A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Será muito difícil a um jovem nos dias de hoje compreender o papel importante que os cafés desempenharam em grande parte do século passado, não apenas no campo da cultura como noutras áreas, nomeadamente na dos negócios, Diz-se que Manuel Boullosa, que, nascido em Lisboa,foi com a sua família para a Galiza com cinco anos, regressando depois a Lisboa – portanto um português de origem galega, vindo de uma família que, fugindo da fome que uma grande crise agrícola provocou, levaram à criação de numerosas colónias galegas em Madrid e em Lisboa (penso que também em Barcelona), andou, diz-se que descalço, pelas ruas da capital portuguesa vendendo petróleo porta a porta. Pois já na segunda metade do século XX era uma das cinco maiores fortunas do mundo. Parava pela Brasileira do Chiado e um criado trazia-lhe um telefone – os telemóveis ainda vinham longe – comprava e vendia petroleiros, fechava negócios de milhões de contos. Amigo de um grande amigo meu, o administrador delegado da filial portuguesa da grande empresa, foi a pedido de Boullosa que Juan José Deiros aceitou ser administrador da Bertrand e conhecíamos-nos embora sem intimidade. Um sábado no mercado de Cascais, na banca do peixe luzia uma pescada magnífica. Um velhote de boina basca perguntou qual o peso e o preço. A minha mulher olhou, e pesarosa, pois tencionava comprar aquele magnífico exemplar. Pois o senhor da boina, depois de me cumprimentar, despediu-se comentando: +é muito cara».