
O nome Madre Teresa de Calcutá é o da mais recente marca eclesiástica católica, criada e registada para, a pretexto e a coberto das “Missionárias da Caridade”, outra marca eclesiástica católica, fazer entrar no Vaticano rios e rios de dinheiro, sem este ter de produzir coisa nenhuma. Madre Teresa de Calcutá nem chega a ser sequer, como sempre temos sido levados a pensar que é, um nome de mulher. A nenhuma mulher, filha de outra mulher, pode alguma vez ser dado o nome de uma marca registada. Muito menos o de uma marca eclesiástica católica, como é a nova marca Madre Teresa de Calcutá, assassina dos moribundos das sarjetas, à custa dos quais arrecadou e arrecada, enquanto não for travada, milhões e milhões de dólares /euro. Grande parte dos quais, dinheiro sujo que é depois lavado no sangue e nas dores e nas mortes à fome e ao abandono dos moribundos das sarjetas que ela recolhe e faz recolher nas suas casas mortuárias, mascaradas de casas das “Missionárias da Caridade”, orgulhosas e vaidosas, como os fariseus do tempo e país de Jesus, naquelas suas vestes, exclusivas da marca.
Foi esta nova marca eclesiástica católica que Francisco, jesuíta e papa ao mesmo tempo, por isso, o cúmulo dos cúmulos do Perverso ou Maligno institucional cristão, acaba de canonizar na imperial Basílica de S. Pedro em Roma, mandada construir pelo seu mais antigo predecessor de má memória, o imperador Constantino (Séc. IV). O acto foi consumado no decurso de uma gigantesca ópera litúrgica, com mais de cem mil figurantes, oriundos de múltiplas partes do mundo, nenhum pobre da Albânia, da Índia ou de Itália, de múltiplos e reluzentes objectos de ouro, prata e pedras preciosas nas mãos de clérigos em número nunca visto, todos de branco vestidos, de símbolos e gestos teatrais feitos com peso e medida, o que, no seu conjunto, constituiu uma sumptuosidade e um luxo nunca antes vistos. E tudo transmitido sem falhas em directo para todo o mundo católico e para-católico.
Nenhum outro estado do mundo, dos muitos deste nosso tempo, consegue, alguma vez, rivalizar com o Estado do Vaticano S.A. e o seu infalível chefe supremo, simultaneamente, chefe supremo de todos os demais chefes de estado do mundo, China e Rússia incluídas, estas, por agora, ainda a estrebuchar, mas já sem qualquer hipótese de se libertar das suas potentes garras. Todos os chefes de estado e de governo, tiranos, ditadores e democratas, tanto faz, já perceberam que podem resistir por um tempo ao chefe supremo do Estado do Vaticano. Mas não podem resistir-lhe sempre. Ou aceitam ser seus vassalos de luxo, ou acabam por ir ao fundo. Já foi assim com o império romano. É assim com o império do Vaticano que lhe sucedeu, depois de o ter minado por dentro. Quando os diversos povos que viviam no extenso território do Império romano se deram conta, já eram todos cristãos católicos do império do Papa, inclusive, quando o seu chefe visível ainda continuava a ser o próprio imperador de Roma. É desse então que vem a conhecida afirmação, com pretensões a dogmática, Fora da igreja católica romana (= Fora do império católico romano) não há salvação.
Lutero, no século XVI, abriu uma brecha de peso em toda esta ditadura ideológica-teológica do pensamento único. Na altura, pensou-se que abriu. Percebe-se hoje, 500 anos depois, que, afinal, causou apenas algumas mossas nessa ditadura do pensamento único, sem nunca ter chegado a romper, muito pelo contrário, com o cristianismo, o pai de todos os males. Lutero quis apenas reformar o cristianismo católico romano, nunca extingui-lo. De modo que a excomunhão com que foi penalizado pelo papa de então, é, neste início do Terceiro Milénio, a grande oportunidade que faltava a Francisco, o primeiro papa jesuíta da história, oriundo da Argentina e da empobrecida e roubada América Latina, para ele poder falar da sua reabilitação-reintegração e, desse modo, reforçar ainda mais a ditadura do Pensamento único cristão católico romano. Fora do qual ninguém tem hipótese de vingar, a não ser na condição de crucificado. Sem dúvida, a condição mais intolerável e abominável da Humanidade que urge combater e extirpar da face da terra. Nem que, por causa deste combate, acabemos também por ter de passar por ela, como sucede, paradigmaticamente, com Jesus, o filho de Maria.
Chega, pois, a causar calafrios na espinha ver a quantidade, à escala global, de profissionais da comunicação social intelectualmente desonestos que, perante a gigantesca operação de marketing do Vaticano S.A, a propósito da canonização desta nova marca eclesiástica católica, se limitaram a ser pés de microfone e de câmaras de filmar, quando, deontologicamente, lhes cumpre a indeclinável e martirial missão de serem na sociedade sentinelas dos povos das nações, a avisá-los de que o rei, o papa, o poder, vai nu. Nem o facto de uma região de Itália, a 150 kms de Roma, estar a braços, por estes mesmos dias, com uma das suas maiores catástrofes, fruto de criminosas falhas graves, sucessivamente impunes, cometidas pelas empresas na construção de habitações em zonas sísmicas, demoveu o Vaticano S.A. do papa Francisco de semelhante manifestação de ostentação e de poder monárquico absoluto.Foi até um acicate mais para ele avançar e com mais requinte.
É verdade que a simples transmissão em directo daquela abominável ópera litúrgica fala por si, sem necessidade de quaisquer comentários. Mas só para minorias já com consciência crítica que, perante crimes deste calibre, encontram mais e mais razões para continuarem a ser ateus ou agnósticos. Não para as maiorias humanas do mundo, às quais se dirigem os grandes meios de comunicação de massas. E são estas massas, estas maiorias, que precisam de jornalistas sentinelas, não de jornalistas-pés de microfone. Pois é com estas maiorias que o império católico romano do papa trabalha. Enquanto as mentes-consciências delas continuarem possessas de ancestrais medos e de culpas de pecados que nunca cometeram, o império católico de Roma e todos os outros estados das nações, seus reféns, podem continuar descansados. Tudo lhes é permitido. Até fabricar milagres por conta, peso e medida, sempre que se trata de canonizar uma nova marca eclesiástica católica, como é cada santa, cada santo. Mais não são do que outros tantos ícones-imagens de papel, madeira, pedra, cobre, ferro, prata, ouro que tornam semelhantes a eles as multidões que os venerarem-adorarem.
Malditos, pois, todos aqueles que, em dado momento das suas vidas, aceitam passar de filhos de mulher a filhos do poder e vão por aí fora, de degrau em degrau até chegarem a chefe de estado e de governo, bispo residencial e cardeal, papa de Roma. São estes e os que os bajulam e idolatram, cada um à sua medida, os grandes pecadores e os grandes criminosos do mundo. Sim, é verdade, são estes e só estes que a História regista e aos seus nomes. Mas para sua vergonha. E vergonha das suas mães.
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