DIFERENCIAÇÃO DE GÉNERO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Todos os dias nos confrontamos com a diferenciação de género.

Em muitos infantários continua-se a reproduzir o modelo já estafado de actividades para homens e actividades para mulheres. Os tão conhecidos cantinhos das brincadeiras com cozinha, tábua de passar a ferro, casinhas para arrumar….e outros com pistas de carros com bolas, legos…

É claro que ninguém proíbe nenhuma brincadeira, em qualquer dos cantinhos a quem quer que seja.

No entanto, são poucas as famílias que oferecem uma boneca ou um bébé às meninas e ainda menos aos rapazes. Ofereci um boneco a um rapaz, mas a família foi lesta em fazê-lo desaparecer.

 As bolas podem contemplar as raparigas, pois não, com tanto futebol transmitido pela televisão, mas atenção é futebol masculino, onde está o feminino?

No mesmo dia vemos dezenas de anúncios na televisão a transmitir a imagem da mulher na cozinha, na limpeza da casa (felizes porque encontraram o detergente ideal para lavar as roupas).

Vemos dezenas de anúncios na televisão a transmitir a imagem do homem perfeito, o generoso que oferece um carro à namorada, homens que passam de óculos escuros, com andar decidido, com um perfume estonteante que faz cair qualquer mulher. O homem escolhe a internet porque percebe melhor do que se trata.

Por vezes, aparece o homem na cozinha, mas porque está com um grupo de amigos e se o desastrado sujar tudo à volta, não faz mal há o tal detergente para lavar a loiça.

As crianças são todas bem vestidas e alegres a brincar ao ar livre com a família.

Mas, agora espante-se e veja o anúncio na televisão ao Jardim Zoológico em que se compara as crianças a feras…

Comecei a reparar nas prendas que se dão às crianças e verifico que a maior parte são jogos pedagógicos com as idades a que se dirigem, livros puzzle, ou bonecos que se tornaram famosos por causa das séries e filmes para crianças que passam na televisão.

Estamos a queimar etapas a nível dos afectos com estes pequenos gestos. Onde está o cantinho da casa em que a criança se refugiava para falar com a sua boneca ou boneco, para se zangar com eles, para lhes fazer queixa, para os embalar porque são horas de dormir…no entanto, há legos espalhados no chão, que irão ser arrumados pelos pais.

A desarrumação dos quartos das crianças, com tudo por toda a parte acompanha-os até à adolescência, já não são legos, mas roupa…

Não houve o boneco com quem partilhar os seus sentimentos, agora não há com quem conversar, com afecto, mas há o computador esse amigo inseparável que está sempre de acordo com o utilizador!

São estas as nossas crianças que estão a crescer sem afecto, mas com o que querem e às horas que querem, não há regras, não há horas para nada, só os computadores e as saídas com os amigos…

 “prefiro que o meu filho aprenda empatia do que mandarim.” Desabafo de uma mãe que se queixa da falta de empatia dos outros. Está grávida e nos transportes públicos há quem evite olhar para não ter que ceder o lugar.

Será preciso ensinar a olhar o que está à nossa volta de uma outra maneira, é preciso ensinar a empatia para que o nosso futuro não seja só computadores e o mundo visto com olhos de shots.

A empatia traz o bem-estar a todos, porque aprendemos a olhar para o essencial e não só para o detergente…porque a diferenciação de género se faz com afecto, com empatia.

Empatia é a capacidade que as pessoas têm de reconhecer no outro os seus sentimentos e não vermos nossos nele reflectido.

É esta descentração do nosso eu que nos ensina a relação a termos com os outros, é o necessário para as relações interculturais.

 

2 Comments

  1. O Género é Homo Sapiens; a Espécie é Homo sapiens sapiens e esta tem dois Sexos: o Feminino e o Masculino. A asneira não é livre! CLV

  2. A asneira a que se refere é ao texto publicado? Penso que não foi reconhecida a inexistência
    de Géneros nem de sexos.
    Obrigada.

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