SINAIS DE FOGO – A RAIVA DO DESTERRADO – por Soares Novais

sinais de fogo

O ex-adjunto/assessor/consultor que foi chutado para o sótão do Palácio de Belém revela, agora, as suas razões para o “definhamento” da sua relação com o patrão a quem serviu durante 30 anos.

Um “definhamento” que, garante o ex- assessor/adjunto/consultor, chegou ao ponto do então casal presidencial ter passado por ele e pela sua mulher e fazer de “conta que não nos conheciam.” Foi após o almoço do Dia de Portugal em Faro, em 2010, e isso, confessa, foi “verdadeiramente chocante para mim e a minha mulher.”

Agora que o antecessor de Marcelo Rebelo de Sousa regressou à sua casa na lisboeta Travessa do Possolo e é apenas um reformado bem pago, o antigo adjunto/assessor/consultor decidiu pôr a boca no trombone e dar a conhecer a sua versão da história que marcou o verão político de 2009: o chamado “caso das escutas”.

O ex-assessor, que assume ter sido o “garganta funda” que deu a conhecer a história a jornalistas do “Público”, garante contudo que nunca fez nada sem que “a sua hierarquia não tivesse conhecimento.”

Mas isso, diz, não evitou o “ apagamento a que fui remetido em Belém, após o chamado ‘caso das escutas’, em Setembro de 2009, na presunção de que dessa maneira se acalmariam as raivas contra o Presidente em período de aproximação da campanha eleitoral presidencial, fez-me sentir, ao mesmo tempo, quanto Belém passou a estar condicionado pelo poder de intimidação de José Sócrates.”

Resultado: o assessor deixou de ser sombra e passou à condição de desterrado no sótão. Onde esteve longos anos com a viola metida no saco e sem tarefas atribuídas.

Agora, dá-nos a conhecer a sua verdade. Através de uma narrativa que sublinha a maneira como actuam os profissionais que fazem da política o bloco central para a realização dos seus interesses privados. Por mais que gritem aos quatro ventos: “Para serem mais honestos do que eu, têm que nascer duas vezes.”

E é, também, uma história, mais uma, que estampa a forma como se movem aquelas e aqueles que fazem do jornalismo um tapete rolante até ao “quarto do poder”. Quer o façam dentro ou fora das redacções.

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