficassem fartos de tanta “aprendizagem”.
Se souber qual é o tempo de concentração que os alunos conseguem ter durante uma actividade, se souber algo da vida da criança, se souber que os encarregados de educação estão a apoiar a criança/aluno, se souber que o corpo docente está empenhado na relação ensino/aprendizagem e liberto do trabalho burocrático, se souber que linguagem usam as crianças, se…se…se…então pensará melhor nas metas das aprendizagens que está a exigir às crianças e aos adolescentes.